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Sabemos que o Brasil atravessa uma crise gravíssima, dirigida por setores que apoiaram um golpe contra a Democracia e patrocinam uma série de medidas que retiram direitos fundamentais da população. Em meio a isso, vivenciamos também a ascensão do pensamento não apenas conservador, mas fascista, que incita o ódio e a violência contra mulheres, LGBTTs, negras/os, indígenas e outros grupos que representam setores historicamente oprimidos e vilipendiados no Brasil. A universidade é também um dos alvos desse retrocesso político, tanto por ser espaço da produção autônoma do conhecimento e do pensamento crítico, como também por estar sendo concebida como espaço de direito de todos e todas.

A Apub Sindicato vem denunciando essa sucessão de ataques e sempre se colocando em luta, em articulação com outras entidades, nas ruas, apoiando atividades e na disputa das ideias na sociedade. Com a proximidade das eleições, precisamos nos posicionar não a favor de determinado candidato ou candidata, mas explicitamente contra quem representa a cultura fascista e o autoritarismo, contrário a tudo que estamos construindo ao longo de 50 anos de história.

A disputa eleitoral vem sendo palco para uma candidatura que escancara seu machismo, racismo, LGBTfobia, seu apoio à tortura, coloca a violência como seu principal programa de governo e ameaça seriamente as bases da democracia que lutamos para construir no país, após um longo período de Ditadura Militar. Inevitavelmente, há inúmeras críticas à nossa jovem e pouco inclusiva democracia, mas é através dela, quando o povo pode discutir e decidir os rumos do país, que poderemos disputar e construir uma sociedade mais justa, onde tenhamos direito a viver com dignidade e que respeite a diversidade humana com equidade.

Por tudo isso, a Apub apoia a mobilização nacional “Ele não”, protagonizada por mulheres diversas e unidas contra esta representação do reacionarismo e do fascismo nestas eleições. Entendemos que esta movimentação se soma às diversas outras lutas que vem sendo travadas e que deverá se prolongar independente do resultado das urnas. A aceitação de parte da sociedade aos discursos de ódio e à apologia da violência nos coloca em alerta para o desafio que temos, como povo brasileiro, em pensar nosso legado e projetar novos valores forjados na solidariedade e na emancipação humana. E é preciso reafirmar ainda que nosso projeto de universidade pública, gratuita, autônoma e socialmente referenciada só tem viabilidade num país verdadeiramente democrático.

Estaremos juntas e juntos, no dia 29 de setembro, às 15h, no Campo Grande, em Salvador, defendendo a Democracia, os direitos e contra todas as formas de opressão.