{"id":22020,"date":"2017-07-05T17:04:49","date_gmt":"2017-07-05T17:04:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apub.org.br\/?p=22020"},"modified":"2017-07-05T20:55:44","modified_gmt":"2017-07-05T20:55:44","slug":"ciclo-de-debates-da-apub-tem-inicio-com-palestra-do-professor-gabrielli","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/ciclo-de-debates-da-apub-tem-inicio-com-palestra-do-professor-gabrielli\/","title":{"rendered":"Ciclo de debates da Apub tem in\u00edcio com palestra do professor Gabrielli"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Entre colegas antigos e novos, o professor da Faculdade de economia da UFBA, Jos\u00e9 S\u00e9rgio Gabrielli deu uma verdadeira aula sobre as origens e o desenvolvimento da crise atual no Brasil, a convite da Apub Sindicato para falar sobre a conjuntura nacional e as perspectivas do movimento sindical. Na mesa, estiveram presentes a presidente da Apub, Luciene Fernandes que abordou alguns pontos sobre os desafios atuais do movimento docente, e o Reitor Jo\u00e3o Carlos Salles, que foi prestigiar o debate e acabou contribuindo para a reflex\u00e3o sobre os ataques que a Universidade p\u00fablica vem sofrendo e o papel que ela cumpre na luta para supera\u00e7\u00e3o da crise a partir da produ\u00e7\u00e3o intelectual e do posicionamento pol\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gabrielli iniciou sua apresenta\u00e7\u00e3o fazendo uma retrospectiva, tendo como ponto de partida a crise c\u00edclica do capitalismo, que a partir de 2008, atinge a economia mundial, quando predominou no cen\u00e1rio a austeridade fiscal dos governos, cortes de recursos para o bem-estar social e alto n\u00edvel alto de desemprego. No Brasil, nesse per\u00edodo estava sendo adotada uma pol\u00edtica antic\u00edclica do governo Lula, que funcionou com medidas de acelera\u00e7\u00e3o de investimentos, est\u00edmulo ao consumo e tamb\u00e9m por uma alian\u00e7a rentista, que manteve altas taxas de juros para atrair investimentos de empresas privadas. Nos anos seguintes, o governo brasileiro continuou apostando na concilia\u00e7\u00e3o de classes e n\u00e3o promoveu mudan\u00e7as estruturais; em 2013, a crise econ\u00f4mica atinge o pa\u00eds e ao mesmo tempo, as ruas s\u00e3o ocupadas pelas mobiliza\u00e7\u00f5es exigindo mais direitos, principalmente para a juventude. \u00a0A partir daquele momento, houve uma mudan\u00e7a da matriz econ\u00f4mica com a substitui\u00e7\u00e3o de investimentos p\u00fablicos pelo privado, desonera\u00e7\u00f5es fiscais e uso dos bancos p\u00fablicos para estimular investimentos. Em 2014, a crise chegou com maior for\u00e7a e foram adotadas as mesmas medidas de arrocho com cortes de recursos em pol\u00edticas p\u00fablicas e servi\u00e7os sociais. \u00a0Apesar disso, a elite brasileira estava insatisfeita, querendo a diminui\u00e7\u00e3o do Estado, as desonera\u00e7\u00f5es para os bancos e empresas e as altas taxas de juros. O ano de 2015 foi o marco do rompimento da alian\u00e7a de classes e com o fim do apoio ao governo Dilma no Congresso, consolidou-se o golpe parlamentar para efetivar o desmonte do Estado com as privatiza\u00e7\u00f5es, desmonte das empresas estatais, entrega de terras e outros recursos naturais, como pr\u00e9-sal, para o capital estrangeiro\/transnacional, cortes e congelamento de gastos sociais, retirada de direitos e flexibiliza\u00e7\u00e3o das leis trabalhistas, entre outras coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A explana\u00e7\u00e3o foi enriquecida com a participa\u00e7\u00e3o de professores e professoras, que contribu\u00edram com a an\u00e1lise e tamb\u00e9m fizeram perguntas que levaram ao aprofundamento do debate sobre os desafios que est\u00e3o colocados para supera\u00e7\u00e3o de uma crise do sistema &#8211; muito mais do que uma quest\u00e3o de representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica &#8211; que ainda perdurar\u00e1 por um certo tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O professor chamou aten\u00e7\u00e3o para o fato de que n\u00e3o h\u00e1 ainda em jogo um projeto concreto e no qual as pessoas acreditem que se proponha a superar o sistema capitalista. Tamb\u00e9m afirmou que o que est\u00e1 em disputa nesse momento \u00e9 o destino das verbas do Estado e quem vai pagar a conta da crise.\u00a0 Apesar de uma an\u00e1lise da conjuntura desanimadora, o professor ressalta que \u00e9 necess\u00e1rio fazer a leitura pessimista da realidade, mas o mais importante \u00e9 o \u201cotimismo da pr\u00e1tica\u201d. Para ele, o desafio para os movimentos sociais e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas \u00e9 conseguir traduzir os anseios da popula\u00e7\u00e3o para construir uma nova agenda, na qual caiba a demanda das mulheres, do povo negro, LGBTQI, juventude perif\u00e9rica e demais grupos que conformam a classe trabalhadora, e conquistar o povo para disputar os rumos do pa\u00eds. Mas isso s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel com a reflex\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas. \u201cO que mobiliza as pessoas para a luta n\u00e3o s\u00e3o apenas quest\u00f5es objetivas, mas as subjetivas tamb\u00e9m\u201d, enfatiza ele ao afirmar que as pessoas precisam acreditar que \u00e9 poss\u00edvel mudar, \u00e9 poss\u00edvel vencer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa mesma linha, Luciene Fernandes fez quest\u00e3o de ressaltar que esta complexidade da sociedade est\u00e1 na Universidade tamb\u00e9m, e portanto, faz parte dos desafios do movimento docente incorporar as novas demandas. Segundo colocou, a maioria dos professores e professoras entraram na Universidade depois de 2006, ou seja, \u00e9 um corpo docente novo, que traz novas pautas e reivindica\u00e7\u00f5es, estrutura de trabalho e previd\u00eancia diferentes dos antigos, entre outras quest\u00f5es que precisam ser pensadas. \u00c9 nesse sentido que a Apub tem articulado e promovido espa\u00e7os, a exemplo do Grupo de Trabalho Direitos Humanos: g\u00eanero, ra\u00e7a\/etnia e sexualidades, entendendo que essa\u00a0tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de fortalecer a entidade para enfrentar os ataques contra a Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica. Para isso tudo, \u00e9 fundamental a participa\u00e7\u00e3o dos\/as docentes e a constru\u00e7\u00e3o conjunta das pol\u00edticas e pautas que orientar\u00e3o o Sindicato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atividade marcou o 1\u00ba encontro do Ciclo de debates preparat\u00f3rio para o XIII Encontro Nacional do Proifes-Federa\u00e7\u00e3o. O objetivo do ciclo \u00e9 discutir os temas do Encontro com os\/as docentes para que os\/as delegados\/os levem as s\u00ednteses e proposi\u00e7\u00f5es que representam as ideias da base do Sindicato. O segundo encontro, que discutir\u00e1 o tema da Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica, ser\u00e1 no dia 13 de julho, quinta-feira, no audit\u00f3rio 02 da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre colegas antigos e novos, o professor da Faculdade de economia da UFBA, Jos\u00e9 S\u00e9rgio Gabrielli deu uma verdadeira aula sobre as origens e o desenvolvimento da crise atual no Brasil, a convite da Apub Sindicato para falar sobre a conjuntura nacional e as perspectivas do movimento sindical. 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