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O PROIFES-Federação realizou nesta sexta-feira, 16, o debate Ciência, Tecnologia e Soberania, no auditório Magno Valente da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, como parte da programação proposta para o Fórum Social Mundial 2018. Na mesa, o senador Roberto Requião (PMDB-PR), o deputado federal Celso Pansera (PT-RJ), a presidente do Atens-Sindicato, Maria do Rosário Alves de Oliveira, o presidente do PROIFES-Federação, Nilton Brandão e a vice-presidenta da entidade, Luciene Fernandes.

A destruição do sistema de pesquisa brasileiro, pela constrição financeira, e seus reflexos na produção de conhecimento e soberania nacional foram a tônica das falas, que questionaram também a subserviência do poder Executivo ao capital financeiro nacional e internacional. A importância deste evento do PROIFES, explicou Maria do Rosário, “é discutir a ciência e tecnologia, e a importância as universidades, que são pilares da soberania e desenvolvimento nacional”.

Desmonte da pesquisa

O orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia previsto para para este ano é de 4,6 bilhões, o que corresponde a metade do orçamento de 2013 em valores nominais, explicou Pansera. “Com isso vai ser o fim das bolsas de pesquisa, o fim da compra de insumos, reagentes para a pesquisa, e, no limite, a paralisação de todo o sistema de pesquisa brasileiro.”

Esta desestruturação, continuou o deputado, “vai paralisar com todo um processo de 13 anos de crescimento da ciência brasileira . Até publicar editais, selecionar bolsistas, redes, etc, isso vai levar anos, teremos um trabalho de cinco a dez anos para retomar o patamar que estamos hoje.”

Soberania

Já o senador Requião centrou sua fala na perda da soberania nacional, entregue a grupos financeiros internacionais, com predominância de interesses estadunidenses. Segundo o senador paranaense, há três pontos centrais nesse movimento de perda de soberania: a precarização do poder Executivo; a precarização parlamento, este devido principalmente ao financiamento privado de campanha; e a predominância do capital financeiro sobre o estado e avanços sociais, que é a precarização do trabalho. É o fim dos direitos trabalhistas, que no Brasil, se manifestou com o fim da CLT, e com a proposta de destruição da Previdência.

“Esse projeto liberal é suportado na destruição da política. Essa proposta se consolida em documentos de economistas ligados a bancos, mas esse liberalismo econômico é um modelo falido”, afirmou Requião.

Segundo o senador, o Brasil vive “um erro brutal de condução, por corrupção ideológica, uma crença absurda no liberalismo. Estamos entrando na era do combate aberto ao estado social, do combate à fraternidade. Mais dia ou menos dia o brasileiro vai reagir, mas não vejo nenhuma perspectiva de reação do Modelo Temer, do modelo Moreira Franco.”

A solução, para Requião, passa por uma aliança entre o capital produtivo e o trabalho, no enfrentamento concreto e definitivo do capital financeiro. “Só o Estado, em um momento de recessão, pode investir retomando o crescimento. Temos que garantir basicamente as conquistas dos trabalhadores brasileiros, voltar com um referendo revogatório”, afirmou o senador.

A vice-presidenta do PROIFES encerrou as falas da mesa lembrando o processo de desvalorização de alguns grupos sociais, como negros e mulheres, e destacando o papel da academia, tanto no avanço da pesquisa científica, quanto na soberania nacional. “O papel da universidade é bastante importante, mesmo com o avanço da pesquisa, nós não conseguimos dialogar com a sociedade e mostrar a importância da universidade no seu dia a dia. A universidade não fica com a pesquisa dentro de seus gabinetes e laboratórios, ela tem resultado real na vida das pessoas. Então cabe também à universidade fazer essa avaliação para se aproximar do povo brasileiro”.

 Fonte: PROIFES-Federação