No Brasil de Bolsonaro, só se pode ensinar o que os ruralistas permitem?

Inúmeras vezes, Bolsonaro declarou, sem pudor algum, que seu governo é dos “ruralistas”. Dito e feito. Nunca antes na história recente desse país acompanhou-se tantos retrocessos.

O agronegócio, por exemplo, tomou conta da Funai e travou a execução da política indigenista brasileira prevista na Constituição Federal. Isso sem falar no descaso com as áreas de proteção e conservação ambiental.

Largadas à própria sorte, as reservas indígenas tornaram-se alvo de inúmeras crueldades e de crimes hediondos, como o verificado na comunidade Aracaçá, em Roraima. O local, que pertence ao povo Yanomami, foi incendiado após a denúncia de que uma menina de 12 anos foi estuprada e morta.

No Brasil de Bolsonaro, os extremistas promovem a perseguição a qualquer um que diga algo que desagrade aos ruralistas. A situação é tão preocupante que um professor de Biologia do Rio Grande do Sul foi atacado por mostrar a relação entre carne, arroz e efeito estufa aos estudantes do ensino médio, sendo que sua apresentação não tinha nenhum viés político.

Perseguição

Alvo de todos os tipos de ataques nas redes sociais, o professor sofreu ameaças graves que o afastaram da rotina nas salas de aula. Ele tem 22 dos anos de docência e, segundo relato, foi a primeira vez em que isso aconteceu.

Em vez de proteger o professor, os donos da escola, que é particular, publicaram um nota em um jornal local, para agradar aos agronegócio local.

Tudo isso aconteceu porque fotos de uma aula, publicadas com informações fora de contexto em grupos de WhatsApp, foram o gatilho para inúmeras demonstrações de ódio sem medida contra o educador. Lamentável!

Aliás, o Rio Grande do Sul coleciona excessos contra os profissionais da educação. Em março deste ano, um comentário criticando o desperdício de água por latifundiários, postado por outro professor em seu perfil pessoal de uma rede social, transformou-se em campanha de ódio, difamação e ameaças contra o educador. Os ataques, orquestrados por organizações do agronegócio e disseminadas por militantes extremistas, culminaram na demissão do profissional diante das pressões recebidas pela escola.

As duas situações provam que na educação privada, o lucro e os interesses em manter alunos/clientes é maior do que os interesses educacionais. Além disso, mostram o que aconteceria com docentes de instituições públicas caso projetos como a Reforma Administrativa avançassem, retirando a estabilidade que protege contra demissões injustas motivadas por interesses ideológicos, políticos ou partidários.

Com a barbárie instaurada até na educação, é preciso resistir.

Fonte: APUB

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