{"id":36610,"date":"2022-02-01T12:59:15","date_gmt":"2022-02-01T12:59:15","guid":{"rendered":"http:\/\/apub.org.br\/?p=36610"},"modified":"2022-02-01T12:59:17","modified_gmt":"2022-02-01T12:59:17","slug":"com-orcamento-86-menor-que-em-2013-ciencia-brasileira-resiste-mas-esta-no-limite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/com-orcamento-86-menor-que-em-2013-ciencia-brasileira-resiste-mas-esta-no-limite\/","title":{"rendered":"Com or\u00e7amento 86% menor que em 2013, ci\u00eancia brasileira resiste (mas est\u00e1 no limite)"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/apub.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/com-orcamento-86-menor-que-em-2013-ciencia-brasileira-resiste-mas-esta-no-limite-1024x538.jpg\" alt=\"Com or\u00e7amento 86% menor que em 2013, ci\u00eancia brasileira resiste (mas est\u00e1 no limite)\" class=\"wp-image-36613\" width=\"1003\" height=\"527\" srcset=\"https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/com-orcamento-86-menor-que-em-2013-ciencia-brasileira-resiste-mas-esta-no-limite-1024x538.jpg 1024w, https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/com-orcamento-86-menor-que-em-2013-ciencia-brasileira-resiste-mas-esta-no-limite-300x158.jpg 300w, https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/com-orcamento-86-menor-que-em-2013-ciencia-brasileira-resiste-mas-esta-no-limite-768x403.jpg 768w, https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/com-orcamento-86-menor-que-em-2013-ciencia-brasileira-resiste-mas-esta-no-limite.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1003px) 100vw, 1003px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Como ficou <a href=\"http:\/\/apub.org.br\/ciencia-salva-o-brasil-da-covid-19-mas-e-atacada-por-bolsonaro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">provado durante a pandemia<\/a> de Covid-19, o Brasil tem capacidade de produzir pesquisas cient\u00edficas de alto n\u00edvel, mesmo em meio aos sucessivos cortes or\u00e7ament\u00e1rios promovidos pelos governos de Michel Temer e de Jair Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, os esfor\u00e7os dessas duas gest\u00f5es para desmontar as bases estruturais que amparam a produ\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico nacional est\u00e3o colocando em risco o desenvolvimento do nosso pa\u00eds. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Cultura (Unesco) produziu um relat\u00f3rio especial sobre investimentos em pesquisa e desenvolvimento no mundo, avaliando o per\u00edodo entre 2014 e 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados indicam que houve uma dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o das verbas destinadas \u00e0 ci\u00eancia e tecnologia no Brasil, mas, mesmo assim, nossa produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica continuou aumentando.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso mostra que os pesquisadores brasileiros possuem alto grau de comprometimento e resili\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o \u00e9: at\u00e9 quando ser\u00e1 poss\u00edvel aguentar?<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Redu\u00e7\u00e3o no or\u00e7amento global do Minist\u00e9rio de Ci\u00eancia e Tecnologia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o relat\u00f3rio da Unesco, o Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00f5es teve 84% de seu or\u00e7amento reduzido no per\u00edodo de 2012 a 2021: de R$ 11,5 bilh\u00f5es (em valores atualizados pela infla\u00e7\u00e3o) para R$ 1,8 bilh\u00e3o, que \u00e9 o que havia sobrado ap\u00f3s desvios para outras pastas, bloqueios e despesas obrigat\u00f3rias (como sal\u00e1rios). J\u00e1 seria o mais baixo do s\u00e9culo.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o mesmo relat\u00f3rio da Unesco, pa\u00edses que investem menos de 1% do PIB em ci\u00eancia e tecnologia costumam passar de produtores de ci\u00eancia a consumidor. Isso \u00e9 muito grave, porque o Brasil j\u00e1 foi um grande produtor de conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s os cortes, cerca de R$ 690 milh\u00f5es seriam destinados para ci\u00eancia e tecnologia, principalmente para o Edital universal do <a href=\"http:\/\/apub.org.br\/cortes-na-ciencia-atrasam-desenvolvimento-e-causam-fuga-de-cerebros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq),<\/a> que abrange bolsas da inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ao p\u00f3s-doutorado de 30 mil pesquisadores, e o financiamento dos Institutos Nacionais de Ci\u00eancia e Tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 que em outubro o governo cortou 87% desses recursos (que foram para outras pastas, para que pol\u00edticos do Centr\u00e3o possam usar com fins eleitoreiros), deixando apenas R$ 89 milh\u00f5es, sendo que a maioria do que sobrou seria destinada para a produ\u00e7\u00e3o de medicamentos de combate ao c\u00e2ncer.<\/p>\n\n\n\n<p>Para fins de compara\u00e7\u00e3o, esse montante representa \u00ednfimos 0,004238% daquilo que foi destinado para pagamento e refinanciamento da d\u00edvida interna com o sistema financeiro (R$ 2,1 trilh\u00f5es, metade dos gastos do Governo Federal no ano).<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 para o <a href=\"http:\/\/apub.org.br\/cortes-na-ciencia-atrasam-desenvolvimento-e-causam-fuga-de-cerebros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq),<\/a> o or\u00e7amento em 2021 foi R$ 1,21 bilh\u00e3o, o pior do s\u00e9culo. Esse montante representa praticamente a metade do que era investido l\u00e1 em 2000.<\/p>\n\n\n\n<p>O maior or\u00e7amento destinado ao CNPQ foi o de 2013: R$ 3,14 bilh\u00f5es, quase o triplo do atual.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00famero de pesquisadores apoiados pelo CNPq tamb\u00e9m vem caindo. Entre 2011 e 2020, as bolsas de mestrado tiveram uma redu\u00e7\u00e3o de 32% (de 17.328 para 11.824), as de doutorado ca\u00edram 20% (de 13.386 para 10.738), e o valor desses aux\u00edlios n\u00e3o sofre reajuste desde 2013 (seria corrigido em 2016, ano em que Michel Temer deu o golpe para assumir o poder).<\/p>\n\n\n\n<p>O investimento total em pesquisa cient\u00edfica e desenvolvimento tecnol\u00f3gico no Brasil, em propor\u00e7\u00e3o ao seu Produto Interno Bruto (PIB), aumentou de 1,08%, em 2007, para 1,34% em 2015. Ap\u00f3s queda para 1,26%, em 2017, a estimativa atual \u00e9 que o percentual esteja em torno 1% do PIB, muito abaixo de pa\u00edses desenvolvidos como Estados Unidos e Alemanha, que investem quase 3%, e da China (que aumentou em 225% os investimentos entre 2008 e 2018 e agora aplica cerca de 2,2%).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resist\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo asfixiada pelos cortes de recursos, a pesquisa brasileira conseguiu manter uma boa posi\u00e7\u00e3o no mundo. Dados de um relat\u00f3rio do Centro de Gest\u00e3o de Estudos Estrat\u00e9gicos (CEGE) colocam o Brasil como o 13\u00ba maior produtor de conhecimento cient\u00edfico no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 2015 e 2020, o relat\u00f3rio indica a participa\u00e7\u00e3o de brasileiros em 372 mil trabalhos acad\u00eamicos publicados internacionalmente, o que corresponde a 3% da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica mundial acumulada no per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os temas abordados pelos pesquisadores brasileiros com mais repercuss\u00e3o internacional est\u00e3o educa\u00e7\u00e3o, biodiversidade, nanopart\u00edculas, pecu\u00e1ria e aquicultura, agricultura e irriga\u00e7\u00e3o, sa\u00fade p\u00fablica, f\u00edsica te\u00f3rica, fisiologia e esportes, solos e lavouras, e inova\u00e7\u00e3o e sustentabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Por mais que haja um esfor\u00e7o heroico por parte dos pesquisadores, os efeitos dos cortes s\u00e3o sentidos diretamente dentro das universidades p\u00fablicas, que <a href=\"http:\/\/apub.org.br\/governo-retribui-esforcos-da-ciencia-ameacando-o-futuro-das-universidades\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">produzem 99% da pesquisa brasileira<\/a> mas enfrentam dificuldades de pagar suas contas b\u00e1sicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse cen\u00e1rio vem causando um fen\u00f4meno chamado de \u201cfuga de c\u00e9rebros\u201d: pesquisadores brasileiros altamente qualificados est\u00e3o indo embora do Brasil para conseguir manter suas pesquisas.<\/p>\n\n\n\n<p>Caso n\u00e3o haja uma mudan\u00e7a dr\u00e1stica na forma como o Governo Federal trata nossos pesquisadores e o trabalho cient\u00edfico no Brasil, a tend\u00eancia \u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o piore, com dificuldades cada vez maiores para manter a qualidade e a relev\u00e2ncia no cen\u00e1rio internacional.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: APUB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como ficou provado durante a pandemia de Covid-19, o Brasil tem capacidade de produzir pesquisas cient\u00edficas de alto n\u00edvel, mesmo em meio aos sucessivos cortes or\u00e7ament\u00e1rios promovidos pelos governos de Michel Temer e de Jair Bolsonaro. 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