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Na noite de ontem (02), assistimos, consternados/as, ao incêndio de grandes proporções que destruiu o acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Localizada na Quinta da Boa Vista, prédio histórico que abrigou a família real portuguesa, a instituição, que completou 200 anos em 2018, era o mais antigo museu do país e um importante centro de pesquisa científica. Pertencente à Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, o Museu Nacional tinha um acervo com mais de 20 milhões de itens, incluindo ossadas de dinossauros, múmias egípcias, artefatos de civilizações ameríndias e o mais antigo fóssil humano encontrado no Brasil, chamado de Luzia, preservado por pelo menos 11 mil anos.

Diante dessa tragédia que afeta nossa história, nossa cultura e nossa ciência, a Apub vem, em primeiro lugar, se solidarizar com os e as docentes, estudantes e corpo técnico-administrativo da UFRJ. Para além disso, é preciso também denunciar que o incêndio do Museu Nacional não foi um acidente e sim a consequência mais palpável do descaso do poder público com a educação, as universidades e o desenvolvimento científico do país. O Museu não recebia verbas integrais para sua manutenção – cerca de R$ 520 mil anuais – há pelo menos três anos. Em 2015, já havia fechado as portas e chegou a realizar campanha de arrecadação na internet para obras de restauração. Foi esse quadro, agravado pelos recentes e constantes cortes de verbas para as universidades públicas, – e que só irá se aprofundar com o congelamento dos investimentos públicos provocados pela Emenda Constitucional 95 – que culminou no incêndio de ontem.

Sabemos que as perdas – materiais e simbólicas – são irreparáveis. Mas que as chamas que consumiram o Museu Nacional inflamem a nossa luta a partir de hoje para reconstruirmos o que é possível reconstruir: a nossa democracia, a nossa ciência e tecnologia, nossa soberania nacional e a ideia de um país que respeite seu povo, sua história e sua memória.