Nota de repúdio da Apub à intervenção de policiais militares na Unifesp durante audiência pública sobre direitos humanos

A Apub Sindicato manifesta seu total repúdio à ação autoritária de policiais militares do estado de São Paulo, que invadiram o campus Baixada Santista da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) durante a realização de audiência pública que discutia o texto do Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos, convocada pelo Conselho Estadual da Condição Humana.

Centenas de policiais, fardados e inicialmente empunhando as armas, tomaram a sessão para defender a exclusão e mudança em parte dos conteúdos do currículo das escolas, como por exemplo a retirada da discussão de gênero e a mudança da nomenclatura de Ditadura Militar para Revolução de 1964. Ainda, houve clara defesa à candidatura de Jair Bolsonaro para presidente da República em 2018.

Muitos professores, técnicos e estudantes foram impedidos de participar da sessão. Além disso, durante a votação do projeto, os presentes foram intimidados e ameaçados por demonstrar oposição aos militares e suas proposições. Por fim, os policiais, que estavam em maioria, conseguiram aprovar na audiência a supressão de qualquer referência a direitos humanos no plano estadual, a eliminação do item que obrigava o Estado a garantir a permanência e combater a evasão escolar de minorias, e também foi suprimida a obrigação de formar agentes de segurança pública com base nos princípios dos direitos humanos.

O ocorrido não é um ato isolado, se insere em um contexto de ataques à democracia e aos direitos que se instalou no país. O uso autoritário das forças militares para defesa de ideias conservadoras, como a Escola Sem Partido, demonstra que estamos de fato vivenciando um estado de exceção no Brasil.

Por isso, mais uma vez, a Apub ratifica sua posição na luta em defesa da Universidade e Educação Pública de qualidade, socialmente referenciada e com respeito à diversidade humana. Também reafirmamos o enfrentamento, articulado com as centrais sindicais, movimentos sociais e Frentes, ao golpismo, aos cortes de investimento nos serviços públicos e aos retrocessos políticos e sociais.

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