Para privilegiar o agronegócio, Bolsonaro deixa milhões de brasileiros passarem fome

Tentar transferir toda a culpa para a pandemia e para a guerra entre a Rússia e a Ucrânia para explicar o assustador número de 33 milhões de brasileiros que passam fome é quase como tentar “tapar o sol com a peneira”. A questão está diretamente relacionada com as decisões políticas do governo Bolsonaro.

Para se ter uma ideia da gravidade da situação, o total de pessoas em insegurança alimentar grave no país, ou seja, sem ter acesso aos itens básicos para três refeições diárias, praticamente duplicou em menos de dois anos. O dado alarmante é parte do estudo Vigisan, também chamado de Inquérito Nacional Sobre Segurança Alimentar no Contexto da Pandemia Covid-19 no Brasil, que foi divulgado no início de junho.

A pesquisa, desenvolvida pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan), com o suporte de seis entidades parceiras, revela que 33,1 milhões de brasileiros passam fome (15,5% da população que não tem acesso a, pelo menos, uma refeição diária). Vale a pena registrar que, em 2020, quando foi promovido o primeiro levantamento, eram 19 milhões de pessoas com fome no Brasil (9,1% da população).

Na prática, instituições de referência no combate à fome, como a ONG Ação da Cidadania, idealizada em 1993 pelo sociólogo e ativista dos direitos humanos Herbert José de Sousa, o Betinho, já vinham alertando sobre o crescimento exponencial dos índices desde 2016, ou seja, muito antes do novo Coronavírus chegar e de novo confronto de grandes proporções mobilizar nações. O que explica esse quadro?

Causas da fome no Brasil

Mas, afinal, por que tantos brasileiros estão passando fome? Uma das explicações para essa triste realidade está na mudança de foco na política de alimentos no país adotada por Jair Bolsonaro (PL). Em outras palavras, o Governo Federal privilegiou o agronegócio exportador em detrimento da agricultura familiar.

Tal medida afetou a produção de alimentos e a regulação de estoques públicos. O feijão, por exemplo, de acordo com informações da Ação da Cidadania, perdeu 70% de sua área nos últimos anos.

Importante lembrar que o agronegócio é um setor extremamente concentrado, que gera muita riqueza para uma quantidade muito pequena de pessoas, contrata pouquíssimos trabalhadores e se molda de acordo com as vontades do mercado internacional, e não das necessidades da população brasileira.

O desmonte de políticas como o Programa de Agricultura Familiar (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) também agravou a situação. Tudo isso, é claro, acompanhado de muita desigualdade social, já que ações voltadas à proteção também foram desmanteladas ou reformuladas com inúmeros equívocos.

O fato é que, de acordo com a pesquisa Vigisan, mais da metade da população brasileira (58,7%) está enfrentando, diariamente, a insegurança alimentar em algum grau. Isso significa mais de 125 milhões de brasileiros.

Quadro inaceitável

É inaceitável que milhões de brasileiros sofram com a fome, já que nosso país é um dos maiores produtores agrícolas do planeta. Os dados da Vigisan mostram um retrocesso em políticas sociais e isso é um ato criminoso e irresponsável. O que será do futuro do Brasil se continuarmos sem garantir o mínimo de condições de vida a todos os brasileiros?

Enquanto privilegia os empresários e os lucros exorbitantes do agronegócio, o Governo Federal dá as costas ao desenvolvimento social do país e deixa famílias inteiras desamparadas, afetando, principalmente, crianças, adolescentes e idosos. Até quando vamos resistir a essa aniquilação das conquistas obtidas nas últimas décadas?

Fonte: APUB

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