Em 27 de abril de 2017, no Instituto Multidisciplinar em Saúde/UFBA (IMS), em Vitória da Conquista, representantes do governo alçado ao poder pelo golpe parlamentar de 2016 demonstraram a consideração que dirigem ao povo brasileiro. Em evento do Fundo Nacional da Educação – ao qual acederam o Ministro da Educação, José Mendonça Bezerra Filho, o presidente do FNDE, Silvio Pinheiro, além de gestores de municípios da macrorregião do sudoeste baiano e o prefeito da capital, ACM Neto – o ministro fechou as portas, literalmente, para estudantes que haviam solicitado espaço para manifestar sua oposição às políticas praticadas em âmbito federal. Para isolar os manifestantes, seguranças da comitiva ministerial fecharam as duas portas de acesso ao auditório em que transcorria a cerimônia, impedindo que discentes, professores e técnicos da UFBA, a instituição anfitriã, adentrassem o recinto. Não satisfeitos, as autoridades ainda acionaram a polícia militar para intimidar os manifestantes, que protestavam pacificamente.

Em vista destes graves fatos, a APUB Sindicato expressa seu mais veemente repúdio à conduta praticada pelo ministro e seus aliados contra a comunidade acadêmica do IMS/UFBA. Consideramos o direito de livre expressão fundamental para o exercício da cidadania e que os dirigentes deveriam sentir-se moralmente obrigados a acolher e interagir com o dissenso. Mas ao contrário, o governo sistemática e autoritariamente reprime as vozes que destoam de seu projeto. A incapacidade (ou indisposição) política de dialogar e negociar com seus opositores é a maior evidência da sua natureza autocrática.

Denunciamos, ademais, o caráter demagógico e falacioso dos atos e discursos proferidos pelas autoridades durante a cerimônia de abertura. Na ocasião, produziu-se um clima festivo ao anúncio da destinação de 110 milhões para os municípios baianos, hipocritamente comemorado pelo mesmo governo que elaborou e implementou a Emenda Constitucional 95, antiga PEC 241 (55), do teto de gastos públicos, principalmente na saúde e educação, impedindo os municípios de realizar suas atividades básicas nestas áreas.

A Apub Sindicato saúda a resistência dos manifestantes que, ao impedirem a saída das comitivas pelo portão principal pela universidade, forçaram-nas ao artifício de uma fuga vergonhosa pelos fundos do campus.