{"id":33557,"date":"2021-04-27T14:39:13","date_gmt":"2021-04-27T14:39:13","guid":{"rendered":"http:\/\/apub.org.br\/?p=33557"},"modified":"2021-04-27T14:54:33","modified_gmt":"2021-04-27T14:54:33","slug":"jornal-da-apub-l-primeira-pesquisa-da-apub-sobre-perfil-docente-aponta-mudancas-geracionais-e-principais-pautas-da-categoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/jornal-da-apub-l-primeira-pesquisa-da-apub-sobre-perfil-docente-aponta-mudancas-geracionais-e-principais-pautas-da-categoria\/","title":{"rendered":"Jornal da Apub l Primeira pesquisa da Apub sobre perfil docente aponta mudan\u00e7as geracionais e principais pautas da categoria"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-normal-font-size\">A compreens\u00e3o dos interesses e demandas da categoria \u00e9 imprescind\u00edvel para uma atua\u00e7\u00e3o mais precisa e qualificada de qualquer sindicato e foi com esse intuito que a Apub realizou a P<a href=\"http:\/\/apub.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/RELATORIO-FINAL-PRIMEIRA-PESQUISA-SOBRE-DOCENTES-DAS-UNIVERSIDADES-BAIANAS.pdf\">esquisa Perfil Docentes das Universidades Federais Baianas<\/a>, entre junho e setembro de 2020, abrangendo aspectos socioecon\u00f4micos, da carreira, condi\u00e7\u00f5es de trabalho e participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. A elabora\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio final com an\u00e1lise e cruzamentos dos dados contou com o trabalho do professor Gilberto Pereira Sassi, do Instituto de Matem\u00e1tica e Estat\u00edstica da UFBA, junto ao grupo de Extens\u00e3o \u201cConsultoria Estat\u00edstica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:17px\">O question\u00e1rio online aplicou-se \u00e0s professoras e professores \u2013 filiados ou n\u00e3o, aposentados e ativos, efetivos e substitutos \u2013 da UFBA (exceto docentes do EBTT), UFOB, UFRB, UFSB, UNIVASF e UNILAB. Dos 1.074 docentes, a maioria (60%) s\u00e3o pessoas do g\u00eanero feminino, sendo 39% masculino e apenas duas pessoas declararam-se como n\u00e3o bin\u00e1rios. Esses dados de participa\u00e7\u00e3o dialogam com o maior engajamento das mulheres nas atividades sindicais, percebido no cotidiano da Apub, inclusive na pr\u00f3pria gest\u00e3o, mas tamb\u00e9m dizem respeito ao aumento de mulheres na carreira docente do ensino superior. Elas s\u00e3o 51,8% do corpo docente nas universidades baianas e a m\u00e9dia nacional \u00e9 de 46,8%, segundo dados da pesquisa \u201cEstat\u00edsticas de G\u00eanero: Indicadores Sociais das Mulheres no Brasil\u201d de 2019, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><strong>Ra\u00e7a e classe<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ra\u00e7a e etnia, a pesquisa, em termos amostrais, confirma a dessincroniza\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o racial de docentes nas universidades federais baianas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o do estado. <em>A Bahia tem quase 80% de sua popula\u00e7\u00e3o autodeclarada preta ou parda, e aproximadamente 20% da popula\u00e7\u00e3o branca, no entanto, cerca de 50% dos docentes declararam-se brancos contra 36% de pardos e 11,7% de pretos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Esses n\u00fameros n\u00e3o surpreendem, considerando a hist\u00f3rica exclus\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o empobrecida, negra (preta e parda) e ind\u00edgena do acesso ao ensino superior, impossibilitando a forma\u00e7\u00e3o para doc\u00eancia. N\u00e3o por acaso, 60% dos pais e m\u00e3es dos respondentes do question\u00e1rio, t\u00eam, pelo menos, ensino m\u00e9dio completo, e 38% dos participantes s\u00e3o oriundos exclusivamente de escolas privadas e 26% estudaram nestas institui\u00e7\u00f5es em algum momento da vida escolar. Apesar disso, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ignorar os avan\u00e7os promovidos pelas pol\u00edticas afirmativas, principalmente a partir da implementa\u00e7\u00e3o da Lei 12.711 de 2012 que fixou a pol\u00edtica de cotas nas universidades federais para a gradua\u00e7\u00e3o e, mais timidamente, a aprova\u00e7\u00e3o de cotas nos programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es. Segundo o Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior de 2019, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (INEP), a quantidade de estudantes negros no ensino superior cresceu 75% entre 2014 e 2018, e a parcela de docentes pretos ou pardos apenas 8%. Ou seja, a luta pela Universidade p\u00fablica, gratuita e democr\u00e1tica passa, necessariamente, pelo aprofundamento das a\u00e7\u00f5es afirmativas em todas as inst\u00e2ncias \u2013 gradua\u00e7\u00e3o, p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e nos concursos p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto que chama aten\u00e7\u00e3o no relat\u00f3rio \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre a ra\u00e7a\/etnia e o campus de lota\u00e7\u00e3o \u2013 h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o de que as vari\u00e1veis ra\u00e7a e campus estejam associadas, estando docentes negros lotados principalmente nos campi das cidades do interior do estado da Bahia (ver figura 97). Neste ponto, podemos considerar tamb\u00e9m de grande import\u00e2ncia o processo de expans\u00e3o e interioriza\u00e7\u00e3o das IFES que garantiu a entrada de uma gera\u00e7\u00e3o de novos concursados em institui\u00e7\u00f5es oriundas de um movimento de inclus\u00e3o e democratiza\u00e7\u00e3o no ensino superior. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"682\" src=\"http:\/\/apub.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/GRAFICOS-PESQUISA-DOCENTE-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33565\" srcset=\"https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/GRAFICOS-PESQUISA-DOCENTE-1.jpg 900w, https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/GRAFICOS-PESQUISA-DOCENTE-1-300x227.jpg 300w, https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/GRAFICOS-PESQUISA-DOCENTE-1-768x582.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Ainda, destaca-se no relat\u00f3rio que 60% dos respondentes nasceram na regi\u00e3o nordeste; a maioria entrou na Universidade a partir de 2010 e quase 30% entraram na Universidade depois de 2013. Tais resultados tamb\u00e9m podem estar relacionados \u00e0 expans\u00e3o das universidades, possibilitando que muitas professoras e professores se mantenham ou retornem aos seus estados de origem e deslocando a centralidade do eixo sul-sudeste.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><strong>Carreira e condi\u00e7\u00f5es de trabalho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A distribui\u00e7\u00e3o entre os participantes da pesquisa, em rela\u00e7\u00e3o ao regime de trabalho, \u00e9 de 88% em Dedica\u00e7\u00e3o Exclusiva, 8% em regime de trabalho de 40h e 3,6% em 20h. No entanto, mais de 65% relatam cumprir carga hor\u00e1ria semanal superior ao regime; al\u00e9m disso, mais de 60% tamb\u00e9m afirmam estarem insatisfeitos ou pouco satisfeitos com o trabalho na Universidade. Questionados sobre as raz\u00f5es que motivam o alto \u00edndice de insatisfa\u00e7\u00e3o, a queixa mais comum (43,2%) diz respeito \u00e0 infraestrutura inadequada &#8211; instala\u00e7\u00f5es, equipamentos e acesso \u00e0 internet &#8211; para o desenvolvimento do trabalho, seguida por \u201cfalta de incentivo \u00e0 pesquisa cient\u00edfica\u201d, com 16,4%.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esses dados, o relat\u00f3rio revela uma sobrecarga de atividades docentes distribu\u00eddas entre ensino, pesquisa, extens\u00e3o e fun\u00e7\u00f5es administrativas (ver Figura 24), o que aponta para a urg\u00eancia da amplia\u00e7\u00e3o das vagas e realiza\u00e7\u00e3o de novos concursos de modo a garantir melhor distribui\u00e7\u00e3o de atividades, mas tamb\u00e9m exige uma discuss\u00e3o da categoria aliada \u00e0 luta pol\u00edtica dos sindicatos, dentro das institui\u00e7\u00f5es e frente aos governos, entorno das quest\u00f5es pr\u00f3prias da carreira no esfor\u00e7o cont\u00ednuo para garantir as melhorias nas condi\u00e7\u00f5es dessas trabalhadoras e trabalhadores e a qualifica\u00e7\u00e3o da oferta da educa\u00e7\u00e3o superior.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"611\" src=\"http:\/\/apub.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/GRAFICOS-PESQUISA-DOCENTE-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33566\" srcset=\"https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/GRAFICOS-PESQUISA-DOCENTE-2.jpg 900w, https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/GRAFICOS-PESQUISA-DOCENTE-2-300x204.jpg 300w, https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/GRAFICOS-PESQUISA-DOCENTE-2-768x521.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Essa grave precariza\u00e7\u00e3o do trabalho docente constatada pela pesquisa est\u00e1 intimamente relacionada ao desinvestimento e \u00e0 falta de interesse dos governos, especialmente a partir de 2015, em acolher as demandas das Universidades P\u00fablicas e da Ci\u00eancia e Tecnologia. Esse cen\u00e1rio \u00e9 agravado pelas atuais medidas do governo Bolsonaro que atacam diretamente o funcionalismo p\u00fablico &#8211; cortes de recursos pela Lei Or\u00e7ament\u00e1ria 2021, reforma administrativa e a rec\u00e9m aprovada EC 109.<\/p>\n\n\n\n<p>Merece ainda destaque as quest\u00f5es relacionadas \u00e0 sa\u00fade mental, pauta que tem sido paulatinamente incorporada pelo sindicato. As respostas apontam uma alta propor\u00e7\u00e3o (quase 40%) de docentes que procuraram acompanhamento psicol\u00f3gico ou psiqui\u00e1trico nos \u00faltimos tr\u00eas anos, e o relat\u00f3rio indica que este \u00edndice pode estar relacionado a problemas no ambiente de trabalho, quest\u00e3o agravada no decorrer da pandemia, destacando a sobrecarga de trabalho e o estresse nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais como poss\u00edveis fatores de influ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"637\" src=\"http:\/\/apub.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/GRAFICOS-PESQUISA-DOCENTE-3-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-33568\" srcset=\"https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/GRAFICOS-PESQUISA-DOCENTE-3-1.jpg 900w, https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/GRAFICOS-PESQUISA-DOCENTE-3-1-300x212.jpg 300w, https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/GRAFICOS-PESQUISA-DOCENTE-3-1-768x544.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><strong>Participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e rela\u00e7\u00e3o com o sindicato<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A maioria (71,6%) das professoras e professores que responderam ao question\u00e1rio s\u00e3o filiados \u00e0 Apub e afirmam que as principais raz\u00f5es para sindicaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o o reconhecimento do papel do sindicato (73,3%), import\u00e2ncia das mobiliza\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter p\u00fablico (54.65%), a conquista de acordos coletivos e melhorias na carreira (51%) e a assist\u00eancia jur\u00eddica (44,6%), confirmando um grande interesse sobre as quest\u00f5es corporativas. Por outro lado, 95,3% considera a defesa da Universidade p\u00fablica como a pauta priorit\u00e1ria, seguida de conquistas salariais e da carreira (61,6%) e qualifica\u00e7\u00e3o da assessoria jur\u00eddica (31%), o que explicita a imbrica\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es corporativas na luta pelo fortalecimento e desenvolvimento da Universidade p\u00fablica, gratuita e de qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">*Equipe de coordena\u00e7\u00e3o da Pesquisa: Marta L\u00edcia de Jesus, Leopoldina Menezes, Cl\u00e1udio Andr\u00e9 de Souza e Victor Alc\u00e2ntara.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">**As an\u00e1lises foram realizadas pelo professor Gilberto Pereira Sassi por meio do projeto de extens\u00e3o do Departamento de Estat\u00edstica, \u201cConsultoria em Estat\u00edstica e Ci\u00eacia de Dados\u201d coordenado pela professora Carolina Costa Mota Para\u00edba.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A compreens\u00e3o dos interesses e demandas da categoria \u00e9 imprescind\u00edvel para uma atua\u00e7\u00e3o mais precisa e qualificada de qualquer sindicato e foi com esse intuito que a Apub realizou a Pesquisa Perfil Docentes das Universidades Federais Baianas, entre junho e setembro de 2020, abrangendo aspectos socioecon\u00f4micos, da carreira, condi\u00e7\u00f5es de trabalho e participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. 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