{"id":19813,"date":"2016-09-12T15:32:42","date_gmt":"2016-09-12T15:32:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apub.org.br\/?p=19813"},"modified":"2016-09-13T15:01:51","modified_gmt":"2016-09-13T15:01:51","slug":"artigo-1964-e-2016-tragedia-e-farsa-dos-golpes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/artigo-1964-e-2016-tragedia-e-farsa-dos-golpes\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; 1964 e 2016: trag\u00e9dia e farsa dos golpes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Em 1964, a base de apoio do Presidente Jo\u00e3o Goulart, que era composta pelo PTB e PSD se fragilizou. O PSD se deslocou do centro para a direita, se aproximando da oposi\u00e7\u00e3o conservadora e antinacionalista liderada pela UDN.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Coliga\u00e7\u00e3o PTB\/PSD foi forjada por Get\u00falio Vargas, em 1950, e consolidada na elei\u00e7\u00e3o de 1955 com a chapa Juscelino e Jo\u00e3o Goulart, que representavam respectivamente o PSD e o PTB.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na elei\u00e7\u00e3o seguinte, apesar da simpatia de Juscelino pelo nome do General Juraci Montenegro Magalh\u00e3es, Ex-Governador da Bahia e Presidente Nacional da UDN, a alian\u00e7a foi mantida com a indica\u00e7\u00e3o da cabe\u00e7a da chapa pelo PSD do Marechal Nacionalista Henrique Teixeira Lott e da continuidade do nome de Jo\u00e3o Goulart como vice-presidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proposi\u00e7\u00e3o das reformas de base, fez com que amplos setores da classe m\u00e9dia, da Igreja cat\u00f3lica e do empresariado se mobilizassem na famosa \u201cMarcha da Fam\u00edlia com Deus pela Liberdade\u201d que mobilizou 500 mil pessoas em S\u00e3o Paulo, contra a republica sindicalista, a corrup\u00e7\u00e3o e o comunismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A agita\u00e7\u00e3o dos subalternos das for\u00e7as armadas e a pol\u00edtica nacionalista do governo Jango, provocaram ades\u00e3o dos militares e do governo americano a favor do golpe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O golpe tamb\u00e9m foi parlamentar, pois, na madrugada de 02 de abril, o presidente do Congresso Nacional, senador Auro Moura de Andrade decretou vaga a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica sobre alega\u00e7\u00e3o de que o presidente Jo\u00e3o Goulart (sabidamente no Rio Grande Sul) tinha abandonado o Brasil sem autoriza\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional; o verdadeiro motivo para a deposi\u00e7\u00e3o, entretanto, eram a crise econ\u00f4mica, a pol\u00edtica nacionalista e as reformas de base.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Moura de Andrade, em conluio com os setores civis do golpe, que temiam que a linha dura eliminasse fisicamente o presidente Goulart, despachou o general de divis\u00e3o Assis Brasil, chefe do Gabinete Militar para o Rio Grande do Sul, para escoltar o presidente deposto at\u00e9 Uruguai. No seu retorno, Assis Brasil foi preso e expulso do Ex\u00e9rcito Brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O STF e o congresso nacional legitimaram o golpe, pois o Senador Moura de Andrade, ap\u00f3s a decreta\u00e7\u00e3o da vac\u00e2ncia da presid\u00eancia, seguiu todos os ritos previstos na Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1946. Deu posse ao presidente da C\u00e2mara dos deputados Ranieri Mazzili e em 30 dias realizou a elei\u00e7\u00e3o indireta como estava previsto na Constitui\u00e7\u00e3o. Nela, foi eleito o Marechal Humberto de Castelo Branco, tendo como vice o deputado do PSD Jos\u00e9 Maria Alkmim, partido de sustenta\u00e7\u00e3o do governo Goulart. A bancada do PSD, seguindo a orienta\u00e7\u00e3o de Juscelino, votou em peso na chapa, com exce\u00e7\u00e3o do deputado Tancredo Neves, que na madrugada de 02 de abril j\u00e1 tinha protestado contra a deposi\u00e7\u00e3o &#8211; com dedo em riste gritou \u201ccanalha, canalha\u201d quando Auro Moura Andrade decretou a vac\u00e2ncia da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maioria dos deputados do PSD que votaram em Castelo Branco foram cassados e\/ou presos, inclusive Juscelino. \u00c9 importante destacar que todos os ritos e formalidades\u00a0constitucionais foram seguidos \u00e0 risca mas, mesmo assim, o que ocorreu em 1964 foi um golpe civil, militar e do capital financeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Em 2016, ocorreu o mesmo enredo com atores diferentes, com motiva\u00e7\u00e3o similar: esgar\u00e7amento da base aliada, crise econ\u00f4mica e esgotamento do modelo nacional, reformista e desenvolvimentista. Os ritos e as formalidades democr\u00e1ticas e constitucionais foram seguidos, porem alega\u00e7\u00e3o do impedimento foi baseada em uma falsa alega\u00e7\u00e3o de crime de responsabilidade para afastar a presidente eleita Dilma Rousseff.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo, o que ocorreu no Brasil no dia 31 de agosto apesar das apar\u00eancias de legalidade, foi um golpe que n\u00e3o teve nada de original, e sim a repeti\u00e7\u00e3o de uma trag\u00e9dia em forma de farsa.<\/p>\n<p><em>Ubiratan F\u00e9lix<\/em><\/p>\n<p><em>Professor do IFBA e diretor da Apub<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1964, a base de apoio do Presidente Jo\u00e3o Goulart, que era composta pelo PTB e PSD se fragilizou. O PSD se deslocou do centro para a direita, se aproximando da oposi\u00e7\u00e3o conservadora e antinacionalista liderada pela UDN. 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