{"id":29849,"date":"2019-09-16T20:50:46","date_gmt":"2019-09-16T20:50:46","guid":{"rendered":"http:\/\/apub.org.br\/?p=29849"},"modified":"2019-09-16T20:51:18","modified_gmt":"2019-09-16T20:51:18","slug":"jornalista-leandro-demori-e-o-procurador-wilson-rocha-dissertam-acerca-do-papel-da-midia-na-guerra-juridica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/jornalista-leandro-demori-e-o-procurador-wilson-rocha-dissertam-acerca-do-papel-da-midia-na-guerra-juridica\/","title":{"rendered":"Jornalista Leandro Demori e o procurador Wilson Rocha dissertam acerca do papel da m\u00eddia na guerra jur\u00eddica"},"content":{"rendered":"\n<p>Dando continuidade ao <a href=\"http:\/\/www.apub.org.br\/?p=29845\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Painel de Debate  Sobre o Lawfar (abre em uma nova aba)\">Painel de Debate  Sobre o Lawfar<\/a>e, realizado pelo ADUFG-Sindicato e pela Faculdade de  Direito (FD) no Centro de Eventos e Cultura Professor Ricardo Freua  Buf\u00e1i\u00e7al, no Campus Samambaia, o primeiro painel do dia 12  (quinta-feira) teve como tem\u00e1tica \u201cTribunal de exce\u00e7\u00e3o e m\u00eddia opressiva  para interferir em julgamento de processos penais\u201d. Participaram da  mesa a diretora da Faculdade de Direito, professora Bartira Macedo  Miranda, o deputado estadual Virmondes Cruvinel Filho, o  editor-executivo do site The Intercept Brasil, Leandro Demori, e o  procurador da Rep\u00fablica em Goi\u00e1s, Wilson Rocha Fernandes Assis.<\/p>\n\n\n\n<p>Rocha come\u00e7ou dizendo sobre como este \u00e9 \num tema espinhoso, j\u00e1 que envolve o Minist\u00e9rio P\u00fablico e colegas \nprocuradores que t\u00eam a ver com \u201co refluxo democr\u00e1tico que o Pa\u00eds vive, \nna minha opini\u00e3o, at\u00e9 certo ponto com responsabilidade do Minist\u00e9rio \nP\u00fablico Federal\u201d. Em sua fala, e tamb\u00e9m na de Demori, o papel da \nimprensa no lawfare foi o principal tema abordado. Rocha destacou que \u00e9 \nmuito perigoso o que ele chama de \u201ccasamento ileg\u00edtimo\u201d que ocorre entre\n as for\u00e7as policiais e os ve\u00edculos de imprensa. \u201cAs duas institui\u00e7\u00f5es se\n corrompem, tanto a justi\u00e7a quanto o jornalismo, podendo destruir a vida\n de pessoas selecionadas e historicamente sobram epis\u00f3dios de lawfare\u201d, \ndisse.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPobres, mulheres, loucos. Estes \nconhecem e vivem o lawfare cotidianamente h\u00e1 s\u00e9culos. Precisamos partir \ndesta cr\u00edtica estrutural do Direito. O Direito em alguma medida foram \ninstrumentalizadas para lograr fins pol\u00edticos\u201d, disse, \u201ca novidade \u00e9 que\n isto chega a um n\u00edvel em que as institui\u00e7\u00f5es m\u00e1ximas do Pa\u00eds e o maior \npartido pol\u00edtico se tornem alvo dessa guerra jur\u00eddica e n\u00e3o \u00e9 novidade \nque agentes da justi\u00e7a se unam \u00e0 jornalistas para atingir estas \nfinalidades pol\u00edticas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssas alian\u00e7as s\u00e3o capazes de viciar \nvontades e a vis\u00e3o dos respons\u00e1veis por emitir um ju\u00edzo que devia ser \nneutro\u201d, disse, comentando como isto \u00e9 evidente na Lava-Jato \u201cuma \nrela\u00e7\u00e3o problem\u00e1tica entre atores da justi\u00e7a e parte da m\u00eddia criou \ncondi\u00e7\u00f5es que desfavoreciam um julgamento isento. Qualquer decis\u00e3o que \ncontrariasse uma corrente dominante gerava rea\u00e7\u00f5es violentas, inclusive \nmanifesta\u00e7\u00f5es de ruas violentas, e os pr\u00f3prios agentes de justi\u00e7a, est\u00e1 \na\u00ed no Intercept como se fomentavam essas rea\u00e7\u00f5es e constru\u00edam condi\u00e7\u00f5es \nsociais para que a decis\u00e3o caminhasse em um sentido ou outro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele disse que tais caracter\u00edsticas de \nfato determinam um tribunal de exce\u00e7\u00e3o. \u201cEssas alian\u00e7as refletem uma \ntentativa de transformar o Direito em um discurso performativo, que cria\n a sua pr\u00f3pria verifica\u00e7\u00e3o, que chama \u00e0 exist\u00eancia aquilo que ele \nanuncia\u201d, disse, \u201cquando um membro do Minist\u00e9rio P\u00fablico ou um policial \ncome\u00e7a a plantar na imprensa diversas not\u00edcias e informa\u00e7\u00f5es que \ncorroboram a hip\u00f3tese investigativa dele, ele est\u00e1 criando a realidade \nque ele pretende denunciar. Voc\u00ea vai construindo no imagin\u00e1rio social \numa realidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Rocha encerrou sua fala abordando o \nDireito Penal. \u201cO processo penal n\u00e3o \u00e9 para ser um instrumento de \npuni\u00e7\u00e3o, mas o que a pr\u00e1tica do sistema penal mostra n\u00e3o \u00e9 bem isso. At\u00e9\n certo ponto ele \u00e9 s\u00f3 puni\u00e7\u00e3o. E at\u00e9 qual ponto as liberdades \nindividuais podem ser constrangidas sem amea\u00e7ar a pr\u00f3pria democracia? \nTemos mais democracia quando temos mais ou menos Direito Penal?\u201d, \nquestionou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs pessoas querem vingan\u00e7a, elas n\u00e3o querem justi\u00e7a\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.proifes.org.br\/dados\/editor\/image\/gal0017827.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Leandro Demori ressaltou algumas \npassagens abusivas da Lava-Jato reveladas pela Vaza Jato, como uma \ndela\u00e7\u00e3o de Ant\u00f4nio Palocci que foi recusada por ser \u201cfraca demais\u201d e do \ndi\u00e1logo em que S\u00e9rgio Moro fala sobre \u201cquebrar a omert\u00e0 petista\u201d, que \u00e9 \num termo da M\u00e1fia italiana. \u201cA inten\u00e7\u00e3o de S\u00e9rgio Moro claramente \u00e9 \nrachar um partido que tinha a possibilidade de ganhar as elei\u00e7\u00f5es e \nobviamente fortalecer o outro partido\u201d, disse, \u201c\u00e9 fazer campanha para \nJair Bolsonaro sem tirar nem p\u00f4r, isto est\u00e1 evidente no discurso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele argumentou que a Lava-Jato na \nverdade usou t\u00e1ticas mafiosas para pressionar os delatores, corrompendo o\n pr\u00f3prio sistema de dela\u00e7\u00e3o, que deveria ser volunt\u00e1rio, mencionando \noutro caso revelado pelo The Intercept Brasil de que eles amea\u00e7aram \nprender a filha de um investigado para obrig\u00e1-lo a falar. \u201cMe causa \nassombro que estas pessoas n\u00e3o estejam sendo devidamente investigadas e \nque ainda estejam em seus cargos\u201d, ele disse em rela\u00e7\u00e3o aos procuradores\n da Lava-Jato.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele refor\u00e7ou uma das \u00faltimas mat\u00e9rias \npublicadas: \u201cno \u00faltimo domingo publicamos junto com a Folha de S\u00e3o Paulo\n um trecho da conversa que revela que foram gravadas 22 conversas do \nex-presidente Lula na \u00e9poca do vazamento daquele \u00e1udio do Bessias, uma \ndelas com o ex-presidente Temer. Confirmamos isto com o Temer. Ele n\u00e3o \nsabia que havia sido grampeado, ele confirmou a conversa com o Lula \nnaquele tempo. 21 grampos at\u00e9 hoje n\u00e3o foram trazidos \u00e0 tona, apenas um \ngrampo que fez a constru\u00e7\u00e3o da narrativa de que o presidente Lula \naceitaria ser ministro da Dilma para se proteger judicialmente. Isso \u00e9 \nconstru\u00e7\u00e3o de guerra jur\u00eddica. Os outros 21 \u00e1udios, tivemos acesso \u00e0s \nconversas dos agentes sobre eles, mostram que na verdade o principal \nobjetivo do ex-presidente Lula era acabar com a crise pol\u00edtica e fazer o\n governo Dilma chegar at\u00e9 o final, inclusive falando com o Michel Temer e\n outros emedebistas para evitar que cheg\u00e1ssemos onde estamos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo Brasil n\u00f3s temos uma confian\u00e7a cega \nnas institui\u00e7\u00f5es, muitas vezes pelo jornalismo\u201d, disse. Ele relembrou o \ncaso da Escola Base, um esc\u00e2ndalo de destrui\u00e7\u00e3o de reputa\u00e7\u00e3o ocorrido \nnos anos 1990 que \u00e9 ensinado nas faculdades de jornalismo como caso \nbasilar do que n\u00e3o fazer. Den\u00fancias falsas de abuso sexual levaram ao \napedrejamento da escola e da casa dos seus donos. Para ilustrar, ele leu\n manchetes reais da \u00e9poca: \u201c\u2018Kombi era motel na escolinha do sexo\u2019. \nEnt\u00e3o no meio da investiga\u00e7\u00e3o a imprensa criou um r\u00f3tulo e este casal \nfoi destru\u00eddo e no fim das contas se descobriu que eles eram \ncompletamente inocentes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cExiste na imprensa brasileira uma \ntradi\u00e7\u00e3o de cobertura policial muito forte at\u00e9 os anos 1980. As p\u00e1ginas \npoliciais eram muito maiores do que as pol\u00edticas. H\u00e1, portanto, a \ntradi\u00e7\u00e3o da imprensa brasileira de cobrir a partir dos poderes \nconstitu\u00eddos e a\u00ed obviamente voc\u00ea j\u00e1 tra\u00e7a a narrativa atrav\u00e9s dessa \nescolha\u201d, explica. Essa l\u00f3gica \u00e9 reproduzida at\u00e9 hoje, inclusive com a \nLava-Jato, em escala maior: \u201cent\u00e3o voc\u00ea sempre vai ouvir o policial, o \njuiz, o procurador, e construir a partir deles tendo, em um segundo \nmomento, o bandido, o vagabundo, o meliante, termos muito usados nos \njornais brasileiros at\u00e9 os anos 1980\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele atribui parte da penetra\u00e7\u00e3o da \nLava-Jato nas reda\u00e7\u00f5es com o timing da crise editorial dos grandes \nve\u00edculos, especialmente impressos. \u201cPassavam por demiss\u00f5es em massa, as \nmarcas de margarina e xampu n\u00e3o queriam mais anunciar nesses ve\u00edculos. \u00c9\n muito caro fazer jornalismo de qualidade, especialmente jornalismo \ninvestigativo. De repente, a Lava-Jato oferece cinco anos de manchetes \nbomb\u00e1sticas gr\u00e1tis\u201d, critica. \u201cOs procuradores souberam operar isto \nmuito bem. No acervo de chats, a preocupa\u00e7\u00e3o deles com a imprensa, com \nqualquer cr\u00edtica que recebem, com sua imagem, \u00e9 extrema\u201d, salienta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuem coloca uma cr\u00edtica contra a \nLava-Jato \u00e9 automaticamente a favor da corrup\u00e7\u00e3o. No lavajatismo, s\u00f3 \neles s\u00e3o contra a corrup\u00e7\u00e3o, todo o resto \u00e9 a favor. Se voc\u00ea critica, \nvoc\u00ea \u00e9 corrupto, ou est\u00e1 defendendo corrupto ou quer tirar corrupto da \ncadeia\u201d, explana, assim como o excelente uso das palavras, \u201c \u2018combate \u00e0 \ncorrup\u00e7\u00e3o\u2019 \u00e9 um termo muito bom, porque se voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 a favor, \nnaturalmente voc\u00ea \u00e9 contra. Isso \u00e9 um uso da comunica\u00e7\u00e3o muito simples \npara a popula\u00e7\u00e3o que \u00e9 vendida e comprada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o jornalista, estas fal\u00e1cias \nencontram ader\u00eancia junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o porque \u201cno atual estado de coisas \nno Brasil, as pessoas querem vingan\u00e7a, elas n\u00e3o querem justi\u00e7a. Por \nisso, a Lava-Jato \u00e9 t\u00e3o forte: ela \u00e9 um sistema de vingan\u00e7a, porque \npromove eventualmente justi\u00e7a, mas no caminho desrespeita leis e comete \nv\u00e1rias injusti\u00e7as\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.proifes.org.br\/dados\/editor\/image\/gal0017830.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Fonte: Ascom ADUFG-Sindicato<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dando continuidade ao Painel de Debate Sobre o Lawfare, realizado pelo ADUFG-Sindicato e pela Faculdade de Direito (FD) no Centro de Eventos e Cultura Professor Ricardo Freua Buf\u00e1i\u00e7al, no Campus Samambaia, o primeiro painel do dia 12 (quinta-feira) teve como tem\u00e1tica \u201cTribunal de exce\u00e7\u00e3o e m\u00eddia opressiva para interferir em julgamento de processos penais\u201d. 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