{"id":19530,"date":"2016-08-18T14:53:29","date_gmt":"2016-08-18T14:53:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apub.org.br\/?p=19530"},"modified":"2016-08-18T15:00:38","modified_gmt":"2016-08-18T15:00:38","slug":"manifesto-de-repudio-a-cultura-do-estupro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/manifesto-de-repudio-a-cultura-do-estupro\/","title":{"rendered":"Manifesto de Rep\u00fadio \u00e0 Cultura do Estupro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>O XII Encontro Nacional do PROIFES decidiu, por unanimidade, manifestar-se em rep\u00fadio \u00e0 cultura do estupro e em defesa dos direitos individuais.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O caso de estupro coletivo ocorrido no Rio de Janeiro, em 25 de maio de 2016, evidencia a dissemina\u00e7\u00e3o da cultura do estupro no Brasil e exige um posicionamento de toda a sociedade contra toda e qualquer forma de estupro. O termo \u201ccultura do estupro\u201d foi desenvolvido na d\u00e9cada de 70 nos Estados Unidos para mostrar o modo como se costumava culpar as v\u00edtimas pelo abuso sexual que sofriam, contribuindo para naturalizar a viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>N\u00e3o podemos nos calar ao ver uma jovem de 16 anos ser estuprada, ter imagens divulgadas na rede mundial de computadores e ainda sofrer com coment\u00e1rios que atribuem \u00e0 v\u00edtima parte da responsabilidade pelos fatos, encorajando outros casos de abuso. Este caso n\u00e3o \u00e9 \u00fanico, infelizmente, mas \u00e9 emblem\u00e1tico. De acordo com o Anu\u00e1rio do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (p\u00e1ginas 6 e 116), cerca de 50 mil pessoas s\u00e3o estupradas no Brasil a cada ano. Contudo, sabe-se que o estupro \u00e9 um dos crimes mais subnotificados que existem, devido \u00e0 cultura ideol\u00f3gica, legal, social e de costumes que imp\u00f5e o medo, o sil\u00eancio e a culpabiliza\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias v\u00edtimas.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Lamentavelmente, o termo mant\u00e9m absoluta atualidade diante das express\u00f5es de \u00f3dio contra mulheres e discursos que protegem os agressores, como os que circularam juntamente com o v\u00eddeo que exp\u00f4s o corpo e a dignidade da adolescente nas redes sociais, encorajando outros casos de abuso.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O estupro, em hip\u00f3tese alguma, \u00e9 culpa da v\u00edtima. A v\u00edtima de um estupro \u00e9 sempre v\u00edtima, independentemente de seu passado, de suas escolhas sexuais, da roupa que veste, de sua idade, sexo ou do fato de ter consumido ou n\u00e3o \u00e1lcool. O estupro n\u00e3o pode ser visto com julgamento moralista, mas como uma pr\u00e1tica contr\u00e1ria aos Direitos individuais previstos na Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira de 1988, inspirados nas declara\u00e7\u00f5es Francesa, de 1789 e das Na\u00e7\u00f5es Unidas, de 1948.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Este Manifesto \u00e9 sobre estupro, n\u00e3o \u00e9 sobre sexo ou sexualidade. Estupro \u00e9 a viola\u00e7\u00e3o da vontade do outro, da outra. Estupro \u00e9 uma pr\u00e1tica n\u00e3o consensual de sexo. Estupro \u00e9 uma imposi\u00e7\u00e3o por meio de viol\u00eancia ou amea\u00e7a de qualquer natureza. Estupro \u00e9 um crime sexual hediondo. Estupro existe tanto com penetra\u00e7\u00e3o, como sem penetra\u00e7\u00e3o. Estupro vitimiza majoritariamente as mulheres, mas homens tamb\u00e9m\u037e estupros contra crian\u00e7as, adolescentes e vulner\u00e1veis s\u00e3o especialmente hediondos\u037e estupros causam traumas psicol\u00f3gicos inapag\u00e1veis nas vidas das v\u00edtimas e de seus familiares.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O estupro n\u00e3o \u00e9 cometido por monstros. O estupro \u00e9 cometido por seres humanos, contra outros seres humanos. Em geral, \u00e9 cometido por homens hist\u00f3ricos, frutos de seu tempo e de uma sociedade que tolera o tratamento violento contra suas v\u00edtimas. N\u00f3s n\u00e3o o toleramos e nos manifestamos contr\u00e1rios a toda e qualquer forma de estupro. Cumprindo nosso papel de educadores, nos manifestamos contra toda e qualquer pr\u00e1tica social que naturalize o estupro ou outras formas de viol\u00eancia sexual e simb\u00f3lica. Repudiamos posicionamentos que questionem, difamem ou coloquem em xeque a credibilidade das v\u00edtimas, atitudes estas que contribuem para a prote\u00e7\u00e3o dos agressores.\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Por fim, repudiamos toda e qualquer atitude individual ou coletiva que vise \u201cfazer justi\u00e7a com as pr\u00f3prias m\u00e3os\u201d, conduta incapaz de resolver os problemas relacionados aos crimes de estupro e potencialmente geradora de outras viol\u00eancias. Ningu\u00e9m pode ser condenado na den\u00fancia, sem averigua\u00e7\u00e3o dos fatos e amplo direito de defesa, de acordo com os princ\u00edpios do Estado de Direito.<\/em><\/p>\n<p><em>Natal, 5 de agosto de 2016.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O XII Encontro Nacional do PROIFES decidiu, por unanimidade, manifestar-se em rep\u00fadio \u00e0 cultura do estupro e em defesa dos direitos individuais. 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