{"id":13534,"date":"2014-08-01T13:44:51","date_gmt":"2014-08-01T13:44:51","guid":{"rendered":"http:\/\/apub.org.br\/?p=13534"},"modified":"2014-08-01T13:44:51","modified_gmt":"2014-08-01T13:44:51","slug":"movimentos-sociais-formalizam-unidade-para-ir-as-ruas-em-defesa-do-plebiscito-da-reforma-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/movimentos-sociais-formalizam-unidade-para-ir-as-ruas-em-defesa-do-plebiscito-da-reforma-politica\/","title":{"rendered":"Movimentos sociais formalizam unidade para ir \u00e0s ruas em defesa do plebiscito da reforma pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 1.17em; font-weight: normal;\">Escrito por: <\/span><a style=\"font-size: 1.17em; font-weight: normal;\" href=\"mailto:luiz@cut.org.br\">Luiz Carvalho<\/a><\/p>\n<div id=\"ck\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Em quatro dias de Plen\u00e1ria Nacional da CUT, dirigentes sindicais e convidados do encontro falaram em v\u00e1rios momentos sobre a import\u00e2ncia da reforma pol\u00edtica para destravar as demais reformas. E em todas as ocasi\u00f5es, o discurso de que o atual sistema pol\u00edtico chegou ao limite foi ponto comum.<\/p>\n<p>Nesta quinta-feira (31), o assunto foi tema principal de uma mesa que reuniu lideran\u00e7as de 10 organiza\u00e7\u00f5es da secretaria operativa do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.plebiscitoconstituinte.org.br\/\">Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Pol\u00edtico<\/a>. Apenas uma entidade, a Coordena\u00e7\u00e3o dos Movimentos Populares (CMP) n\u00e3o pode comparecer.<\/p>\n<p>O plebiscito foi uma resposta da presidenta Dilma Rousseff \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es de junho de 2013 que cobraram mudan\u00e7as na pol\u00edtica. A proposta acabou engavetada por press\u00e3o do atual Congresso e de setores conservadores que n\u00e3o querem a amplia\u00e7\u00e3o da democracia.<\/p>\n<p>Em defesa da proposta, entre os dias 1\u00ba e 7 de setembro, os movimentos sociais ir\u00e3o \u00e0s ruas para que os brasileiros respondam se s\u00e3o favor\u00e1veis a uma constituinte do sistema pol\u00edtico. A expectativa \u00e9 reunir 15 milh\u00f5es de votos em defesa da campanha, cinco milh\u00f5es a mais do que o plebiscito que derrubou o projeto de \u00c1rea de Livre Com\u00e9rcio das Am\u00e9ricas (Alca) arrecadou em 1994.<\/p>\n<p>Ciente de sua responsabilidade, a CUT assumiu o compromisso de colocar a milit\u00e2ncia em defesa da consulta popular e disponibilizar uma urna em cada local de trabalho. Para o presidente da Central, os trabalhadores chegaram ao governo, mas est\u00e3o longe de ter o poder.\u201cO Estado que est\u00e1 a\u00ed n\u00e3o \u00e9\u00a0 o que queremos. Os poderes ainda est\u00e3o nas m\u00e3os da burguesia, porque n\u00e3o mexemos nas estruturas e a presidenta Dilma Rousseff\u00a0 depende da capacidade que o movimento sindical tem de ir para a rua dar sustentabilidade \u00e0 convoca\u00e7\u00e3o do plebiscito. A\u00ed teremos condi\u00e7\u00e3o de fazer a luta ideol\u00f3gica com eles (referindo-se aos partidos e for\u00e7as conservadoras) e discutir com a opini\u00e3o p\u00fablica quem est\u00e1 certo\u201d, explicou aos mais de 600 delegados da plen\u00e1ria.<br \/>\nMuitas das lideran\u00e7as de entidades juvenis que protagonizaram as manifesta\u00e7\u00f5es de junho participam da campanha, como o Levante Popular, representado pelo militante Ronaldo Schaeffer, que apontou a import\u00e2ncia da CUT mobilizar suas bases.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o podemos voltar ao neoliberalismo, mas tamb\u00e9m n\u00e3o podemos nos contentar com a pol\u00edtica que o governo est\u00e1 tentando implantar. A CUT \u00e9 o que faz a burguesia tremer\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>A reforma n\u00famero um \u2013<\/strong> Outro entendimento comum a todos que trataram do tema foi a ideia de que mudar o sistema pol\u00edtico \u00e9 o primeiro passo para fazer outras reformas essenciais, como a tribut\u00e1ria, agr\u00e1ria e da comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Secret\u00e1ria de Comunica\u00e7\u00e3o da CUT, Rosane Bertotti, tratou da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.paraexpressaraliberdade.org.br\/\">Campanha para Expressar\u00a0 a Liberdade<\/a>, que pretende arrecadar 1,3 milh\u00e3o de assinaturas para construir um novo marco legal para democratizar o setor.<\/p>\n<p>\u201cTemos um novo tempo, ent\u00e3o, n\u00e3o podemos ter uma lei da \u00e9poca da ditadura que n\u00e3o respeita a liberdade de express\u00e3o\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Um do desafios da reforma do sistema pol\u00edtico \u00e9 corrigir a disparidade que h\u00e1 entre a sociedade brasileira e a representa\u00e7\u00e3o do povo no Congresso, conforme observou a coordenadora da Marcha Mundial de Mulheres, S\u00f4nia Coelho.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o conseguimos fazer reformas estruturais para o pa\u00eds avan\u00e7ar porque temos um sistema pol\u00edtico em que o poder econ\u00f4mico branco, masculino e heterossexual \u00e9 quem determina as diretrizes. No Brasil, as mulheres s\u00e3o 52% da popula\u00e7\u00e3o, mas temos apenas 8,77% na C\u00e2mara Federal e 15% no Senado. Queremos avan\u00e7ar com igualdade em um modelo que altere as rela\u00e7\u00f5es de poder.\u201d<\/p>\n<div id=\"lc2573\">A mesma discrep\u00e2ncia \u00e9 observada entre os jovens e negros. A representante da Juventude e Revolu\u00e7\u00e3o, Priscila Chandretti, e o Secret\u00e1rio Nacional da Juventude do PT, Jefferson Lima, apontaram que o processo de transforma\u00e7\u00e3o deve chamar a popula\u00e7\u00e3o ao debate para transformar um cen\u00e1rio em que deputados e senadores com menos de 25 anos s\u00e3o apenas 3% do parlamento.<\/div>\n<p>\u201cE aqueles que l\u00e1 est\u00e3o s\u00e3o parentes de pol\u00edticos h\u00e1 muito tempo na cena. Por isso se tem dificuldade em aprovar medidas progressistas como o Plano Nacional de Participa\u00e7\u00e3o Social, o Marco Civil da Internet e barrar o PL 4330 (projeto de lei que permitia a terceiriza\u00e7\u00e3o sem limites e est\u00e1 parado no Congresso)\u201d, acrescentou Lima.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 parecida para a popula\u00e7\u00e3o negra, conforme destacou o diretor da Coordena\u00e7\u00e3o Nacional de Entidades Negras (Conen), Fl\u00e1vio Jorge Rodrigues. Dos 513 deputados, s\u00f3 43 se reconhecem como negros. E no Senado, apenas dois, o que refor\u00e7a a necessidade de a\u00e7\u00f5es como o voto em lista com crit\u00e9rios para g\u00eanero e ra\u00e7a.<\/p>\n<p>Um avan\u00e7o como esse, avaliou, esbarra num cen\u00e1rio em que a vit\u00f3ria de um governo federal democr\u00e1tico e popular n\u00e3o foi o suficiente de vencer o pensamento conservador que det\u00e9m a hegemonia da sociedade.<\/p>\n<p><strong>Porque uma Constituinte Exclusiva \u2013 <\/strong>Ao contr\u00e1rio do que aconteceu com a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, quando os parlamentares eleitos tamb\u00e9m discutiam a Carta Magna, os movimentos sociais prop\u00f5em uma Constituinte Exclusivamente eleita para tratar da reforma pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O motivo \u00e9 \u00f3bvio: deputados e senadores beneficiados pelo modelo vigente n\u00e3o ter\u00e3o qualquer interesse em mudar algo que os beneficia. \u201cN\u00e3o podemos ter a ilus\u00e3o de que os atuais benefici\u00e1rios do sistema pol\u00edtico ir\u00e3o reform\u00e1-lo. Portanto, sem mobiliza\u00e7\u00e3o popular n\u00e3o haver\u00e1 mudan\u00e7as\u201d, disse o Secret\u00e1rio Nacional de Movimentos Populares do PT, Bruno Elias.<\/p>\n<p>Para o l\u00edder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Jo\u00e3o Pedro Stedile, essa forma de discuss\u00e3o \u00e9 fundamental para que as mudan\u00e7as sejam profundas. \u201cN\u00e3o podemos mais aceitar uma reforma que tenha medidas de \u2018perfumaria\u2019, e sim com mudan\u00e7as nos meios de comunica\u00e7\u00e3o e no Poder Judici\u00e1rio, hoje hegemonizados e utilizados como armas pela burguesia.\u201d<\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o da primeira semana de setembro ter\u00e1 a fun\u00e7\u00e3o de ampliar o di\u00e1logo com a sociedade sobre o tema e popularizar a discuss\u00e3o. Representante da Consulta Popular, Paola Estrada, diz que o objetivo \u00e9 fazer com que os movimentos organizados cheguem a setores da sociedade onde ainda n\u00e3o est\u00e3o presentes.<\/p>\n<p>Sobre um ponto n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida: momento mais prop\u00edcio para discutir o assunto n\u00e3o haveria, conforme destacou a presidente da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE), Virg\u00ednia Barros.<\/p>\n<p>\u201cEste ano em que lembramos os 50 anos do golpe militar e temos elei\u00e7\u00f5es \u00e9 perfeito para falar do aprofundamento da democracia. A campanha do plebiscito aposta na intelig\u00eancia e capacidade de luta do povo brasileiro para constranger aqueles que querem que o sistema pol\u00edtico continue entregue aos interesses econ\u00f4micos.\u201d\u00a0<a href=\"http:\/\/cut.org.br\/sistema\/ck\/files\/Manifesto%20para%20o%20Ato%20politico%20de%2031%20de%20julho.pdf\"><\/p>\n<p><strong>Clique aqui<\/strong><\/a> para ler o manifesto dos movimentos sociais em defesa do Plebiscito, lido ao final da mesa.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrito por: Luiz Carvalho Em quatro dias de Plen\u00e1ria Nacional da CUT, dirigentes sindicais e convidados do encontro falaram em v\u00e1rios momentos sobre a import\u00e2ncia da reforma pol\u00edtica para destravar as demais reformas. E em todas as ocasi\u00f5es, o discurso de que o atual sistema pol\u00edtico chegou ao limite foi ponto comum. 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