Debate refletiu sobre o medo e a esperança na luta

“Como não sucumbir ao medo em tempos de incertezas?”, esta foi a pergunta que introduziu a reflexão da professora Ilka Bichara (Instituto de Psicologia/UFBA) sobre o tema do debate “Medo e esperança na construção de Utopias”, organizado pela Apub e realizado no dia 23, em FFCH/UFBA. A atividade fez parte do lançamento do livro A última Clandestina em Paris, do professor da UFBA, político, escritor e jornalista Emiliano José. A obra traz uma série de histórias de pessoas que militaram contra a ditadura militar, abarcando temas como a solidão, o medo e a coragem em meio a situações extremas.

Ilka trouxe a questão para o presente, em que o terrorismo, a militarização, a miséria, violência e também as novas formas de golpe são fatores que amedrontam, mas também nos impele a lutar. Segundo explicou, o medo é causado pelo que não podemos controlar e faz parte da natureza humana. Portanto, o que nos mobiliza para enfrenta-lo é uma crença, uma ideologia, um projeto de sociedade. “A esperança sem utopia não existe”, afirmou.  Além disso, a professora destacou que o terror da prisão ou morte provocado pela Ditadura é vivenciado cotidianamente pela juventude negra e periférica.

Na ocasião, participaram do debate, relatando suas experiências como militantes no período do regime militar, a professora aposentada da UFBA Anete Brito e seu companheiro Rubem Leal, pessoas que tiveram suas histórias contadas no livro.

O professor Emiliano falou sobre a obra e disse que, como escritor e jornalista, quis retratar um cenário político, mas abordando os sentimentos humanos que envolvem estar em luta e que não podem ser menosprezados. “A militância é feita por pessoas, com sentimentos e anseios diversos. Quem luta sabe o que é viver o medo e também a esperança”, explica. Além disso, o autor deu ênfase no protagonismo das mulheres na luta contra a Ditadura, que sofreram com opressões conjugadas do regime e do machismo, tornando as torturas e prisões muito mais cruéis.

A presidenta da Apub, Luciene Fernandes concluiu o debate falando de continuidade da luta e por isso resgatou o papel fundamental da juventude e da resistência presente no próprio cotidiano deles. “A vida dessas pessoas já é um ato político e a luta pela sobrevivência é de fundamental importância para desafiar este sistema”. Cabe então buscar contribuir com isso, articulando diferentes histórias e diferentes utopias que farão este novo caminho. Para ela, ficou claro que três sentimentos estarão sempre presentes nesse caminhar: medo, esperança e coragem.

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