Em carta, professor da UFBA ressalta importância da participação dos docentes na vida do sindicato

Professor da Universidade Federal da Bahia, Nildo Manoel da Silva Ribeiro, relata sua recente entrada e participação no movimento sindical, alertando para necessidade e importância do engajamento dos professores na vida dos Sindicatos.

Abaixo, a íntegra da carta.

Por Nildo Manoel da Silva Ribeiro*

“Nunca pensei em me envolver com o sindicato, nunca soube direito o que o sindicato fazia, só escutava o que meus colegas diziam, que tinha que tocar minha vida nas aulas, nas pesquisas e nas minhas publicações, que sindicato era coisa de povo que só pensava em passeata e greve. Com isso, ao entrar na universidade, levei ao pé da letra esses conselhos. Nos departamentos de saúde que convivia isso era mais forte ainda. Sou um pesquisador clínico da neurologia e era ali que eu ia ficar.

Me filiei ao sindicato nas últimas eleições porque uma amiga pediu voto para Luciene e só fiz porque ela foi atrás de mim no ambulatório com os papéis. Pensei, vou me filiar, chamar alguns colegas para dar uma força, votar nela porque achei coerente e séria, mas basta.

Segui minha vida sem nem cogitar a mínima aproximação e enterrava meu umbigo no fazer acadêmico.

Um dia, Luciene me liga dizendo que tinha um grupo de trabalho sobre direitos humanos e que poderíamos discutir sexualidade e sobre diminuir as desigualdades. Isso me interessou muito, pois sei o que é sofrer bullying, sei o que é se sentir diferente.  Essas causas me tocam profundamente, por isso inclusive resolvi trabalhar e pesquisar sobre incapacidade na neurologia.

Quando disse que ia para atividades no sindicato, escutei logo de alguns colegas que era para não se envolver, que ia perder meu tempo, que ia prejudicar minha vida na universidade e várias outras coisas.

Fui com toda defesa do mundo, mas de imediato gostei das discussões, achei que ia aprender muito por ali. Quando comecei a participar das reuniões maiores como em Porto Alegre ficava impressionado com o conhecimento daquele pessoal sobre política e que eu não sabia absolutamente nada, Deus me livre falar alguma coisa, achava que ia ser massacrado (mas isso vinha também de toda repressão que sofri ao longo da vida).

Mas, ao mesmo tempo, uma luz se acendeu, vi que ali muitas coisas referentes a minha vida estava sendo discutida, que muitas coisas importavam para a sociedade como um todo e que aquelas pessoas lutavam por bandeiras muito importantes e que faziam diferença.

Sempre que pensava em não seguir, pois ficava com sentimentos ainda contraditórios escutava Luciene me dizendo que precisamos estar nos espaços, que ela também tinha começado sem saber muita coisa e eu me permitia continuar.

Sempre vou estudando os espaços, as atividades para me apropriar das coisas e também para que seja visceral, que me mobilize internamente para contribuir efetivamente, porque se não for assim não vou.

Assim é minha história ainda precoce no movimento sindical, mas faço questão de relatar principalmente após o fórum social mundial onde aquela mesa marcou minha vida e vi o alcance das lutas do sindicato e também na última reunião do CD onde a pluralidade é respeitada, onde se percebe claramente que muitos estão ali por lutas extremamente importantes e que envolvem a sociedade como um todo. Não é uma luta para o próprio umbigo, isso não teria sentido nenhum.

A APUB nessa gestão da Luciene me conquistou, o PROIFES nessas atividades me conquistou, me fez acreditar em todo movimento. Num movimento democrático, de direitos humanos e acolhedor.

Hoje de fato quero participar ativamente mesmo sabendo das minhas limitações e dos próprios sindicatos.

Mas virou visceral e hoje me vejo pensando em estratégias, em como filiar novos professores e ajudando a organizar atividades.  Hoje falo com mais propriedade sobre o sindicato e suas ações. Escutei de um colega do departamento esses dias, eu sabia que você ia mudar quando se envolvesse e eu pensei, ainda bem que me envolvi.

Grato as companheiras e companheiros por me acolherem nessa estrada.

Grande abraço”

*Nildo Manoel da Silva Ribeiro. Graduado em Fisioterapia, Doutor em Neurociências, Departamento de Fisioterapia e do Programa de Pós Graduação do Instituto de Ciências da Saúde/UFBA

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