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No dia 12 de junho, sindicatos e movimentos sociais realizaram, em Salvador, o Seminário Estadual da Frente Brasil Popular para discutir o Plano Popular de Emergência, documento elaborado por mais de 80 organizações sociais contendo uma série de propostas que apresentam saídas concretas e objetivas à crise política, social, econômica e ambiental do Brasil.  O documento está dividido em dez grandes eixos: democratização do Estado; políticas de desenvolvimento, emprego e renda; reforma agrária e agricultura familiar; reforma tributária; direitos sociais e trabalhistas; direitos humanos e cidadania; segurança pública; defesa do meio ambiente; política externa soberana; e direito à saúde, à educação, à moradia e à cultura.Confira aqui o documento na íntegra.

Pela manhã, o evento contou com a participação dos professores da Faculdade de Economia da UFBA, José Sérgio Gabrielli e Renildo Souza, que contribuíram com a análise de conjuntura, e da Secretária de Movimentos Sociais da CUT Nacional, Janeslei Aparecida Albuquerque.

Gabrielli fez uma análise política das frações de classe (setor financeiro/rentista, parte do judiciário, grande burguesia empresarial, parte da classe política, entre outros) que se uniram para consumar o golpe em 2015 e implementar o projeto neoliberal no país, a partir do propostas de reformas do Estado – a exemplo da aprovada PEC do teto dos gastos que corta investimentos sociais, e das reformas da previdência e trabalhista ainda em tramitação. O professor explicou ainda que a crise econômica não tem origem no aumento de gastos e sim na queda da arrecadação. Porém, o governo perdoa dívidas e isenta bancos e empresas que faturam bilhões, em detrimento da população trabalhadora, que sofre com os cortes em investimentos sociais e com a retirada de direitos. Para ele, há uma questão central no debate sobre a crise: quem vai pagar a conta dos ajustes?

A exposição do professor Renildo enfatizou a dinâmica política e os diversos fatos que alteraram o cenário brasileiro em pouco tempo. O conteúdo de sua explanação pode ser revisitado no texto que escreveu e foi publicado pela Apub (acesse aqui o artigo). Segundo ele, nos últimos anos, predominou uma crise de projeto da esquerda e por isso, a importância do lançamento do Plano Popular de Emergência neste momento.

A explicação sobre o que é Plano e como ele foi construído ficou por conta da também professora, da Rede de Ensino Básico do Paraná, Janeslei. Ela esclareceu que o documento serve como diretriz para embasar as discussões sobre as saídas possíveis para a crise na perspectiva da classe trabalhadora; ainda ressaltou a necessidade de fazer o lançamento nas entidades, nos bairros, escolas, associações, etc., utilizando o documento como instrumento de trabalho de base para democratizar a discussão, promover formação política e organizar a população em torno de um projeto comum.

No mesmo dia, à tarde, discutiu-se o histórico, a organização e as bandeiras de luta da Frente Brasil Popular. Do encontro, tirou-se o encaminhamento de organizar o evento de lançamento oficial do Plano na Bahia. Além disso, as entidades se comprometeram com a divulgação do material e também pensar atividades para lançá-lo em suas bases. A Apub participou da atividade, representada pela presidente do Sindicato Luciene Fernandes.