Manifestações populares: desafio de retomar conexão com a nova geração

Assim como em décadas passadas, as manifestações de junho em todo o Brasil foram explosivas e espontâneas. De acordo com Valter Pomar, especialista em História Econômica e dirigente nacional do PT, a diferença é que uma grande quantidade de pessoas não tinha vínculo com partidos, sindicatos ou organizações sociais. Vinculado às conjunturas nacional e internacional, o tema foi amplamente debatido na palestra realizada em dia 26 de julho, no auditório da Escola Politécnica da UFBA. Mais uma iniciativa da Apub e do Senge-BA, junto à Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros.
Para Pomar, nas décadas de 70 a 90, a esquerda era o porta voz da insatisfação social. A chegada do PT ao governo federal e o seu crescente peso no aparato dos estados brasileiros deram outra forma a essa conexão entre o sentimento popular e a postura da esquerda. A maioria dos manifestantes tinha até 25 anos. Ou seja, pessoas que iniciaram a participação política quando o PT estava para chegar ao governo. “Para elas, o PT faz parte do atual status quo da sociedade e o raciocínio é fácil: está tudo mal, a política é sujeira e quem preside o país? O PT”, diz. No entanto, o dirigente ressaltou a importância de maior participação na formação da consciência popular, através da qualificação da Educação, da indústria cultural e dos meios de comunicação. “É através desses disso que organizamos a sociedade e a maneira como interpretam os fatos”.
O professor Clímaco Dias (IGEO), acredita que as manifestações estão longe de terminar. “A rua é uma instância política autônoma. Vale lembrar que a comunicação também é feita nas relações cotidianas. Assim aconteceram revoltas históricas, como a Primavera Árabe. É o que Milton Santos chamou de período Popular da História”.
Para o doutor em Educação, Penildon Filho (ICS), os movimentos sociais são a chave, mas cabe às entidades atuarem com a capacidade de organização. Segundo Cláudia Miranda, presidente da Apub, as entidades sindicais têm importante papel na formação da consciência popular, enquanto espaço de reflexão e debate. “Não podemos ficar restritos. As manifestações nos impulsionaram a reabrir esses espaços”.
O engenheiro civil e professor Ubiratan Félix, presidente do Senge-BA e vice da Apub, sinaliza que foi feita uma movimentação para mobilizar a juventude a debater as demandas sociais, como mobilidade urbana, desenvolvimento sustentável, importância do movimento sindical e novos desafios.
Fonte e Foto: Tanara Régis/Senge-BA
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