{"id":49088,"date":"2024-07-30T16:26:52","date_gmt":"2024-07-30T19:26:52","guid":{"rendered":"https:\/\/apub.org.br\/?p=49088"},"modified":"2024-07-30T16:26:52","modified_gmt":"2024-07-30T19:26:52","slug":"a-politica-docente-precisa-de-pessoas-comuns","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/apub.org.br\/siteantigo\/a-politica-docente-precisa-de-pessoas-comuns\/","title":{"rendered":"&#8220;A pol\u00edtica docente precisa de pessoas comuns&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Professora Raquel Nery<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gest\u00e3o: 2018-2020<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que a Apub precisa continuar a ser um sindicato aut\u00f4nomo, independente e de base?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Veja, no caso da Apub, especificamente, para responder estas perguntas primeiro precisamos olhar a hist\u00f3ria, n\u00e9? A hist\u00f3ria de como o sindicato nasceu, de como ele cresceu, saiu da clandestinidade. Que teve um tempo que todo o movimento partid\u00e1rio, que n\u00e3o fosse aquele tutelado e autorizado pelo governo\u2026no fim das contas, quando a gente tem uma carta sindical \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de tutela do estado.<\/p>\n\n\n\n<p>A gente n\u00e3o pode esquecer isso. Essa ideia de legalidade, \u00e9 o reconhecimento do estado. E eu acho que, por princ\u00edpio, os trabalhadores quando se organizam, eles n\u00e3o necessariamente precisam da tutela do estado. N\u00e3o \u00e9 isso que d\u00e1 a sua validade pol\u00edtica. Mas \u00e9 uma validade burocr\u00e1tica. \u00c9 aquilo que a gente chama de legalidade. Ent\u00e3o, considerando a hist\u00f3ria do sindicalismo brasileiro, mais recente, a hist\u00f3ria da nossa democracia depois do per\u00edodo da ditadura militar, os sindicatos, de uma maneira geral, tiveram um papel super importante nesse processo. A Apub tamb\u00e9m. E todo o sindicalismo, toda a representa\u00e7\u00e3o de trabalhadores, nasce na base! Nunca \u00e9 um movimento vertical, ainda que a gente precise da tutela do Estado, da resposta do estado, do reconhecimento do Minist\u00e9rio do trabalho, para uma carta sindical. Na verdade, a validade e a legitimidade pol\u00edtica da organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores nasce da base. Ent\u00e3o acho que esse \u00e9 o primeiro ponto. Todo o sindicalismo que \u00e9 politicamente relevante, ele se estrutura na sua base ou nas suas bases.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo ponto \u00e9 que, quando a gente continua olhando para a hist\u00f3ria dos da Apub e do sindicalismo, e do movimento docente brasileiro, a gente sabe que houve um tempo em que foi necess\u00e1rio que todos se unissem por uma causa maior, n\u00e9? Esse momento \u00e9 o momento que teve uma repercuss\u00e3o burocr\u00e1tica na concep\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o, foi o momento em que os sindicatos das suas bases compreenderam que poderiam\/deveriam delegar a sua autonomia para uma para uma gest\u00e3o mais centralizada, considerando o tamanho do desafio naquele momento, que era o processo da redemocratiza\u00e7\u00e3o. Est\u00e1vamos ali na d\u00e9cada de 80, e os mais antigos diziam que era um entulho autorit\u00e1rio. E que ele precisava ser removido e que isso deveria ser feito por uma organiza\u00e7\u00e3o sindical, mais fortalecida e centralizada. E isso aconteceu e funcionou muito bem durante um tempo, n\u00e9? Com o devido hist\u00f3rico, e novos acontecimentos no movimento docente e na pr\u00f3pria pol\u00edtica brasileira, a gente come\u00e7a a ter algumas dificuldades. Porque esse processo de gest\u00e3o do movimento docente, o movimento sindical dos professores federais centralizada come\u00e7ou a mostrar uma certa rigidez que aparecia nos momentos das elei\u00e7\u00f5es, nas defini\u00e7\u00f5es das pautas, nas formas de luta. E aquilo que era decidido nessa gest\u00e3o centralizada j\u00e1 n\u00e3o repercutia no que a base compreendia que deveria acontecer, isso j\u00e1 nos anos 2000, no momento em que a gente tem o primeiro mandato do Presidente Lula. Os processos de negocia\u00e7\u00e3o que passaram a acontecer dali eram tratados com uma certa rigidez desse sindicato nacional do qual a Apub fazia parte.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, naquele momento, a esquerda j\u00e1 tinham se separado, j\u00e1 estava dividida. E havia em todo o Brasil outros professores que viveram esse tempo que n\u00e3o eu, que j\u00e1 davam sinais indicativos de que a tend\u00eancia seria se afastar, se descolar dessa entidade nacional centralizada, que continua assim at\u00e9 hoje, inclusive. E retomar as suas caracter\u00edsticas iniciais como sindicatos organizados na base. Isso significa o que nos dias de hoje? \u00c9 a gente perceber que, mesmo que estejamos aqui na Bahia (nas universidades baianas) como um sindicato de base, a nossa categoria \u00e9 uma categoria federal. Ent\u00e3o, ela vai precisar de outras articula\u00e7\u00f5es nas inst\u00e2ncias nacionais, ent\u00e3o isso vai acontecer, por exemplo, com outros sindicatos de base; e com a nossa democracia \u00e9 representativa temos representantes em inst\u00e2ncias como o F\u00f3rum Nacional de Educa\u00e7\u00e3o; tamb\u00e9m operamos conjuntamente com o Observat\u00f3rio do conhecimento; se organiza em raz\u00e3o de quest\u00f5es previdenci\u00e1rias, isso diz respeito ao nosso fundo espec\u00edfico de previd\u00eancia suplementar ou complementar, que \u00e9 o Funpresp. Pra fazer isso a gente n\u00e3o faz sozinho, precisamos estar articulados, mas a gente se articula sem perder a nossa autonomia. Porque h\u00e1 coisas que acontecem s\u00f3 na Bahia, diferente de coisas que acontecem em Alagoas, em Minas Gerais, no Paran\u00e1 e por a\u00ed vai.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, ser um sindicato de base n\u00e3o significa que a gente abra m\u00e3o da articula\u00e7\u00e3o nacional, significa que a gente tem mais autonomia para os nossos processos de tomada de decis\u00e3o,<strong> <\/strong>em nossos processos de representa\u00e7\u00e3o, nos lugares onde n\u00f3s queremos estar representados e onde queremos trabalhar e incidir, nas a\u00e7\u00f5es que fazemos tamb\u00e9m na nossa base. Um exemplo, acho que muito claro disso, foi em 2019, (eu estou falando deste lugar porque eu era presidente da Apub) criamos um evento muito interessante que foi o \u201cUniversidade na pra\u00e7a\u201d. Que foi algo que nenhum sindicato fazia, mas a gente entendeu que naquele momento de crescimento do governo Bolsonaro, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o era violento, atacando as universidades n\u00e3o apenas do ponto de vista or\u00e7ament\u00e1rio, mas simb\u00f3lico tamb\u00e9m. A gente disse: \u201cN\u00e3o!&nbsp; Vamos conversar com a sociedade\u201d. Porque para a sociedade tamb\u00e9m que o Abraham Weintraub (ex-ministro da educa\u00e7\u00e3o) naquele momento estava jogando. E para realizar um evento daquele, com aquelas caracter\u00edsticas, s\u00f3 um sindicato de base que toma suas decis\u00f5es baseados ou tendo por refer\u00eancia aquilo que est\u00e1 acontecendo na base. E j\u00e1 hav\u00edamos, antes do \u201cUniversidade na pra\u00e7a\u201d, acho que no m\u00eas de maio, um evento super importante, na verdade um conjunto&nbsp; de mobiliza\u00e7\u00f5es que a gente gosta de chamar de &#8220;Jornadas de maio\u201d, que foi uma coisa que nasceu aqui na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o. A gente teve uma plen\u00e1ria que se juntou com os estudantes e a gente saiu, era uma segunda, e atravessamos, fechamos essa rua e subimos at\u00e9 a reitoria. E naquele evento, junto com outro evento que aconteceu no col\u00e9gio D. Pedro Segundo, no Rio de Janeiro e esses 2 eventos foram estopins de um movimento muito amplo em todo o Brasil, pela universidade p\u00fablica, pela educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, com a participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas dos professores organizados em seus sindicatos, mas tamb\u00e9m e principalmente dos estudantes. Eles tiveram um papel fundamental, estruturante para esse evento. Ent\u00e3o, assim, quando a gente ent\u00e3o fala sobre as formas de luta, sobre onde a gente quer incidir politicamente, as formas dessa incid\u00eancia, as \u00eanfases que a gente d\u00e1 \u00e0s nossas pautas, fazemos isso a partir de um sindicalismo que est\u00e1 enraizado na sua base e que n\u00e3o est\u00e1 de uma maneira muito dependente de um grupo pol\u00edtico, que inclusive n\u00e3o \u00e9 um grupo. Se pelo menos houvesse um pluralismo pol\u00edtico, mas \u00e9 uma coisa muito centralizada, ideologicamente tamb\u00e9m muito fechada, h\u00e1 pouco espa\u00e7o para a movimenta\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, na minha compreens\u00e3o, at\u00e9 a pr\u00f3pria complexidade da pluralidade dessa base, do que s\u00e3o os professores das universidades, que s\u00e3o pessoas normais. Acho que isso \u00e9 uma coisa tamb\u00e9m muito que queria te dizer, eu sou uma professora normal. O que \u00e9 que eu estou chamando de um professor normal? \u00c9 um professor que tem a democracia como princ\u00edpio, que compreende o papel, a fun\u00e7\u00e3o da sua profiss\u00e3o no desenvolvimento do pa\u00eds, na forma\u00e7\u00e3o das pessoas. E um professor que, acima de tudo, valoriza a democracia. E n\u00e3o existe democracia sem pluralismo pol\u00edtico, sem respeito \u00e0 autoridade, ao pensamento divergente dentro dos limites da pr\u00f3pria democracia. Que \u00e9 a democracia que, de vez em quando, ela mesma se torna vulner\u00e1vel \u00e0quilo que a ataca. No fim das contas, \u00e9 o que estamos fazendo, n\u00f3s elegemos um cara autorit\u00e1rio em 2018. Ent\u00e3o, ser um sindicato de base e aut\u00f4nomo diz respeito a essa legitimidade que \u00e9 a pol\u00edtica real, a pol\u00edtica que considera a pluralidade, a complexidade do movimento docente nasce na base.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que a APUB deve continuar filiada ao PROIFES?<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma coisa importante a se pontuar \u00e9 que quando o Proifes nasce, ele n\u00e3o \u00e9 o primeiro movimento, ele \u00e9 um movimento derivado de um outro, que \u00e9 essa insatisfa\u00e7\u00e3o e percep\u00e7\u00e3o de que alguma coisa muito errada estava acontecendo no processo como um todo. E volto a dizer, um processo politicamente centralizado que n\u00e3o estava dando conta de repercutir a complexidade e a pluralidade das posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas naquele momento. Ent\u00e3o voc\u00ea tem um movimento cr\u00edtico de descolamento dos sindicatos, de v\u00e1rios sindicatos, n\u00e3o foi s\u00f3 a APUB, que v\u00e3o aos poucos se descolando desse sindicat\u00e3o nacional que tinha ficado r\u00edgido, n\u00e3o dava mais conta de representar a complexidade daquele momento de ter um governo trabalhista. Naquele momento era um era um presidente trabalhista, havia possibilidade, era uma janela hist\u00f3rica, era uma conjuntura em que a gente podia tirar o melhor proveito daquilo. Mas algumas amarras ideol\u00f3gicas impediram isso de acontecer. Ent\u00e3o, alguns sindicatos foram se descolando, dizendo: \u2018A gente n\u00e3o quer mais\u2019. E a\u00ed esses sindicatos, em suas assembleias, nas suas inst\u00e2ncias de delibera\u00e7\u00e3o, decidiram se descolar do ANDES, que foi o que aconteceu com a Apub no ano de 2009, com plebiscito que aconteceu no m\u00eas de junho, que vai estar fazendo 15 anos isso. Essa discuss\u00e3o, ela vem agora, ela est\u00e1 sempre vindo porque isso \u00e9 da pol\u00edtica, \u00e9 do jogo pol\u00edtico. Esse movimento veio atrav\u00e9s dessas inst\u00e2ncias deliberativas e ela \u00e9 resultado de uma coisa que antecede e que \u00e9 o limite dessa organiza\u00e7\u00e3o centralizada no sindicat\u00e3o ter chegado ao seu limite. Ela n\u00e3o conseguia mais responder.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o esses sindicatos come\u00e7aram a se descolar. Mas como \u00e9 que a gente vai se organizar, j\u00e1 que ningu\u00e9m vai fazer isso sozinho?<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea observar as mesas de negocia\u00e7\u00e3o que foram reabertas com o in\u00edcio do governo Lula, atrav\u00e9s dos seus representantes, o MGI e o MEC, se relacionaram com as categorias atrav\u00e9s de f\u00f3runs. E esses f\u00f3runs, o FONASEFE, que a Apub fez parte enquanto filiada ao Proifes e o FONACATE, que \u00e9 o F\u00f3rum das Carreiras T\u00edpicas de Estado. Ent\u00e3o o governo lidou com esses f\u00f3runs, porque esses f\u00f3runs cuidam de uma inst\u00e2ncia intermedi\u00e1ria de organiza\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o o governo n\u00e3o lida com as bases diretamente. Essa \u00e9 uma forma de organiza\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria democracia representativa. Voc\u00ea tem inst\u00e2ncias de representa\u00e7\u00e3o. Eu t\u00f4 falando da Mesa Geral, a mesa permanente de negocia\u00e7\u00e3o. Quando ela se desdobrou e veio para a mesa espec\u00edfica, a\u00ed o governo passou a tratar diretamente com as categorias. Quando chegou no campo da Educa\u00e7\u00e3o, ele chamou, n\u00e3o o Rio Grande do Sul, que \u00e9 um sindicato que tem sua pr\u00f3pria carta sindical, n\u00e3o chamou Goi\u00e1s, n\u00e3o chamou Rio Grande do Norte, Santa Catarina. Ele chamou a entidade que representava junto com outro sindicato, que era um sindicato nacional, que a partir daquele momento, depois de outras situa\u00e7\u00f5es em que j\u00e1 existiu, o ANDES n\u00e3o reclamou. Mas desta vez ele n\u00e3o apenas reclamou, requereu para si a posse da representa\u00e7\u00e3o docente. \u2018N\u00f3s somos os \u00fanicos, os leg\u00edtimos representantes\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles judicializaram, n\u00e9? E no primeiro momento que eles fizeram isso, e eu estava l\u00e1, eu testemunhei, qual foi a rea\u00e7\u00e3o do governo? O governo disse: \u2018Se eu for acatar esse pedido de voc\u00eas, primeiro lugar, a gente vai suspender essa reuni\u00e3o aqui. Segundo lugar, eu vou ter que tratar separadamente. Porque tem um conjunto de sindicatos que voc\u00eas, ANDES, n\u00e3o representam. O que eu vou fazer com eles?\u2019 O que que eu estou querendo dizer com isso? Que n\u00e3o h\u00e1 incompatibilidade entre voc\u00ea ter uma inst\u00e2ncia de representa\u00e7\u00e3o como uma federa\u00e7\u00e3o e ser um sindicato de base. Voc\u00ea est\u00e1 fazendo sua pol\u00edtica nacional sem perder suas caracter\u00edsticas, o seu enraizamento na base. Essas caracter\u00edsticas s\u00e3o essas que eu j\u00e1 falei que n\u00e3o preciso repetir.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o estar numa federa\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer a pol\u00edtica no \u00e2mbito nacional, naquilo que interessa, e o Proifes tem demonstrado a capacidade de fazer coisas bastante interessantes por esse vi\u00e9s. \u00c9 um vi\u00e9s mais din\u00e2mico, principalmente menos centralizado, com uma composi\u00e7\u00e3o de dire\u00e7\u00e3o proporcional e significa que todos est\u00e3o representados nos processos de delibera\u00e7\u00e3o e n\u00e3o apenas um grupo pol\u00edtico. Eu acho que essa \u00e9 a coisa mais interessante, que voc\u00ea n\u00e3o tem uma gest\u00e3o verticalizada, voc\u00ea tem uma gest\u00e3o horizontal. Eu gosto muito da ideia da mesa redonda. \u00c9 uma mesa sem cabeceira. Ent\u00e3o \u00e9 muito importante estar articulado nacionalmente com uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, que ao mesmo tempo que faz uma incid\u00eancia respons\u00e1vel nas inst\u00e2ncias, nos lugares em que ele precisa incidir. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 com o governo, h\u00e1 outros atores com quem n\u00f3s precisamos conversar. Voc\u00ea tem os poderes, o poder judici\u00e1rio tamb\u00e9m, o legislativo. Por exemplo, est\u00e1 acontecendo agora um projeto de lei que est\u00e1 querendo tributar os nossos fundos de previd\u00eancia complementar. A gente vai incidir como? A gente n\u00e3o vai reclamar com o governo. Por qu\u00ea? Porque o poder \u00e9 legislativo, tem essa autonomia para fazer essa discuss\u00e3o, a gente vai conversar com eles. Essa \u00e9 uma inst\u00e2ncia importante, o pr\u00f3prio executivo no momento das mesas de negocia\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, esses lugares, essas inst\u00e2ncias, inst\u00e2ncias relacionados ao campo da educa\u00e7\u00e3o, da ci\u00eancia e tecnologia. O Proifes est\u00e1 representado hoje na SBPC que est\u00e1 acontecendo em Bel\u00e9m do Par\u00e1. Ent\u00e3o h\u00e1 outros espa\u00e7os de representa\u00e7\u00e3o. O Proifes, agora ela pode, ele \u00e9 uma federa\u00e7\u00e3o que pode indicar, fazer indica\u00e7\u00f5es para a composi\u00e7\u00e3o dos conselheiros no conselho nacional da educa\u00e7\u00e3o. E outras inst\u00e2ncias, outros lugares, outros atores como os movimentos sociais, organiza\u00e7\u00f5es como Observat\u00f3rio do conhecimento. S\u00e3o inst\u00e2ncias em que o Proifes est\u00e1 de modo horizontal, com suas representa\u00e7\u00f5es, de modo plural, de modo din\u00e2mico, sem que a gente abra m\u00e3o da nossa autonomia e da nossa Independ\u00eancia. Eu acho que outra coisa importante tamb\u00e9m \u00e9 a quest\u00e3o financeira. Eu publiquei um artigo h\u00e1 alguns dias em que est\u00e1 dito l\u00e1 que \u00e9 uma coisa que no fim das contas \u00e9 sobre dinheiro tamb\u00e9m, sobre o que se faz com os recursos que cada um de n\u00f3s que somos associados, filiados, entregamos mensalmente ao nosso sindicato, e a\u00ed falaram \u2018Ah, mando o dinheiro para o Proifes\u2019 e fizeram, inclusive, estimativas erradas, irrespons\u00e1veis. Na verdade, voc\u00eas sabiam que a gente envia para o Proifes 9% da arrecada\u00e7\u00e3o mensal e que o ANDES cobra 20%? Foi mais que o dobro junto. E junto com esses 20% ainda tem um fundo de greve! Como se o sindicato precisasse ter um recurso adicional para a greve. Como se os recursos que n\u00f3s recolhemos j\u00e1 n\u00e3o fossem o suficiente. Eles t\u00eam um fundo espec\u00edfico para a greve. Com isso eu quero dizer que, do ponto de vista financeiro, n\u00f3s tamb\u00e9m temos bastante autonomia. Temos autonomia jur\u00eddica nos processos de representa\u00e7\u00e3o, na representa\u00e7\u00e3o dos nossos colegas professores junto ao judici\u00e1rio e no pr\u00f3prio di\u00e1logo com os interlocutores pol\u00edticos. Temos autonomia administrativa na gest\u00e3o dos nossos bens e dos nossos recursos. Temos, acima de tudo, a autonomia pol\u00edtica de conduzir as nossas pautas. Ent\u00e3o, essas coisas n\u00e3o s\u00e3o incompat\u00edveis com o conceito de federa\u00e7\u00e3o. E o conceito de federa\u00e7\u00e3o \u00e9 voc\u00ea ter entes aut\u00f4nomos, entes soberanos independentes, conscientes da sua pr\u00f3pria identidade, das suas capacidades, dos seus deveres, das suas possibilidades, e eles, conjuntamente com outros entes; se tem um sindicato pequeno e o nossa Apub que tem 2500 filiados e tem um tem um sindicato que tem 100 filiados, ele n\u00e3o \u00e9 menos importante que o nosso. Ele est\u00e1 levando a representa\u00e7\u00e3o deles, a\u00ed algu\u00e9m vai dizer: \u201cAh, mas ele voc\u00ea n\u00e3o vai comparar uma pessoa representando 100 a uma pessoa representando 500\u201d. Que alternativa temos? Ent\u00e3o, nas estruturas representativas, se voc\u00ea olhar o c\u00e1lculo que \u00e9 feito para o n\u00famero de senadores, o n\u00famero de deputados nas casas legislativas, elas tamb\u00e9m t\u00eam uma proporcionalidade. Ent\u00e3o, o fato de a Bahia ser um estado que tem demograficamente um volume muito maior do que o estado Sergipe, n\u00e3o significa que Sergipe seja menos importante. Ent\u00e3o a gente teria um sindicato que precisaria ter 500 pessoas, 1000 pessoas para ser um sindicato? Quanto tempo isso levaria? Eu acho que a gente tem que pensar de modo a fortalecer o movimento docente e n\u00e3o criar obst\u00e1culos para eles. \u00c9 uma coisa importante ser dita. No momento em que as taxas de sindicaliza\u00e7\u00e3o est\u00e3o caindo, no momento em que os empregos formais, de pessoas que t\u00eam carteira assinada, que tem alguma estabilidade, um conjunto de direitos, esse n\u00famero que tamb\u00e9m est\u00e1 caindo, o que \u00e9 que a gente tem no contraponto a isso? Pessoas que est\u00e3o criando obst\u00e1culos para a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. \u2018Ah, n\u00e3o. Aquele grupo ali \u00e9 de 50 pessoas.\u2019 Ou seja, 50 pessoas n\u00e3o t\u00eam o direito de se organizarem? O que \u00e9 necess\u00e1rio para que as pessoas se organizem, entendeu? Ent\u00e3o essas coisas precisam ser discutidas nesse, entende? Fortalecer a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e n\u00e3o fragilizar a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, n\u00e3o criar obst\u00e1culos para ela. No momento como esse que a gente est\u00e1 vivendo, n\u00e3o era para as pessoas estarem dizendo que esta entidade, porque o Proifes foi muito combatido, foi um linchamento. As pessoas achavam que tinham por alguma raz\u00e3o a greve deu esse grupo de pessoas, esses militantes, o salvo conduto para fazer um linchamento de uma entidade dizendo que ela n\u00e3o tem legitimidade, que \u00e9 fantasma, que \u00e9 fantoche, que \u00e9 pelega, etc. Por qu\u00ea? Porque ela tem um tipo de organiza\u00e7\u00e3o que, sim, a autorizou estar l\u00e1, sentar na mesa junto com eles. Dizer que a gente assinou e \u2018ah, n\u00e3o ouviu a base\u2019? Isso n\u00e3o \u00e9 verdade. N\u00f3s temos, ele (o sindicato) tem uma estrutura, um conjunto de regras estatut\u00e1rias, a partir de uma maioria interna que diz, n\u00f3s estamos aqui. E temos legitimidade, temos condi\u00e7\u00e3o de fazer isso, e foi l\u00e1 e fez. A Apub n\u00e3o queria greve na assembleia, n\u00f3s dissemos que n\u00e3o era para fazer. Mas uma assembleia tem que dizer a sua delibera\u00e7\u00e3o. A gente recusa. Mas e a outra assembleia? Aqueles outros professores que aceitaram? N\u00e3o \u00e9 dessa maneira que n\u00f3s deliberamos? N\u00e3o \u00e9 sempre por maioria? Porque a maioria do Proifes n\u00e3o serve em rela\u00e7\u00e3o a maioria do outro sindicato nacional? \u00c9 por uma quest\u00e3o de quantidade? Mas os processos de representa\u00e7\u00e3o s\u00e3o sempre relativos. Se voc\u00ea observar o n\u00famero de pessoas que estavam nas assembleias do Proifes e foram ouvidas e tiveram oportunidade de ser ouvidas, inclusive por consulta p\u00fablica, e n\u00e3o apenas na assembleia, voc\u00ea vai ver que s\u00e3o n\u00fameros aproximados. Ent\u00e3o, esses processos de representa\u00e7\u00e3o s\u00e3o processos relativos. Isso tamb\u00e9m est\u00e1 escrito, formulado, organizado em outro lugar nesse artigo que acabou sendo publicado, ele ficou muito resumido. Mas esse \u00e9 um argumento que eu tamb\u00e9m desenvolvo, os processos de representa\u00e7\u00e3o s\u00e3o processos relativos. Eles n\u00e3o dizem respeito \u00e0 maioria ampla. Somos duzentos mil professores no Brasil. Quantos s\u00e3o sindicalizados? Voc\u00ea tem a\u00ed pouco mais de 30% de professores sindicalizados. Por\u00e9m, aquilo que a gente decide em um processo negocial como esse vai pro contracheque de todo mundo. Ent\u00e3o a gente precisa fazer um enfrentamento tranquilo, n\u00e3o \u00e9 ficar desqualificando o outro, como se n\u00f3s fossemos p\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual voc\u00ea considera ser o principal&nbsp; legado da sua gest\u00e3o?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Poderia dizer que foi ter constru\u00eddo ou realizado Universidade na Pra\u00e7a. Ou tamb\u00e9m poderia dizer quais foram as contribui\u00e7\u00f5es, as formaliza\u00e7\u00f5es que fizemos naquele momento de afastamento, em que a gente entregou documentos; a gente negociou, cuidou de muitas coisas. Mas eu acho que n\u00e3o \u00e9 isso. Eu acho que o legado \u00e9 dizer para as pessoas que qualquer pessoa pode fazer pol\u00edtica. Eu acho que essa \u00e9 a coisa mais importante para a minha vida, porque eu n\u00e3o tenho pretens\u00e3o pol\u00edtica nenhuma. N\u00e3o pretendo cargos eletivos e tal. E o que vi \u00e9 que dentro da pol\u00edtica, \u00e0s vezes, eu n\u00e3o estou minimizando ou esvaziando o valor da pol\u00edtica institucional, dos partidos, pol\u00edticos, dos sindicatos. Mas o que eu estou dizendo para voc\u00ea \u00e9 que n\u00f3s, professores, no Movimento Docente, todos n\u00f3s temos legitimidade, capacidade para fazer esse trabalho da pol\u00edtica. At\u00e9 porque a tarefa mais dif\u00edcil, a que exige mais qualifica\u00e7\u00e3o para n\u00f3s, no sentido estrito do termo, de prepara\u00e7\u00e3o, de forma\u00e7\u00e3o, \u00e9 aquilo que fazemos nas salas de aula, na extens\u00e3o e na pesquisa. Ent\u00e3o, n\u00e3o precisamos ser seres especiais, com dota\u00e7\u00f5es especiais ou formados em tal e tal inst\u00e2ncia para fazer a pol\u00edtica. A pol\u00edtica docente precisa de pessoas comuns. Eu acho que eu sou uma professora comum, uma pessoa como muitas outras que est\u00e3o ali nos observando. Teve um momento que eu disse assim: \u2018Ah, \u00e9 interessante fazer isso. Eu vou l\u00e1 ver como \u00e9. Porque, no fim das contas, os sindicatos cumprem um papel nas democracias. E a democracia \u00e9 uma tarefa coletiva, mas ela tamb\u00e9m requer que algumas pessoas se envolvam de maneira mais intensa. Voc\u00ea n\u00e3o precisa ser a terceira gera\u00e7\u00e3o de militantes revolucion\u00e1rios ou que lutaram pelos direitos humanos. A sua milit\u00e2ncia simples, comum, do cotidiano, ela \u00e9 tamb\u00e9m v\u00e1lida para fazer esse trabalho. Acho que esse \u00e9 o principal legado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quem \u00e9 a professora Raquel? A professora Raquel, foi uma professora que chegou em 2009 na faculdade de educa\u00e7\u00e3o. Ela estava no movimento estudantil? N\u00e3o. Ela \u00e9 de algum partido tamb\u00e9m? N\u00e3o. De algum movimento social? N\u00e3o. O que faz a professora Raquel, ent\u00e3o? Ela \u00e9 professora. Esse \u00e9 o legado.<\/p>\n\n\n\n<p>Se as pessoas tiverem entendido essa mensagem, eu estou muito satisfeita. Porque \u00e9 muito ruim quando alguns militantes tomam para si, presumem que t\u00eam uma tarefa de tutela intelectual conceitual moral sobre o trabalho pol\u00edtico das outras pessoas. Isso \u00e9 muito ruim para democracia. Muito ruim para tudo. Para luta de g\u00eanero, antirracista, LGBTQIA+. Esses conjuntos de valores, de cren\u00e7as que nos colocam como seres diferentes uns dos outros. Ent\u00e3o alguns s\u00e3o mais especiais e, assim, voc\u00ea est\u00e1 autorizada a estar em certo lugar fazendo certas coisas? Absolutamente (n\u00e3o). A luta \u00e9 pra todos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professora Raquel Nery Gest\u00e3o: 2018-2020 Por que a Apub precisa continuar a ser um sindicato aut\u00f4nomo, independente e de base? 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