Em reunião com o reitor, entidades discutem a crise orçamentária da UFBA e papel político da universidade

Após a divulgação da primeira carta à comunidade da Universidade Federal da Bahia, anunciando medidas de economia de até 25% nos recursos da instituição, a Apub, Assufba, APG e o DCE se reuniram para discutir a repercussão da crise. O primeiro encaminhamento dessas reuniões foi cumprido na  terça-feira (14), quando representantes das entidades tiveram uma audiência com o reitor João Carlos Salles. Da Apub, estiveram presentes a presidente Cláudia Miranda e o diretor acadêmico Cláudio Lira. A pró-reitora de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil, Cássia Maciel e o vice reitor Paulo César Miguez também participaram. “As entidades já tiveram duas reuniões. Vimos que existe a necessidade de uma articulação para entender a dimensão dessa crise e suas consequências para que possamos fazer uma leitura da crise numa perspectiva mais ampliada”, disse Cláudia Miranda. Ela também afirmou que a universidade precisa se engajar no processo de enfrentamento da ascensão do conservadorismo no Brasil. Seguindo esta linha, Cláudio Lira lembrou que, no momento, há um ataque aos direitos dos trabalhadores com a aprovação do PL 4330 e ressaltou que a universidade precisa dialogar para além da academia. “A universidade pública é o espaço no qual a classe trabalhadora pode ter uma formação de qualidade. Esse ataque coloca em risco tanto a universidade tal como ela é, como nós a conhecemos hoje, quanto a própria possibilidade de formação dos filhos dos trabalhadores”, disse.

Durante a audiência, as entidades enfatizaram sua disposição à unidade e ao diálogo, porém, não deixaram de pontuar que as consequências do corte de verbas já estão sendo sentidas no dia a dia da universidade. Os estudantes destacaram especialmente a situação do restaurante universitário, do BUZUFBA e lembraram que uma das pautas do movimento estudantil é o orçamento participativo.

O reitor explicou que as duas cartas à comunidade divulgadas tinham o objetivo de mostrar transparência da administração central e esclarecer a real situação das contas da universidade. “Vocês podem notar que nós tivemos um esclarecimento objetivo, sem acusações, sem ilações. (…) Colocamos claramente o déficit”. Ele também destacou a disposição da reitoria de abrir espaço para os grandes debates, como o da terceirização. “Acho que isso faz parte das ações que são próprias da reitoria: abrir todos os espaços, afastar todos os obstáculos, convidar para o debate mais franco possível diversas forças políticas, diversos pensadores e estabelecer um diálogo forte com os movimentos sociais”.

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