APUB SINDICATO DOS PROFESSORES DAS INSTITUIÇÕES FEDERAIS DE ENSINO SUPERIOR DA BAHIA

APUB participa do Programa do Trabalhador e debate pautas da educação e do mundo do trabalho

A APUB Sindicato participou, no último sábado (30/05), do Programa do Trabalhador, ampliando o diálogo sobre temas estratégicos para a categoria docente, como o piso salarial do Magistério, a proposta de fim da escala 6×1 e o recente processo eleitoral para a Reitoria da UFBA.

Ao comentar a consulta para a Reitoria, realizada nos dias 20 e 21 de maio, a presidenta da APUB, Raquel Nery, destacou a importância do processo, mas reiterou críticas ao modelo presencial de votação. “Nós reiteramos a defesa firme e qualificada de sistemas digitais, seguros e que viabilizam a participação de toda a comunidade. No caso da UFBA, uma parte dos professores, estudantes e até técnicos administrativos que estavam em greve não puderam participar”, afirmou. 

Raquel também lembrou que, durante o segundo debate entre as chapas, a APUB apresentou aos candidatos um documento construído a partir de consulta realizada com docentes entre os dias 13 e 18 de maio. Entre os principais desafios apontados pela categoria estão o financiamento da universidade, as condições de trabalho, a permanência estudantil e a saúde docente. “Hoje somos uma comunidade com um número significativo de professores adoecidos, especialmente em questões relacionadas à saúde mental, articuladas às condições de trabalho e à burocracia”, destacou. 

A dirigente também citou preocupações relacionadas a assédio, discriminação e outras formas de violência no ambiente universitário. Ao final, saudou o resultado da consulta e a futura gestão da UFBA. “O professor João Carlos e a professora Jamile Borges foram eleitos com uma votação expressiva e que não coloca dúvidas de que esse foi o desejo legítimo da comunidade da nossa universidade, pelo projeto e propostas apresentadas. Por aqui, saudamos e desejamos uma gestão excelente e que seja uma gestão de inclusão.”

Outro participante do programa, o professor Pablo Florentino, abordou os impactos das mudanças na legislação do piso do magistério. Segundo ele, além da atualização do valor, houve alteração na fórmula de reajuste, que passa a considerar o INPC e um percentual vinculado ao Fundeb. “A questão em disputa é se esse mesmo critério vale para o Magistério Federal, para os docentes das universidades e institutos federais”, explicou. 

O docente também alertou para os possíveis efeitos da medida sobre a estrutura da carreira: “A pergunta central é se esses níveis serão ajustados de maneira proporcional ao reajuste anual que será aplicado ao piso para evitar o achatamento que existiria na malha salarial”, destacou. Segundo Pablo, a definição dependerá do julgamento da matéria pelo Supremo Tribunal Federal (STF), atualmente suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. 

Encerrando o programa, o coordenador de Comunicação e Cultura da APUB, Marco Cerami, comentou a proposta de redução da jornada de trabalho com o fim da escala 6×1. Para ele, a medida pode ampliar oportunidades de qualificação profissional e reforçar a importância das instituições públicas de ensino superior. “Dando mais tempo para as pessoas se dedicarem às próprias atividades, muita gente que precisaria desse tempo  para, junto com o trabalho, poder se qualificar, pode finalizar a universidade, pode esperar um futuro melhor com um emprego melhor remunerado. São as instituições federais de ensino superior que fornecem a maioria das melhores qualificações para preparar o mundo do trabalho e da pesquisa”, pontua o docente.

Cerami comentou ainda o comprometimento da categoria com a defesa de avanços nas condições de vida e trabalho da população, destacando o acompanhamento das votações em articulação com a CUT e o PROIFES. Também ressaltou a importância de se identificar os parlamentares que se posicionam contra essas pautas, para que a população possa considerar esse histórico nas próximas eleições.“A luta continua”, concluiu.

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