{"id":32820,"date":"2021-01-11T19:07:22","date_gmt":"2021-01-11T19:07:22","guid":{"rendered":"http:\/\/apub.org.br\/?p=32820"},"modified":"2021-01-11T19:07:24","modified_gmt":"2021-01-11T19:07:24","slug":"recorte-racial-ainda-e-desafio-para-docentes-ingressarem-na-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/recorte-racial-ainda-e-desafio-para-docentes-ingressarem-na-pesquisa\/","title":{"rendered":"Recorte racial ainda \u00e9 desafio para docentes ingressarem na pesquisa"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Dados cedidos pela pr\u00f3pria Universidade Federal de Goi\u00e1s, Jata\u00ed e Catal\u00e3o revelam a ci\u00eancia ainda \u00e9 praticada por professores majoritariamente brancos<\/em><br><\/p>\n\n\n\n<p>Juntas, as universidades federais de Goi\u00e1s, Jata\u00ed e Catal\u00e3o (UFG, UFJ e UFCAT) possuem 2.994 docentes ativos, sendo somente 74 autodeclarados pretos (2,47%) e 379 pardos (12,65%). Al\u00e9m disso, a representatividade desse grupo na ci\u00eancia \u00e9 ainda menor. Os dados s\u00e3o referentes ao Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior divulgado no ano passado e apontam que, dos 2.392 professores envolvidos com projetos de pesquisa, apenas 2,51% s\u00e3o negros. Embora este cen\u00e1rio esteja mudando, em fun\u00e7\u00e3o do crescimento no n\u00famero de estudantes pretos nas institui\u00e7\u00f5es federais por meio da Lei de Cotas, a realidade \u00e9 muito evidente: a popula\u00e7\u00e3o negra ainda \u00e9 restrita ao universo acad\u00eamico, sobretudo quando se trata de ci\u00eancia.<br><br>Secret\u00e1ria Executiva da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Pesquisadores Negros (ABPN), docente da UFG e coordenadora do Laborat\u00f3rio de Pesquisas em Educa\u00e7\u00e3o Qu\u00edmica e Inclus\u00e3o, Anna Maria Canavarro Benite explica que, desde o ensino b\u00e1sico, a ci\u00eancia \u00e9 ensinada e produzida dentro das institui\u00e7\u00f5es escolares de forma universal. Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 envolvimento ou iniciativas de inclus\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra. \u201cUma ci\u00eancia produzida a partir de um lugar \u00fanico, feita por um sujeito universal para a popula\u00e7\u00e3o universal, proporciona respostas pouco robustas. Somos a maioria autodeclarada negra nesse Pa\u00eds, \u00e9 fundamental que nos envolvam nesse processo. E n\u00e3o estou afirmando que pesquisadores negros v\u00e3o pesquisar apenas negritude. N\u00e3o! N\u00f3s pesquisamos sobre todos os assuntos\u201d, argumenta a docente que \u00e9 mestre e doutora em Ci\u00eancias pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<br><br>De acordo com Anna, a pr\u00f3pria expans\u00e3o do Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestrutura\u00e7\u00e3o e Expans\u00e3o das Universidades Federais) pode ser considerada uma A\u00e7\u00e3o Afirmativa. Isso porqu\u00ea a iniciativa ampliou e proporcionou a abertura de novos cursos e, consequentemente, o n\u00famero de vagas para servidores e docentes. \u201cTem muita gente, incluindo professores, que entraram na universidade por meio da pol\u00edtica de reservas e que s\u00e3o contra as A\u00e7\u00f5es Afirmativas. Isso porque essas pessoas acreditam em meritocracia, o que \u00e9 uma fal\u00e1cia. N\u00f3s n\u00e3o somos de verdade sujeitos de direitos, \u00e9 o Estado quem decide quem tem direitos. E o Estado brasileiro sufoca e produz aus\u00eancias quando n\u00e3o quer falar sobre o nosso maior problema: que somos uma na\u00e7\u00e3o racista. O machismo e o patriarcalismo s\u00e3o reprodu\u00e7\u00f5es do racismo, o primeiro recorte \u00e9 o racial.\u201d<br><br><strong>Inclus\u00e3o<\/strong><br>Recentemente a UFG passou a reservar 20% das vagas para quilombolas e ind\u00edgenas tamb\u00e9m na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, o que garante participa\u00e7\u00e3o e envolvimento desse grupo em pesquisas. Anna conta que a ABPN tamb\u00e9m possui um programa de bolsa de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no ensino m\u00e9dio com recorte racial, enfatizando que a inclus\u00e3o deve se iniciar ainda no ensino b\u00e1sico. Al\u00e9m dessas a\u00e7\u00f5es, Anna fundou em 2015 o projeto \u2018Investiga Menina\u2019. Com o intuito de incentivar meninas pretas a optarem por carreiras na \u00e1rea de exatas e ci\u00eancia, a iniciativa promove a\u00e7\u00f5es coletivas para o benef\u00edcio da comunidade escolar, proporcionando experi\u00eancias que levam a contribui\u00e7\u00e3o das mulheres para a cria\u00e7\u00e3o de recursos cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos.<br><br>O projeto vai de encontro a outro dado preocupante. De acordo com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) de todos os cientistas que realizam pesquisas voltadas \u00e0s \u00e1reas exatas, as mulheres negras representam apenas 5,5% desse montante. Atualmente, o \u2018Incentiva Menina\u2019 tem sido desenvolvido com a colabora\u00e7\u00e3o de uma escola p\u00fablica localizada no Setor Vera Cruz, bairro perif\u00e9rico de Goi\u00e2nia. \u201cPara proporcionar mais acesso \u00e0 ci\u00eancia, \u00e9 preciso que as universidades extrapolem os espa\u00e7os acad\u00eamicos. E eu fa\u00e7o essa cr\u00edtica como docente.\u201d, conta.<br><br><strong>UFG<\/strong><br>Para o reitor da universidade e presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Dirigentes de Institui\u00e7\u00f5es Federais de Ensino Superior, Edward Madureira Brasil, essa desigualdade \u00e9 fruto de um processo hist\u00f3rico que deve ser enfrentado com medidas concretas para que cada vez mais a institui\u00e7\u00e3o, em todos seus n\u00edveis, espelhe a diversidade de cor e\/ou ra\u00e7a da sociedade brasileira. Ele conta que em 2018, um grupo de integrantes de Coletivos Acad\u00eamicos e de N\u00facleos de Ensino, Pesquisa e Extens\u00e3o da UFG, vinculados a tem\u00e1ticas relativas \u00e0 equidade racial, direitos humanos e a\u00e7\u00f5es afirmativas, apresentou \u00e0 Universidade um documento que pedia a revis\u00e3o da forma que a UFG atendia a Lei 12990\/2014, que trata da reserva de vagas em concursos p\u00fablicos. \u201cA gest\u00e3o da UFG avaliou as diferentes possibilidades e caminhos experimentados no Brasil e estabeleceu uma nova metodologia para a aplica\u00e7\u00e3o da reserva de vagas para docentes negros.<br><br>A partir de ent\u00e3o, a cada cinco vagas, a primeira ser\u00e1 reservada aos candidatos que se autodeclararem negros e os concursos realizados desde ent\u00e3o j\u00e1 atendem essa nova metodologia que coloca a universidade entre as IFES mais efetivas no cumprimento da Lei de cotas no Brasil.\u201d\u201cA gest\u00e3o da UFG avaliou as diferentes possibilidades e caminhos experimentados no Brasil e estabeleceu uma nova metodologia para a aplica\u00e7\u00e3o da reserva de vagas para docentes negros. A partir de ent\u00e3o, a cada cinco vagas, a primeira ser\u00e1 reservada aos candidatos que se autodeclararem negros e os concursos realizados desde ent\u00e3o j\u00e1 atendem essa nova metodologia que coloca a universidade entre as IFES mais efetivas no cumprimento da Lei de cotas no Brasil.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fonte: Ascom ADUFG-Sindicato<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados cedidos pela pr\u00f3pria Universidade Federal de Goi\u00e1s, Jata\u00ed e Catal\u00e3o revelam a ci\u00eancia ainda \u00e9 praticada por professores majoritariamente brancos Juntas, as universidades federais de Goi\u00e1s, Jata\u00ed e Catal\u00e3o (UFG, UFJ e UFCAT) possuem 2.994 docentes ativos, sendo somente 74 autodeclarados pretos (2,47%) e 379 pardos (12,65%). 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