Combater o desmatamento na Amazônia nunca foi uma prioridade para Bolsonaro

Em junho de 2022, o mundo ficou chocado com a revelação da morte do indigenista Bruno Pereira, um dos maiores especialistas do país, e do jornalista Dom Phillips, do jornal britânico The Guardian, que estavam trabalhando na região amazônica.

Enquanto diversos setores da sociedade mobilizavam esforços para encontrá-los, o presidente da República, Jair Bolsonaro, falou que os dois estavam fazendo uma “aventura não recomendável”.

Não é de se espantar o desdém de quem sempre tratou a proteção ao meio ambiente como um empecilho para os desejos de grupos econômicos por lucro, especialmente desmatadores e garimpeiros ilegais.

Bruno Pereira era funcionário da Fundação Nacional do Índio (Funai) e coordenou operações contra o garimpo.

Depois de uma grande operação contra o garimpo ilegal, realizada em 2019 e que terminou com 60 “barcos piratas” queimados, Bruno Pereira foi exonerado do cargo de coordenador-geral de índios isolados e de recente contato da Funai. Ele foi vítima de perseguição política e ficou sem apoio do Estado na luta contra crimes em terras indígenas.

Eleições

Temeroso com a proximidade das eleições, o Governo Federal tenta maquiar os problemas relacionados ao desmatamento e outras questões ambientais com a criação de uma “Câmara Consultiva Temática”. A medida, como praticamente todas as adotadas por Bolsonaro em sua gestão, é antidemocrática e negacionista.

Preocupado com a reeleição e acuado para lidar com os impactos negativos pela morte de Bruno Pereira e Dom Phillips, Jair Bolsonaro tenta construir, sem sucesso, uma nova narrativa para esconder amarga seu desprezo pela proteção ambiental no país.

Um dos absurdos dessas escolhas foi deixar de fora órgãos como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que trabalha diretamente no controle de queimadas de desmatamentos.

Na eleitoreira Câmara Consultiva Temática, além de Bolsonaro, haverá um integrante do Ministério do Meio Ambiente (que também abandonou seu propósito), que responderá pela coordenação, além de representantes dos ministérios da Agricultura, Defesa, Economia e Justiça.

O grupo terá a liberdade de convidar (falsos) “especialistas” e técnicos para reuniões específicas, mas “sem direito a voto” nos assuntos pautados. Tudo para fingir que o governo se preocupa com a questão ambiental.

Não é de se espantar a negligência de Bolsonaro em relação ao INPE, que é alvo de ataques do presidente desde 2019. Como sempre, ele prefere negar os dados sobre a Amazônia e acusa a entidade de atuar em favor de ONGs.

Bruno Pereira e Dom Phillips foram assassinados com tiros de armas de caça. Importante lembrar que uma das maiores obsessões do governo de Jair Bolsonaro é implementar mecanismos infraconstitucionais para liberar o acesso, praticamente sem controle, a armas de calibre pesado.

Fonte: APUB

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