Produção e consumo do Petróleo são temas de segundo dia de curso na Apub

Continuou neste sábado (22) o curso “Geopolítica do Petróleo”, ministrado pelo professor José Sérgio Gabrielli. Já na abertura, ontem, o professor ressaltou a importância estratégica do óleo no mundo atual e, na manhã de hoje, aprofundou-se nos aspectos de produção e consumo.

Foram abordados os tipos de petróleo existentes, traçando as diferenças entre os óleos leves e pesados e o papel das refinarias no processamento. Sobre o caso específico brasileiro, ele explicou que atualmente produzimos cerca de 2 milhões e 300 mil barris por dia e que, embora as refinarias brasileiras estejam atualizadas e em boas condições, sua capacidade de crescimento é limitada. Desse modo, para destilarmos maior quantidade de petróleo teríamos que necessariamente construir novas refinarias. “Se a demanda [por petróleo no Brasil] aumentar, teremos que importar derivados”, disse.

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Fontes alternativas

Em relação às fontes alternativas de energia, Gabrielli afirma que ainda é difícil encontrar um substituto para o petróleo, tal é a dependência que a sociedade tem do produto. “Somos ‘viciados’ em petróleo”, ele diz. Especialmente, no uso para os meios de transporte. Na eletricidade e na indústria, utiliza-se o carvão e o gás natural. A energia solar é a fonte alternativa que mais cresce, principalmente na China, seguida da eólica; ainda assim, todas as fontes alternativas reunidas representam apenas 1,5% da matriz energética mundial. Razão pela qual Gabrielli é taxativo a afirmar que “o petróleo vai demorar muito ainda para ser substituído”.

Consumo Mundial

Uma parte do curso foi voltada para expor as variações do consumo de petróleo ao longo da História, em nível mundial. Gabrielli apresentou um panorama de 1965 a 2015, ressaltando que o consumo vem aumentando em países fora da OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, formada por 34 países, entre eles Estados Unidos, Japão, Alemanha, França e Reino Unido). Significa que o consumo começou a crescer fora dos países desenvolvidos, notadamente nos BRICS, em especial China e Índia. Já o consumo da OECD vem em declínio a partir de 2005. No Brasil, o consumo acelera a partir de 2003.

Diante do quadro de uma dependência de petróleo que deve se manter pelas próximas décadas e da escalada do consumo nos países em desenvolvimento, Gabrielli afirma que o óleo torna-se cada vez mais, uma commoditie estratégica e que a tendência dos Estados é aumentar seu controle sobre ele. “O Brasil está fazendo o inverso.”, alerta.

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