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Professores, alunos, técnicos administrativos e membros de movimentos sociais reuniram-se na última semana para o Encontro Regional de Educação de Jovens e Adultos do Nordeste, que aconteceu de 30 de agosto a 1 de setembro, no auditório da Faculdade de Educação da UFBA e no Instituto Anísio Teixeira. Com o tema “A educação de Jovens e Adultos como espaço de resistência e confirmação de direitos: desafios e lutas no atual cenário político brasileiro”, o encontro teve o objetivo de fomentar espaços de estudos, reflexão e proposições para a superação das problemáticas suscitadas pelo tema.

O primeiro dia do evento contou com apresentação das delegações compostas por membros dos Fóruns Estaduais de EJA no Nordeste, discentes e docentes das Instituições de Educação Superior (IES), Secretarias de Educação, entidades sindicais e representantes do Sistema S, além de uma conferência de abertura que tratou dos recentes ataques à educação pública.

Já o dia 31, foi marcado pelas rodas de conversas a respeito de diferentes aspectos da EJA. Na roda “EJA e as reformas da educação básica”, os presentes debateram principalmente sobre a necessidade de um currículo mais representativo e transformador, que esteja de fato aliado ao nível dos alunos e que agregue formação profissional e política. “É necessário que tenhamos currículos diversos, porque ensinamos a sujeitos diversos. Para trabalhar com EJA não dá para ser só professor, precisamos ser militantes”, explicou Isa Castro, coordenadora do EJA e técnica da Secretária de Educação da Bahia.

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Ainda no segundo dia, o encontro discutiu os impactos e as formas de mobilização contra o projeto Escola Sem Partido, através do Movimento Escola Sem Mordaça e outras iniciativas. O debate aconteceu na roda “EJA e os movimentos de resistência”, que também tratou da importância da intensificação das atividades do EJA no território do campo. A professora da FACED, Gilvanice Musial, destacou o trabalho do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA) como percursor desse processo. “O PRONERA foi o celeiro das experiências em educação do campo, nos possibilitou compreender melhor as metodologias dessa educação, além de fazer com o que o debate da educação no campo entrasse na universidade, ampliando o mesmo e nos dando ferramentas para entender quem, de fato, são esses sujeitos do campo”, defendeu a professora.

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Na roda “EJA e as políticas de educação profissional”, os professores avaliaram e relataram suas experiências nos programas PROEJA (Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos), PRONATEC (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) e MPEJA (Mestrado Profissional em Educação para Jovens e Adultos). Lá, discutiram sobre as formas de romper com as limitações curriculares do Sistema S, em prol de uma educação mais politizada e próxima das vivências dos alunos que trabalham, dos carcerários, das comunidades quilombolas e da população do campo. “Alguns professores ainda possuem uma visão ingênua de como funciona a educação de jovens e adultos no contexto brasileiro. A universidade passa atualmente por um momento extremamente difícil e se torna ainda mais fundamental a necessidade de transmitir os olhares críticos a respeito da realidade. O perfil de um professor da EJA é o perfil de um professor militante, não se faz EJA sem militância”, ressaltou Edith de Farias, professora do MPEJA na UNEB.

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O encontro foi finalizado no último sábado, 1, com reunião por segmentos para construção de estratégias e fortalecimento da EJA na região Nordeste e plenária de encerramento.