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Aconteceu ontem (04), no auditório da Apub, o debate sobre financiamento da Educação, Ciência e Tecnologia, organizado pelo sindicato e com a presença do professor Olival Freire (PROPCI/UFBA) e Luciene Fernandes, presidenta da Apub e vice-presidenta do PROIFES-Federação. O evento é parte do ciclo de debates em preparação para o Congresso Docente da Apub, que acontecerá em agosto e o XIV Encontro Nacional do PROIFES, a ser realizado no final do mês de julho. Delegados e delegadas eleitos/as para o Encontro, assim como membros da diretoria e observadores compareceram.

 A professora Luciene abriu o debate explicando a importância de realizar encontros preparatórios para os dois eventos, de modo a solidificar as discussões e aumentar a mobilização da base, especialmente diante das dificuldades impostas pela conjuntura. Em sua fala, ela apresentou o panorama atual de redução de verbas para as universidades públicas e institutos federais (veja aqui os slides), que tende a ser agravado com a Emenda Constitucional 95 (congelamento de investimentos públicos por 20 anos), que inverte a lógica do Plano Nacional de Educação. “A gente vê que o ataque é muito centrado nas universidades. Eu acredito que é também porque a Universidade tem feito um papel de muita resistência”, disse. Em relação aos investimentos em ciência e tecnologia, ela destacou que o montante atual é próximo do que era gasto no ano de 2005, “e não é à toa que a gente tem visto grandes pesquisadores, como tivemos agora no 2 de julho, se mobilizando”. Apontou que existem formas eficientes de aumentar a arrecadação do Estado, como a reforma tributária e com a utilização dos recursos do pré-sal, que não deve ser entregue a empresas estrangeiras. “Inclusive, a própria descoberta do pré-sal, só foi possível por conta dos investimentos em tecnologia”, lembrou. Luciene afirmou ainda que o movimento sindical precisa estar à altura desses desafios e trabalhar com a sociedade para reafirmar a centralidade que a universidade pública, a ciência e a tecnologia têm no desenvolvimento do país. Ao citar a Campanha Conhecimento Sem Cortes, iniciada no Rio de Janeiro e trazida para a Bahia pela Apub, ela apresentou a proposta de envolver o PROIFES para que a Campanha possa atingir o âmbito nacional.

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Olival Freire fez um resgate da história da ciência e tecnologia no Brasil, apontando que o país vivenciou alguns ciclos de investimentos, a exemplo da Era Vargas e após a reforma universitária de 1968. Ele ponderou que nem sempre esses investimentos andaram juntos com regimes democráticos, embora tenham sido responsáveis por gerações de importantes pesquisadores e pela criação e consolidação de agências de fomento e instituições respeitadas internacionalmente. “O grande dilema histórico que nós vivenciamos no Brasil é se a gente rodou esses 50, 60 anos e vamos dar passos para frente ou não”, disse. Outra ponderação feita pelo professor, é a reduzida presença de negros e mulheres na história da ciência brasileira. Diante do cenário atual, uma das possíveis consequências é a evasão de talentos, fato que já aconteceu em outros momentos, como durante a ditadura militar. “Eu fico muito feliz que a Apub e o PROIFES comprem essa bandeira [da defesa da ciência tecnologia], mas temos que entender a dificuldade que ela encerra: a nossa sociedade não tem uma compreensão consolidada de qual é o papel da ciência e da tecnologia no desenvolvimento econômico”.

A Apub realiza ainda mais duas atividades dentro deste Ciclo de debates: na próxima quarta-feira (11), a discussão é sobre as perspectivas do movimento sindical docente e interseccionalidade e no dia 18 de julho será o momento de avaliar os encaminhamentos da Conape e CRES.

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