É preciso derrubar as barreiras impostas às mulheres na carreira científica

É preciso derrubar as barreiras impostas às mulheres na carreira científica

Durante a maior parte da história do nosso país, o papel da mulher na sociedade ficou circunscrito aos cuidados domésticos. Pouco acesso à educação, associado a expectativas sociais limitantes, impuseram essa dinâmica como a “adequada” ou “natural” ao universo feminino.

Essa realidade vem passando por avanços importantes e ganhando força nas últimas décadas, especialmente pela luta dos movimentos feministas.

As mudanças são perceptíveis, e atualmente mulheres ocupam cargos e posições que seriam exclusividade masculina há poucas décadas. Todavia, o contexto de luta e superação continua norteando as escolhas e os caminhos das mulheres.

A relação capital x trabalho nunca favoreceu sua inserção no mercado. E exatamente por isso é necessário lançar luz a questões que desestimulam a entrada de mulheres no meio científico, desencorajam a sua permanência e impedem sua ascensão.

De acordo com dados do estudo “Decifrar o código: educação de meninas e mulheres em ciências, tecnologia, engenharia e matemática”, publicado pela UNESCO, apenas 35% de mulheres escolhem carreiras associadas a essas áreas de atuação.

O descompasso numérico já aciona indicativos que reverberam em diversas etapas do percurso acadêmico-científico dessas mulheres.

Eliminar as desigualdades de gênero

Mobilizar esforços, e diminuir essa discrepância até que um dia ela acabe é questão tão necessária que, em 2016, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. Segundo a organização, aliar ciência e igualdade de gêneros são iniciativas vitais para alcançar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

A expectativa é que programas e incentivos realizados nessa direção diminuam essa diferença.

Um artigo publicado na Nature Magazine há alguns anos mostrou que as mulheres eram responsáveis por quase 70% do total de publicações de cientistas brasileiros entre 2008 e 2012, um dos maiores índices do mundo.

Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), hoje as mulheres são cerca de 54% de quem faz doutorado no Brasil, o que representa um aumento de 10% nas últimas duas décadas.

Apesar dos avanços, toda essa análise estatística positiva ainda não é suficiente para equalizar esse contexto assimétrico.

Embora a participação das mulheres tenha aumentado, a desigualdade permanece, inclusive na concessão de bolsas e espaços em publicações internacionais, além de serem menos citadas.

Entre pesquisadores que recebem Bolsa Produtividade – um subsídio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – há apenas 23% de mulheres no nível mais elevado da carreira (PQ 1A). E há apenas 14% de mulheres na Academia Brasileira de Ciência.

Regra, não exceção

Mesmo diante desse cenário tão desafiador, não faltam exemplos de cientistas admiráveis e premiadas no cenário brasileiro, como Ester Sabino e Jaqueline Goes de Jesus, pesquisadoras da Universidade de São Paulo (USP) que coordenaram o sequenciamento genético do novo Coronavírus apenas 48 horas depois da confirmação do primeiro caso em solo nacional.  Jaqueline fez seu doutorado na Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Como esses, existem inúmeros outros exemplos. Mas ainda há também um grande caminho a ser percorrido.

Precisamos derrubar, um por um, todos os mecanismos criados para impedir que as mulheres ocupem seu lugar no meio científico.

Fonte: APUB

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on email
Email
Share on whatsapp
WhatsApp
Close Menu