{"id":26171,"date":"2018-12-18T14:31:34","date_gmt":"2018-12-18T14:31:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.apub.org.br\/?p=26171"},"modified":"2018-12-18T14:49:27","modified_gmt":"2018-12-18T14:49:27","slug":"populacoes-migrantes-nao-sao-ameaca-a-saude-afirma-estudo-internacional-que-sera-lancado-na-ufba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/populacoes-migrantes-nao-sao-ameaca-a-saude-afirma-estudo-internacional-que-sera-lancado-na-ufba\/","title":{"rendered":"Popula\u00e7\u00f5es migrantes n\u00e3o s\u00e3o amea\u00e7a \u00e0 sa\u00fade, afirma estudo internacional que ser\u00e1 lan\u00e7ado na UFBA"},"content":{"rendered":"\n<p>N\u00e3o h\u00e1 qualquer evid\u00eancia cient\u00edfica de que popula\u00e7\u00f5es migrantes afetem negativamente a sa\u00fade e a economia das regi\u00f5es para as quais se deslocam. Pelo contr\u00e1rio: de maneira global, os migrantes contribuem para o desenvolvimento econ\u00f4mico tanto dos lugares onde se instalam, quanto de seus locais de origem. E, diferentemente do que pregam os discursos pol\u00edticos neopopulistas reacion\u00e1rios, custa bem menos investir em pol\u00edticas p\u00fablicas que priorizem inclus\u00e3o social e acesso aos sistemas de sa\u00fade locais do que gastar com a\u00e7\u00f5es que dificultam o acesso dessas popula\u00e7\u00f5es ao territ\u00f3rio e \u00e0 assist\u00eancia m\u00e9dica das sociedades onde desejam se estabelecer.Essas s\u00e3o, em linhas gerais, as conclus\u00f5es de<a href=\"http:\/\/www.thelancet-press.com\/embargo\/migration.pdf\">&nbsp;um importante relat\u00f3rio<\/a>&nbsp;sobre os nexos entre migra\u00e7\u00f5es e sa\u00fade p\u00fablica, que um grupo liderado por 20 pesquisadores de 13 pa\u00edses lan\u00e7a oficialmente neste s\u00e1bado, 8 de dezembro, na Confer\u00eancia Intergovernamental da ONU para adotar o \u201cPacto Global para uma migra\u00e7\u00e3o segura, ordenada e regular\u201d, em Marraquexe (Marrocos). Liderada pelo University College de Londres e pelo prestigioso peri\u00f3dico cient\u00edfico da \u00e1rea de sa\u00fade \u201cThe Lancet\u201d, a Comiss\u00e3o UCL-Lancet conta com a participa\u00e7\u00e3o de um \u00fanico pesquisador brasileiro,&nbsp;o professor aposentado da UFBA Maur\u00edcio Barreto, coordenador do Centro de Integra\u00e7\u00e3o de Dados e Conhecimentos para Sa\u00fade (Cidacs\/Fiocruz Bahia).Barreto ir\u00e1 conduzir, no dia 17 de dezembro (segunda-feira), \u00e0s 17h, na Reitoria da UFBA, o evento de lan\u00e7amento do relat\u00f3rio no Brasil, que ter\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o do reitor Jo\u00e3o Carlos Salles, do presidente da Academia de Ci\u00eancias da Bahia (ACB), Jailson Andrade, da assessora de comunica\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da UFBA, Mariluce Moura, e das pesquisadoras do Cidacs J\u00falia Pescarini e Dandara Ramos.O relat\u00f3rio aponta que 1 bilh\u00e3o de pessoas migraram, em todo o mundo, somente no ano de 2018. Ao contr\u00e1rio do que afirmam os populismos contempor\u00e2neos ancorados em preconceitos de todo tipo, em especial na xenofobia e no racismo, os pesquisadores mostram que os migrantes ajudam a economia a florescer, e a renda, a se distribuir. A cada aumento de 1% em migrantes na popula\u00e7\u00e3o adulta, aumenta o produto interno bruto por pessoa em at\u00e9 2%, e estima-se que US$ 613 bilh\u00f5es foram enviados por migrantes para suas fam\u00edlias de origem em 2017, sendo que 75% destas remessas foram para pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda.Segundo o relat\u00f3rio, a maior parte da popula\u00e7\u00e3o migrante tende a ser composta por trabalhadores e estudantes que contribuem para a economia pagando impostos ou custeando seus pr\u00f3prios estudos. Apenas uma pequena parte do total de migrantes \u00e9 composta por refugiados.No caso espec\u00edfico dos refugiados, o relat\u00f3rio faz cair por terra a cren\u00e7a preconceituosa de que eles representam, necessariamente, uma amea\u00e7a sanit\u00e1ria ao pa\u00eds de acolhimento. O estudo utilizou estimativas de mortalidade em mais de 15,2 milh\u00f5es migrantes de 92 pa\u00edses e constatou que os migrantes internacionais apresentaram menores taxas de morte por doen\u00e7as cardiovasculares, digestivas, end\u00f3crinas, neoplasias, nervosas e respirat\u00f3rias, mentais e dist\u00farbios comportamentais e les\u00f5es do que a popula\u00e7\u00e3o geral do pa\u00eds de acolhimento. As \u00fanicas duas exce\u00e7\u00f5es foram para infec\u00e7\u00f5es como hepatite viral, tuberculose e HIV, e tamb\u00e9m causas externas, como agress\u00e3o, onde as taxas de mortalidade aumentam entre os migrantes \u2013 em parte, fruto de m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es da jornada migrat\u00f3ria, e, posteriormente, das m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de acolhimento. Ademais, observou-se que a tend\u00eancia \u00e9 de que o risco de transmiss\u00e3o de infec\u00e7\u00f5es tende a ser elevado apenas no interior da pr\u00f3pria comunidade migrante, n\u00e3o atingindo, de maneira substancial, a popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 estabelecida.A migra\u00e7\u00e3o passa a se tornar um problema, segundo o estudo, na medida em que Estados nacionais adotam como pol\u00edtica oficial o fechamento de fronteiras e o acesso a servi\u00e7os universais, como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia jur\u00eddica \u00e0s popula\u00e7\u00f5es migrantes. Segundo o relat\u00f3rio, muitas vezes, \u00e9 o medo da deporta\u00e7\u00e3o o que leva migrantes a n\u00e3o buscar cuidados de sa\u00fade ou assist\u00eancia quando necess\u00e1rio, dificultando a sa\u00fade individual e p\u00fablica. Os autores avaliam que, na pr\u00e1tica, os regimes de aplica\u00e7\u00e3o da sa\u00fade podem pressionar os trabalhadores da sa\u00fade a atuar como agentes de controle da imigra\u00e7\u00e3o.Propositivo, o estudo exorta a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) e os governos nacionais a nomear oficialmente observadores de quest\u00f5es relacionadas a migra\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, defende o acesso universal e equitativo aos servi\u00e7os de sa\u00fade \u00e0s popula\u00e7\u00f5es migrantes, e afirma a necessidade de adotar pol\u00edtica de toler\u00e2ncia zero ao racismo e outros preconceitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.edgardigital.ufba.br\/?p=10808\">Edgardigital-UFBA<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><em>Cr\u00e9dito da Imagem:&nbsp;<a href=\"https:\/\/pontosdevista.pt\/2016\/11\/30\/refugiados-sim-imigrantes-nao-escolha-dos-portugueses\/\">Revista Ponto de Vista<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Acesso o relat\u00f3rio&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.thelancet-press.com\/embargo\/migration.pdf\">aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o h\u00e1 qualquer evid\u00eancia cient\u00edfica de que popula\u00e7\u00f5es migrantes afetem negativamente a sa\u00fade e a economia das regi\u00f5es para as quais se deslocam. 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