{"id":36134,"date":"2021-11-09T13:13:53","date_gmt":"2021-11-09T13:13:53","guid":{"rendered":"http:\/\/apub.org.br\/?p=36134"},"modified":"2021-11-09T13:13:53","modified_gmt":"2021-11-09T13:13:53","slug":"cotas-raciais-democratizaram-acesso-ao-ensino-superior-mas-enfrentam-a-hipocrisia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/cotas-raciais-democratizaram-acesso-ao-ensino-superior-mas-enfrentam-a-hipocrisia\/","title":{"rendered":"Cotas raciais democratizaram acesso ao ensino superior, mas enfrentam a hipocrisia"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/apub.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Cotas-raciais-democratizaram-acesso-ao-ensino-superior-mas-enfrentam-a-hipocrisia-1024x538.jpg\" alt=\"Cotas raciais democratizaram acesso ao ensino superior, mas enfrentam a hipocrisia\" class=\"wp-image-36136\" width=\"945\" height=\"496\" srcset=\"https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Cotas-raciais-democratizaram-acesso-ao-ensino-superior-mas-enfrentam-a-hipocrisia-1024x538.jpg 1024w, https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Cotas-raciais-democratizaram-acesso-ao-ensino-superior-mas-enfrentam-a-hipocrisia-300x158.jpg 300w, https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Cotas-raciais-democratizaram-acesso-ao-ensino-superior-mas-enfrentam-a-hipocrisia-768x403.jpg 768w, https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Cotas-raciais-democratizaram-acesso-ao-ensino-superior-mas-enfrentam-a-hipocrisia.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 945px) 100vw, 945px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>H\u00e1 17 anos, o sistema de cotas raciais come\u00e7ava a ser implantado nas institui\u00e7\u00f5es de ensino superior p\u00fablico do Brasil, com a Lei Federal de Cotas sendo aprovada oficialmente somente em 2012 pelo Congresso Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>As reservas de vagas para pretos, pardos e ind\u00edgenas surgiram o intuito de diminuir as desigualdades econ\u00f4micas, sociais e educacionais de povos historicamente explorados e expropriados e que, em raz\u00e3o do passado, at\u00e9 hoje s\u00e3o marginalizados e sofrem com o preconceito.<\/p>\n\n\n\n<p>Se em 2011 apenas 11% do total de 8 milh\u00f5es de matr\u00edculas foram feitas por alunos pretos ou pardos, em 2016 o percentual de negros matriculados j\u00e1 era de 30%, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep); e em 2018 de 50,3, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m ocorreram mudan\u00e7as no n\u00famero de estudantes negros que conseguem terminar a universidade e conquistar o diploma universit\u00e1rio. Nos anos 2000, antes de qualquer tipo de pol\u00edtica afirmativa, apenas 2,2% dos estudantes negros conclu\u00edam uma gradua\u00e7\u00e3o. Em 2017, o n\u00famero j\u00e1 era de 9,3%. Apesar do avan\u00e7o, os dados ainda demonstram as disparidades da sociedade brasileira: pessoas brancas possuem 22% de chances de conquistarem o diploma universit\u00e1rio, representando mais que o dobro de pessoas negras.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hipocrisia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um dos discursos mais hip\u00f3critas de quem se posiciona contra as cotas \u00e9 dizer que em vez de cotas deve-se priorizar o aumento da qualidade da educa\u00e7\u00e3o nos n\u00edveis b\u00e1sicos.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 que uma coisa n\u00e3o impede a outra.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, Jair Bolsonaro enganou os brasileiros que o elegeram, porque dizia que iria investir mais na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e n\u00e3o na superior. N\u00e3o fez uma coisa e nem outra.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2018, foram mais de R$ 3 bilh\u00f5es de investimento cortados apenas na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. E ano passado, em 2020, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o teve o seu pior or\u00e7amento em dez anos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Exclus\u00e3o tem cor<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um dos grandes desafios na democratiza\u00e7\u00e3o do ensino superior \u00e9 o fomento e o investimento nas etapas anteriores de ensino.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (PNAD) 2009, apenas 19% dos jovens de 18 a 24 anos tiveram acesso ao ensino superior, sendo que o grupo era ocupado principalmente por pessoas brancas e com rendas mais elevadas. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa aponta que mais de 50% dos jovens desta faixa et\u00e1ria nem sequer atingiu o n\u00edvel m\u00e9dio e, desses, praticamente a metade n\u00e3o concluiu ao menos o ensino b\u00e1sico: 21% n\u00e3o tinham completado o ensino fundamental, e outros 27%, apesar de terem completado o ensino fundamental, n\u00e3o ingressaram ou n\u00e3o conclu\u00edram o ensino m\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p>O recorte de ra\u00e7a \u00e9 fundamental para compreens\u00e3o do cen\u00e1rio: entre os jovens que n\u00e3o conclu\u00edram o ensino fundamental, 14% s\u00e3o brancos e 28% s\u00e3o negros. J\u00e1 entre jovens que tiveram acesso ao ensino superior, 28% eram brancos e apenas 11% eram negros.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o governo de Jair Bolsonaro, isso n\u00e3o \u00e9 prioridade.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>At\u00e9 o Enem sofre<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/educacao\/2021\/09\/enem-2021-e-o-mais-branco-e-elitista-da-decada.shtml\">not\u00edcia de que a edi\u00e7\u00e3o 2021 do Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) seria a mais elitista e branca em dez anos<\/a> repercutiu internacionalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, para quem mora no Brasil isso n\u00e3o chega a ser surpreendente.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde antes de chegar ao poder, Jair Bolsonaro atacava as minorias. Agora, tenta restringir o acesso dessa popula\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o superior.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um governo de brancos ricos para brancos ricos. Bolsonaro tem um longo hist\u00f3rico de relacionamento com grupos neonazistas, al\u00e9m de membros de sua gest\u00e3o terem ca\u00eddo porque foram flagrados repetindo gestos ou a est\u00e9tica nazista.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o governo tratou a Educa\u00e7\u00e3o de forma bastante negligente durante a pandemia e o presidente ainda tentou vetar a lei que garantiria acesso gratuito \u00e0 internet para estudantes e professores (foi derrotado pelo Congresso, mas depois implementou um projeto que obriga estudantes e professores a assistirem propaganda governista para acessar a internet gratuita).<\/p>\n\n\n\n<p>Com desinforma\u00e7\u00f5es e desorganiza\u00e7\u00f5es propositais no per\u00edodo de inscri\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o das provas, o Enem 2020 teve a menor quantidade de inscritos de todas as suas edi\u00e7\u00f5es, e uma taxa de absten\u00e7\u00e3o alt\u00edssima, interrompendo a trajet\u00f3ria de crescimento da participa\u00e7\u00e3o de estudantes mais negros e mais pobres que vinha desde 2009.<\/p>\n\n\n\n<p>O Enem \u00e9 a principal porta de acesso ao ensino superior no Brasil, mas o governo Bolsonaro optou por retirar a taxa de isen\u00e7\u00e3o de quem havia faltado na edi\u00e7\u00e3o anterior da prova (que foi realizada no pico da pandemia).<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso faz parte de um projeto de exclus\u00e3o dos pretos, pardos e ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pol\u00edticas de perman\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o basta garantir o acesso, \u00e9 preciso desenvolver mecanismos que contribuam para a conclus\u00e3o do curso. Neste sentido, pol\u00edticas de perman\u00eancia s\u00e3o fundamentais para amparar os estudantes ao longo desse processo.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, os sucessivos cortes promovidos pelo Governo Federal nos or\u00e7amentos das universidades p\u00fablicas dificultam o investimento em assist\u00eancia estudantil. Se em 2016 (ano do golpe que derrubou Dilma Rousseff) o or\u00e7amento das universidades federais foi de R$ 7,3 bilh\u00f5es, em 2021 caiu para R$ 4,5 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Vivemos em um pa\u00eds onde o pr\u00f3prio presidente viola um direito b\u00e1sico de todas as pessoas, que \u00e9 o acesso \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o, fomenta a discrimina\u00e7\u00e3o racial, ataca professores, e impede, assim, que muitos sonhos sejam concretizados.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem sofre com isso \u00e9, principalmente, quem ocupa a base da pir\u00e2mide social no Brasil: os pretos e pardos.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste sentido, o principal desafio a ser combatido na universaliza\u00e7\u00e3o do ensino superior brasileiro \u00e9 fortalecer a Democracia e combater todos aqueles setores que n\u00e3o enxerguem a Educa\u00e7\u00e3o instrumento principal para a transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: APUB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 17 anos, o sistema de cotas raciais come\u00e7ava a ser implantado nas institui\u00e7\u00f5es de ensino superior p\u00fablico do Brasil, com a Lei Federal de Cotas sendo aprovada oficialmente somente em 2012 pelo Congresso Nacional. 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