Apub na quarentena

A pandemia do Sars-Cov-2 impôs ao mundo mudanças brutais e inesperadas, com impactos na vida dos indivíduos, das instituições, das organizações e das trocas comerciais. No caso de nosso Estado e cidade, das escolas e universidades veio a primeira medida de contenção da pandemia, com a suspensão de suas atividades assim que se confirmaram os primeiros casos.  

A despeito dos esforços e iniciativas das autoridades locais, Governo do Estado e Prefeitura, nós, brasileiras e brasileiros, e o mundo assistimos assombrados à inépcia do que ocupa a presidência frente a uma crise sanitária mundial. O governo não apenas subestima os efeitos da propagação do vírus, como desacredita das autoridades sanitárias, semeia desinformação, promove a dúvida, desautoriza e critica ministros e governadores cujas iniciativas contrariam sua perspectiva negacionista da crise. Ademais, não apresentou ainda medidas econômicas adequadas ao enfrentamento da situação, que protejam os trabalhadores e trabalhadoras e, principalmente, que atendam às necessidades básicas da população mais vulnerável, que se conta em milhões. Pelo contrário, tudo que foi anunciado até o momento visa aos interesses dos que detêm o poder econômico, sendo o ápice dessa tendência a edição da MP 927. Se ao redor do mundo os governos atuam na direção de prover recursos à população, ocupando firmemente espaços outrora deixados para o capital privado pelas posições neoliberais, o atual desgoverno usa a crise como oportunidade para aprofundar ainda mais as medidas de austeridade fiscal em curso desde a EC 95, do congelamento dos gastos públicos, colocando na conta dos trabalhadores o custo do enfrentamento à pandemia. Se não houver posição firme e clara da sociedade, o resultado será a mortandade, o desespero e a desagregação do tecido social. 

Nesse cenário tão difícil, o movimento docente tem um papel importantíssimo a cumprir, em muitas frentes. Além de nossos esforços para a contenção da pandemia (muitos de nós estão ativos em alguma frente de trabalho),  temos o desafio de barrar a tentativa oportunista do parlamento de usar a crise para implementar medidas pretendidas antes da crise sanitária: a PL que pretender cortar nossos salários põe em execução o núcleo duro da PEC Emergencial!  Nossa luta em defesa dos serviços públicos, da universidade, da ciência e tecnologia e da cultura não entrou em quarentena! 

Este Hotsite foi um jeito que encontramos de nos manter conectados e informados sobre a crise, sobre as demandas jurídicas e administrativas de nossa vida funcional, sobre nossa saúde física e mental, sobre as movimentações políticas em curso. Participe, divulgue, interaja conosco, pra que permaneçamos firmes, fortes e conectados, pela Universidade, pela Democracia, pela Humanidade.