Em Assembleia, docentes da UFBA mantêm greve e sistematizam pauta de reivindicações

A primeira Assembleia Geral da Apub após a deflagração da greve de docentes na UFBA aconteceu no dia 09 de junho, no auditório da Faculdade da Arquitetura. Mais de 200 professores e professoras participaram e a ampla maioria votou pela continuidade da greve que já dura 13 dias. Na mesma ocasião, a plenária sistematizou a pauta de reivindicações, que inclui a defesa da educação pública e a reestruturação das carreiras e salários dos docentes. Também foi decidida a ampliação do Comando de Greve e definida a data de 18 de junho para a realização de uma nova Assembleia que irá avaliar o movimento. (Abaixo os demais encaminhamentos)

Cláudia Miranda, presidente da Apub, abriu a Assembleia lembrando as circunstâncias da deflagração da greve e relatando algumas atividades realizadas desde aquele dia, como o Dia Nacional de Paralisação, em 29 de maio. Ela também informou sobre a resolução da plenária da CONDSEF do dia 31 de maio, que definiu indicativo de greve dos servidores públicos federais a partir da primeira quinzena de julho. Logo após, a plenária homologou os nomes do Comando Local de Greve. Realizada a homologação, Cláudia Miranda passou a coordenação dos trabalhos para a vice presidente Livia Angeli, o diretor Cláudio Lira e os integrantes do Comando, Carlos Zacarias e Selma Silva.

A professora Sara Cortes iniciou os informes com o relato da sua participação nas reuniões do Comando Nacional de Greve entre os dias 03 e 06 de junho, enfatizando que a greve é nacional.  Na ocasião participaram 9 seções sindicais e a Apub Sindicato. Eles debateram a pauta de reivindicações, elaboram documentos de esclarecimento sobre os motivos e objetivos da greve e uma agenda de atividades. Em seguida, o professor Diego Marques, representando o Comando Local de Greve, também fez seu relato, detalhando as primeiras reuniões e trabalhos, as Comissões que foram formadas e seus e-mails de contato. Segundo o professor, o Comando ainda não tem um quadro completo das unidades que aderiram à greve, “mas pelo que a gente tem colhido nas unidades ao longo das nossas atividades, percebemos que o índice de paralisação é muito grande”, disse.

Para fundamentar a discussão da pauta de Avaliação da Greve, a professora Sara Cortes retomou a fala abordando os cortes no orçamento das IFES; o professor Jair Batista apresentou as propostas para Carreira e salários homologadas pelo Proifes-Federação e pelo Andes-SN.

Consolidação e fortalecimento. Durante o debate, muitos professores e professoras destacaram a necessidade de consolidação da greve. O professor Carlos Zacarias (FFCH) afirmou que diversos segmentos da educação deflagraram greve. Nas IFES, por exemplo, 48 instituições têm algum segmento em greve. “A UFRJ não tem greve de docentes, mas tem greve discente (…) então o quadro que se estabelece nacionalmente é de greve generalizada”, disse.

O professor Luiz Antônio Filgueiras (Economia) destacou que “nossa greve está em construção”. Segundo ele, “é um processo de transformação de opiniões e convencimento dos colegas. Nós precisamos ainda ter uma série de ações no interior da UFBA para consolidarmos a greve”, continuou. Ele também enfatizou que “nossa greve, na minha opinião, não tem a perspectiva de mudar a política econômica do governo. Ela é em defesa da universidade pública e um protesto contra a política econômica”. Para a professora Celi Taffarel (FACED), além da necessidade de convencimento, é preciso construir a pauta local de greve, como forma de unificar a base “É preciso que a gente faça um trabalho nas unidades para rever a pauta local”, disse. Um passo fundamental para consolidação apontado pelos docentes é a suspensão do calendário acadêmico pelo Consuni, desse modo, haveria uma maior tranquilidade também entre os estudantes. “Precisamos ter o reconhecimento da greve, institucionalmente, pelo Conselho Universitário”, afirmou o professor Filgueiras. A unidade entre os diversos setores da UFBA também foi destacada como parte essencial da construção e fortalecimento da greve. Algumas universidades estão com greve nos três setores, esse é o caso da UFBA”, disse Carlos Zacarias. A professora Sandra Marinho afirmou que existe uma relação dialética entre a greve dos professores e estudantes, onde uma reforçaria a outra.

Para além das questões locais, muitos presentes na Assembleia destacaram a necessidade de construção de uma Greve Geral como única forma de enfrentamento das políticas de cortes e ataques aos direitos trabalhistas. “É preciso pressionar as centrais, especialmente a CUT, que é a maior central desse país, para a gente construir a greve geral porque não é possível que uma categoria única possa enfrentar e mudar a política econômica do governo”, disse o professor Carlos Zacarias. A presidente Cláudia Miranda lembrou, entretanto, que os protestos contra o ajuste fiscal e os ataques aos direitos trabalhistas não começaram no dia 28 com a deflagração da greve. “Já estamos nessa luta há mais tempo”. Entretanto, numa greve por tempo indeterminado não se pode perder o foco das reivindicações. “Os docentes no dia 28 aprovaram uma greve por duas questões centrais: a primeira delas contra os cortes na educação e seus impactos sobre as universidades federais. Essa foi uma questão motivadora. Mas, também, é importante dizer que o indicativo de greve foi para que o governo apresente uma contraproposta para a categoria”, finalizou.

Encaminhamentos Assembleia Geral 09/06

– Continuidade da greve

– Nova Assembleia Geral para o dia 18/06

– Ampliação do comando de greve

– Definição da pauta de reivindicações:

  • Verbas públicas para a educação; por uma UFBA pública, gratuita e de qualidade
  • Não aos cortes do orçamento do Ministério da Educação
  • Não ao contingenciamento do orçamento das IFES
  • Contra a retirada de direito dos trabalhadores
  • Pela valorização da carreira docente, por sua reestruturação e por reajustes salariais reais
  • Rejeição à contratação de professores através de organização social
  • Autonomia universitária

– Participação no Ato das estaduais no Iguatemi, dia 10/06

– Plenária estadual em defesa da educação

– Realização de debates a respeito das pautas da greve

– Solicitar pesquisa ao DIEESE sobre a situação de perdas salariais dos docentes

– Solicitar reunião do CONSUNI para cobrar posicionamento político ao Conselho

-Participar da construção da greve geral das centrais sindicais: os delegados eleitos para o Congresso da CUT defenderão a greve geral

– Apoiar o ato da CONDISEF no dia 25/06

– O Comando de Greve deve construir atividades de constrangimento pedagógico, entre elas a divulgação dos deputados que votaram a favor das MPs e debate sobre o impacto das MPs na vida das mulheres

– Nota do Comando de Greve no jornal A Tarde de domingo

– A prof. Selma Silva foi indicada para ser delegada do Comando Nacional de Greve

– Participação nos atos dos dias 15/06 (Apub, Assufa e DCE na reitoria da UFBA), 16/06 e 17/06 (Apub, Assuba e DCE – Universidade na Praça)

– Construção da Plenária estadual em defesa da educação proposta pelo Sinasefe
– Inclusão da insalubridade na pauta local
– Atualização da pauta local
– Auditoria cidadã da dívida pública
– Unificação da pauta dos três segmentos da UFBA
– Debate sobre aposentadoria (Funpresp)
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