{"id":25904,"date":"2018-11-20T15:39:53","date_gmt":"2018-11-20T15:39:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apub.org.br\/?p=25904"},"modified":"2018-11-20T15:39:56","modified_gmt":"2018-11-20T15:39:56","slug":"autonomia-universitaria-e-liberdade-de-catedra-sao-inerentes-a-democracia-afirmam-juristas-e-educadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/autonomia-universitaria-e-liberdade-de-catedra-sao-inerentes-a-democracia-afirmam-juristas-e-educadores\/","title":{"rendered":"Autonomia universit\u00e1ria e liberdade de c\u00e1tedra s\u00e3o inerentes \u00e0 democracia, afirmam juristas e educadores"},"content":{"rendered":"\n<p>Um consenso permeou o debate sobre autonomia universit\u00e1ria e liberdade de c\u00e1tedra realizado na \u00faltima quarta-feira, 14, no Centro Cultural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Juristas e educadores se reuniram para tra\u00e7ar cen\u00e1rios e perspectivas sobre o tema p\u00f3s elei\u00e7\u00e3o defendendo que a Constitui\u00e7\u00e3o Federal continue a ser o limite m\u00ednimo para a educa\u00e7\u00e3o nacional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.proifes.org.br\/dados\/editor\/image\/painel_rui_1542386523.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>O reitor Rui Vicente Oppermann coordenou o painel que inaugurou o ciclo Conjuntura Nacional na Perspectiva de Futuro,&nbsp;promovido pela universidade e pelo Instituto Latino-Americano de Estudos Avan\u00e7ados (ILEA), e se manifestou contr\u00e1rio a tentativas de restringir a atividade acad\u00eamica. Oppermann afirmou no evento que &#8220;a autonomia \u00e9 org\u00e2nica \u00e0 universidade. N\u00e3o vamos ficar em sil\u00eancio&#8221;, declarou. Segundo o reitor, a ideia dos pain\u00e9is (<a href=\"http:\/\/www.portaladverso.com.br\/noticia\/597\/ufrgs-promove-debates-sobre-cenarios-nacionais\">veja os pr\u00f3ximos temas<\/a>) \u00e9 debater cen\u00e1rios a partir da elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro. Este ciclo, explicou, &#8220;surge como uma possibilidade de aproveitarmos esse momento in\u00e9dito na hist\u00f3ria do Brasil, onde temos uma mudan\u00e7a de governo com uma mudan\u00e7a de campo pol\u00edtico, e debater o futuro&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pela primeira vez, democraticamente, os brasileiros elegem um presidente da extrema-direita alinhado a ideias conservadoras e autorit\u00e1rias que desafiam a educa\u00e7\u00e3o e colocam em xeque o papel do professor. Uma das principais bandeiras do presidente eleito, o Escola Sem Partido aponta &#8220;deveres&#8221; para os professores como n\u00e3o promover opini\u00f5es, concep\u00e7\u00f5es ou prefer\u00eancias ideol\u00f3gicas, religiosas, morais, pol\u00edticas e partid\u00e1rias e, pro\u00edbe express\u00f5es como &#8220;ideologia de g\u00eanero&#8221; em sala de aula. Com o slogan &#8220;Por uma lei contra o abuso da liberdade de ensinar&#8221;, o projeto tem gerado debates acalorados e tamb\u00e9m rea\u00e7\u00f5es da comunidade acad\u00eamica e de entidades, como a Advocacia Geral da Uni\u00e3o (AGU), o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) e o Supremo Tribunal Federal (STF), que mesmo antes das elei\u00e7\u00f5es declarou inconstitucionais a\u00e7\u00f5es policiais realizadas em universidades onde houve apreens\u00e3o de materiais, impedimento de aulas e eventos e intimida\u00e7\u00e3o de professores.<\/p>\n\n\n\n<p>Convidado para falar neste primeiro painel o procurador da Rep\u00fablica, Enrico Rodrigues de Freitas, do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, defendeu que a autonomia universit\u00e1ria \u00e9 uma express\u00e3o ligada \u00e0 ess\u00eancia do Estado Democr\u00e1tico de Direito e portanto &#8220;n\u00e3o existe democracia sem autonomia da universidade e n\u00e3o existe autonomia da universidade sem Estado Democr\u00e1tico de Direito&#8221;. Enrico acredita que o STF, da maneira como est\u00e1 constitu\u00eddo hoje, salvo uma ruptura institucional, deve declarar o Escola Sem Partido inconstitucional. A corte marcou para o pr\u00f3ximo dia 28 de novembro a aprecia\u00e7\u00e3o do projeto estadual da Lei da Morda\u00e7a implantado em Alagoas. A legisla\u00e7\u00e3o alagoana, denominada&nbsp;Lei Escola Livre, foi suspensa por decis\u00e3o liminar do relator do caso, ministro Lu\u00eds Roberto Barroso, em mar\u00e7o de 2017.&nbsp;Se o plen\u00e1rio do&nbsp;STF&nbsp;seguir o entendimento do relator, o julgamento poder\u00e1 servir de precedente contra a lei federal, caso o projeto Escola sem Partido seja aprovado no Congresso.<\/p>\n\n\n\n<p>Em&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/entrevistas-2\/2018\/11\/reitor-da-ufrgs-nos-eua-que-todo-mundo-gosta-o-financiamento-publico-da-pesquisa-e-pesado\/\">entrevista ao Portal Sul 21<\/a>, Oppermann declarou que a nova lei seria um retrocesso monumental, hist\u00f3rico para as universidades e para a educa\u00e7\u00e3o, opini\u00e3o corroborada pelo procurador Enrico que comparou as ideias do projeto aos debates da idade m\u00e9dia, quando a autonomia universit\u00e1ria era a pauta da greve dos estudantes da Universidade de Paris entre 1229 e 1231. Foi ap\u00f3s essa greve, que o Papa Greg\u00f3rio IX outorgou \u00e0 universidade novos estatutos por meio da bula papal Parens Scientiarum, e come\u00e7ou a se aplicar o conceito de autonomia universit\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Enrico \u00e9 o procurador que arquivou a representa\u00e7\u00e3o contra o curso O golpe de 2016 e a nova onda conservadora do Brasil, promovido pela UFRGS, e<a href=\"http:\/\/www.portaladverso.com.br\/noticia\/601\/procuradoria-federal-promove-acao-nacional-para-garantir-liberdade-de-ensinar-e-aprender\">&nbsp;recomendou a institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e superior que garantam a liberdade de ensinar e aprender<\/a>. Segundo Enrico, os questionamentos jur\u00eddicos sobre os &#8220;limites&#8221; da autonomia da universidade sempre estiveram ligados \u00e0 quest\u00e3o administrativa e financeira, os questionamentos &#8220;morais&#8221; come\u00e7aram h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos, atrelados ao Escola sem Partido, o que abriu espa\u00e7o para ass\u00e9dio moral, censura e at\u00e9 autocensura por parte de professores. Nesse sentido,&nbsp;o procurador-geral da UFRGS, Saulo de Queiroz, afirmou que a Constitui\u00e7\u00e3o \u00e9 um marco indispens\u00e1vel, &#8220;um ponto inicial que deve ser o limite m\u00ednimo do que devemos considerar como autonomia universit\u00e1ria&#8221;.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O professor aposentado da Faculdade de Direito da UFRGS, Manoel Andr\u00e9 da Rocha, falou no evento que a universidade levou muitos anos para ter sua autonomia constitucionalizada, mas &#8220;n\u00e3o podemos nos entregar \u00e0 euforia dos resultados obtidos sem pensar que o futuro ainda n\u00e3o veio&#8221;. O professor questiona a interpreta\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o feita pelo projeto Escola sem Partido. Para ele, a Constitui\u00e7\u00e3o deve ser lida sempre no sentido da liberdade e da garantia dos direitos fundamentais. &#8220;Deve transformar a universidade em um territ\u00f3rio livre, imune de press\u00f5es. Os textos constitucionais, quando aplicados, devem ter uma vis\u00e3o amplificadora, nunca limitadora&#8221;, disse. Para Andr\u00e9 da Rocha, o STF \u00e9 o guardi\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o, mas os direitos previstos nela devem ser incorporados no dia a dia dos cidad\u00e3os. &#8220;\u00c9 necess\u00e1ria, uma vigil\u00e2ncia permanente para que a Constitui\u00e7\u00e3o se cumpra&#8221;, disse.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.proifes.org.br\/dados\/editor\/image\/celi_e_luce_1542386742.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s as falas dos painelistas, as professoras Maria Beatriz Luce, da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, e C\u00e9li Pinto, do Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas, ativadoras do debate, encerraram o debate. Luce destacou que &#8220;o desabafo para este momento \u00e9 estarmos juntos e articular ideias para que as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es tenham educa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e possam viver a universidade na plenitude do que ela pode ser\u201d. A professora C\u00e9li Pinto foi contundente ao afirmar &#8220;que antes de qualquer coisa, temos que lutar para manter a democracia&#8221;. A professora disse n\u00e3o ter otimismo diante de sinais amea\u00e7adores de ruptura democr\u00e1tica &#8220;a universidade n\u00e3o tem como se proteger em momentos antidemocr\u00e1ticos. Se n\u00e3o houver democracia extramuros, n\u00e3o haver\u00e1 universidade aut\u00f4noma e livre\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.proifes.org.br\/dados\/editor\/image\/painel_capa_1542385820.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3ximo evento do ciclo, sobre Cen\u00e1rio Econ\u00f4mico, ser\u00e1 no pr\u00f3ximo dia 21 de novembro (quarta-feira) \u00e0s 18h no Centro Cultural da UFRGS.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Texto e fotos: Manoela Frade \/ ASCOM ADUFRGS-Sindical<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um consenso permeou o debate sobre autonomia universit\u00e1ria e liberdade de c\u00e1tedra realizado na \u00faltima quarta-feira, 14, no Centro Cultural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 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