Defesa da Universidade pública e o papel dos docentes aposentados é tema de debate no VI Encontro de Professoras/es Aposentados da Apub

“Já estamos calejados, já vencemos tantas lutas, enfrentaremos esta também”, afirmou a professora Maristella Said ao falar sobre o momento político do Brasil na abertura da mesa, após a declamação do poema “Canto brasileiro” de Carlos Drummond de Andrade pela professora Rutildes Moreira, que iniciou o segundo dia do VI Encontro de Professoras/es Aposentadas/os da Apub, no Hotel Porto Bello, na Ondina.

Movida pelo tema desta edição, a mesa “Mudanças no Brasil: impactos e reações” contou com a presidenta do sindicato, Raquel Nery, que abordou especificamente os ataques à Universidade e os desafios colocados para o movimento docente, contextualizando o cenário nacional em que vigora a EC 95 do teto dos gastos, a Reforma Trabalhista e do Ensino Médio.

 “Somente 11,8% das instituições de ensino superior são públicas. Portanto, há um déficit de oferta de vagas, de acesso a Universidade pública. Nos últimos anos, houve uma tentativa de correção desse déficit, inclusive o Plano Nacional de Educação é resultado disso, principalmente fruto da intensa mobilização da militância do campo da educação, a Apub incluída nisso”, apontou Raquel. Paralelamente ao processo de expansão e democratização das Universidades públicas, houve também aumento da privatização da educação a partir das políticas de financiamento do governo federal. No entanto, o momento agora é de ameaça à existência da Universidade pública com tentativas de desqualificar, cortes de verbas e a proposição do Future-se. “Nenhuma nação superou seus problemas na modernidade sem investimento em educação e em ciência e tecnologia”, concluiu. Entre os principais desafios, pontuou a necessidade de realizar mobilizações, sistematizar informações e torna-las acessíveis à população, romper a bolha da comunicação e ampliar as articulações com os setores democráticos.

 “O Brasil só perde para o Chile do ponto de vista do número de matrículas em instituições privadas de ensino superior”, trouxe a diretora da Apub, professora Marta Lícia em sua exposição sobre o cenário desafiador do avanço da mercantilização da educação na América Latina. Apontou também questões sobre a defesa do projeto de Universidade para o país. “Mesmo com todos os ataques que estamos sofrendo, o principal desafio é conseguirmos nos definir, nos perceber e reconhecer como uma Universidade voltada para a defesa de uma educação pública, gratuita e inclusiva”, defendeu. Para ela, a realização deste projeto exige a incorporação de uma concepção epistémica e prática dos povos originários e afrodescendentes.

Fake News e pós-verdade – circunstância em que fatos e objetivos são menos importantes para formar a opinião pública do que emoções e crenças pessoas – foram os temas que nortearam a fala do professor Joviniano Neto. Para ele, a Universidade seria, teoricamente, o lugar mais adequado para enfrentar esses fenômenos e definir a defesa da ética e a busca da verdade, porque é o lugar da produção do conhecimento, da ciência, da filosofia, e toda essa ideia tem por trás a afirmação progressiva da verdade. “O fenômeno das fake news, as mentiras e boatos acontecem desde sempre. Mas virou um grande tema mundial após as eleições de Trump, principalmente.  Agora, o problema é que com a tecnologia e a inteligência artificial as mentiras viram ameaças muito maiores” e portanto, causam problemas e tem impactos mais agressivos.

O Encontro continuou ao longo do dia com palestra e prática de meditação, debate sobre política para aposentados e informes jurídicos (assista aqui o vídeo), que contou com a presença da advogada Laís Pinto para falar sobre a ação dos 3,17% e do advogado Pedro Ferreira para tirar demais dúvidas das professoras e professores presentes.

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