Movimento docente, direitos humanos e cultura sindical na pauta do 3º dia do XVIII Encontro Nacional do PROIFES

Participantes do XII Encontro Nacional do PROIFES-Federação abordaram nesta sexta-feira (28) o tema “Os desafios do Movimento Docente”, com amplo debate sobre direitos humanos, gênero, cenário político, pesquisa, direitos trabalhistas, dentre outros assuntos. A mesa foi conduzida pelo vice-presidente do PROIFES-Federação e presidente do Adufg Sindicato, Flávio Alves da Silva, e por Socorro Coelho, do SINDPROIFES-PA.

O professor Cluvio Soares Terceiro (ADUFRGS) abriu as discussões falando sobre direitos sociais e trabalhistas. O docente discorreu sobre a necessidade da construção de uma proposta coletiva para debater os direitos da criança e dos pais. Em seguida, as professoras Luciene Fernandes (presidenta da Apub Sindicato) e Matilde Alzeni dos Santos (ADUFSCar) falaram sobre as mulheres no movimento docente e no movimento sindical. Luciene destacou que “apesar dos avanços, ainda existe um processo de exclusão e marginalização das mulheres” e que as mulheres permanecem em minoria nos sindicatos e não ocupam cargos de destaque.

a diretora da Apub Leopoldina Menezes continuou o debate apresentando o registro histórico do Grupo de Trabalho (GT) Direitos Humanos: raça/etnicidade, gênero e sexualidades do Proifes Federação. A docente destacou o GT como espaço de efetivação da discussão e enfatizou a necessidade de uma nova cultura sindical de superação do racismo, sexismo, misoginia, homofobia e de exclusões. O professor Gil Vicente (ADUFSCar) abordou a questão de gênero entre associados do seu sindicato e apresentou uma análise na qual a disparidade na ascensão na carreira entre homens e mulheres é acentuada.

O professor Ênio Pontes (ADUFC Sindicato) apresentou dados sobre “O cenário político, a Educação e a Pesquisa científica no Brasil” e ressaltou os impactos da instabilidade política associado à educação pelo qual passa o país. Segundo o professor, houve redução de 44% dos investimentos no setor de ciência e tecnologia e, embora o Brasil tenha uma “condição muito boa de posicionamento na América Latina, falta apoio para financiamento da pesquisa, com burocracias nas agências de fomento, dificuldades para aprovar projeto junto ao governo, cortes elevados nas verbas destinadas à pesquisa”. O corte de investimentos na área foi “muito grave e a única maneira de diminuir o impacto desses cortes, no curto prazo, seria retomar os investimentos nas universidades públicas e institutos de pesquisa”, disse o professor.

No mesmo tema, o professor Ricardo Carvalho, vice-presidente da Apub, destacou a necessidade de “amadurecimento das nossas intervenções. Muito recentemente que o movimento sindical começou a aceitar a questão das bolsas de produtividade”. O docente falou das relações da produção científica com o ensino, destacando que o “ambiente de pesquisa no Brasil foi criado lá pelos anos, inclusive as maneiras de avaliação e de desenvolvimento”. “Quando falamos em pesquisa estamos falando de soberania no domínio tecnológico, de democracia e de desenvolvimento popular também”, afirmou.

A professora Ana Christina Kratz (Adufg sindicato) trouxe para o debate um artigo escrito em conjunto com o professor Peter Fischer (Adufg Sindicato) sobre “O desafio da negociação em tempos de crise”. Em sua fala, a docente ressaltou que há muita expectativa na negociação e que é preciso chamar atenção para essa expectativa. “Muita gente está mais interessada em conquistas do que na luta. Nós aqui temos a percepção de que a luta é muito importante, e é. Mas se olharmos nos nossos sindicatos teremos a impressão de que a gente sempre conversa entre nós, temos dificuldade de fazer uma discussão da luta com muitos professores”.

Ana Christina Kratz enfatizou a “necessidade imperiosa de usar os meios de consulta para entender o que chamaria essas pessoas para a luta” e a importância de melhorar a qualidade da reivindicação. “Temos reivindicações políticas e não podemos mudar. Temos que saber: quais as reais negociações, quais são essas reivindicações? Acabamos de falar na necessidade de dinheiro para a pesquisa, precisamos conhecer o Congresso Nacional, buscar, diálogo com nossos representantes, pensando na pluralidade partidária, usar uma linguagem para a base”, concluiu.

Na mesma linha de raciocínio, o professor Nivaldo Parizotto (UFSCar) falou do desafio de criar e manter o debate sobre os desafios da luta sindical. O professor chamou atenção da plateia para a necessidade de um novo sindicalismo, com aceitação das mídias sociais, com aceitação da votação eletrônica como instrumento de integralização do processo decisório, tornando sempre e reafirmando que isso é nos dias atuais o exercício pleno da democracia”.

“Programa de transição para o Brasil” foi o tema apresentado por Otávio Bezerra Sampaio (Sindiedutec). O professor apontou como fundamental a existência de sindicatos combativos, lideranças comprometidas com o projeto de libertação da classe trabalhadora e a organização dos sindicatos de base, dentre outros temas. Por último, encerrando a discussão do tema, a docente Rosângela de Oliveira (Sindiedutec) apontou a importância e também necessidade de ampliar e dar visibilidade às discussões realizadas no evento e propôs uma formação política docente ampliada e embasada a partir das discussões do XIII Encontro Nacional do Proifes-Federação.

As propostas dos professores e professoras foram votadas pelos delegados e delegadas presentes no Encontro. As decisões serão submetidas ao Conselho Deliberativo do PROIFES-Federação, em reunião que acontece no próximo domingo, 30. O XIII Encontro Nacional do PROIFES segue neste sábado, dia 29, com debates sobre “Os impactos das reformas do Estado na Educação Brasileira”.

Fonte: PROIFES-Federação

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