Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista

Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista

No dia 20 de novembro celebramos o Dia da Consciência Negra. A data é uma referência à morte de Zumbi dos Palmares, último líder do Quilombo dos Palmares, morto em 1695.

Sua vida foi marcada pela luta contra a escravidão que terminou oficialmente 190 anos após sua morte  — no dia 13 de maio de 1888, com a Lei Áurea.

Zumbi, durante a sua vida, conservou muito respeito e admiração de seus compatriotas quilombolas, por causa de suas habilidades como guerreiro, sua coragem, liderança e conhecimentos de estratégias militares.

O Dia da Consciência Negra, inspirado em Zumbi, marca a importância dos debates e das ações em torno da temática da questão racial, visando o combate ao racismo e à desigualdade social no país. Fala-se também sobre avanços na luta do povo negro e sobre a celebração da cultura afro-brasileira.

Qual a importância das discussões sobre o racismo?

Essas lutas mostram a importância de discutir o racismo nos dias atuais, quando ainda vemos os dados da desigualdade racial que persiste no Brasil, mas principalmente na Bahia, que abrigou uma das maiores confluências de negros escravizados do Brasil colonial, junto com Rio de Janeiro e Pernambuco.

A Bahia continua a preservar a herança africana, tão flagrante em sua cultura. O estado tem 81% da população autodeclarada preta ou parda.

Um levantamento anual feito pela Rede de Observatórios da Segurança aponta que 96,9% das pessoas com cor e raça informadas, assassinadas pela Polícia Militar da Bahia, em 2019, eram negras: das 489 vítimas por intervenção policial identificadas, 474 eram pretas ou pardas.

Um recente estudo intitulado ‘Desigualdades Sociais por Cor ou Raça’, realizado em 2018 pelo IBGE, apontou que o rendimento médio domiciliar per capita de pretos ou pardos é cerca de 30% menor que o dos brancos na Bahia, e quase metade (-47,3%) em Salvador. Na capital, a desigualdade salarial por cor ou raça supera a causada pela informalidade, e trabalhadores brancos informais ganham, em média, 5,3% mais que pretos ou pardos formalizados.

O mesmo estudo indica que o maior contingente de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza está entre os que se declaravam pretos ou pardos, 43,8%, ou 5,3 milhões de baianos. Entre os brancos, o percentual de pobres era 38,6%, cerca de 1 milhão de pessoas.

Por mais políticas de promoção da igualdade nas Universidades

Diversos avanços, como criação de disciplinas, grupos de pesquisa, de acolhimento, coletivos, publicações, audiovisuais, artes visuais e programas são breves exemplos de como as universidades têm lidado com a questão étnico-racial (negra).

Contudo, isso não significa que os problemas foram integralmente superados e que as comunidades acadêmicas de todo o país estejam isentas da responsabilidade de enfrentá-los.

Outro aspecto importante é a ocorrência de racismo no ambiente universitário em diversos locais do país, mesmo em meio a estudantes, docentes e servidores.

Mas ainda existe dentro do espaço universitário brasileiro um conjunto importante de denúncias de racismo que, às vezes, esbarram em algumas dificuldades institucionais. Fato esse que tem gerado expressivos protestos, principalmente estudantis.

A urgência da luta antirracista

Diversas políticas públicas de inclusãoe redução da pobreza permitiram um processo de redução das desigualdades raciais no Brasil nos últimos anos. No entanto, a disparidade ainda permanece alta.

Existem aspectos da desigualdade que não estão diretamente associados a bens e recursos, mas que atingem diariamente a população negra como a brutalidade policial contra jovens negros; e estereótipos raciais, que atingem a autoestima, a cultura e a saúde mental da população negra.

Apesar dos inegáveis avanços no Brasil, principalmente entre 2003 e 2016, o caminho é longo, especialmente porque desde 2019 nosso país é governado por um presidente com histórico de racismo e que estimula suas milícias digitais a agir contra qualquer tentativa de avanço social.

É por isso que não é suficiente não ser racista. É preciso ir além de denunciar o crime de racismo ou a injúria racial. É necessário ser antirracista, ser agente da mudança, com ações que medidas que promovam o enfrentamento estrutural e institucional ao racismo.

Essa luta vem ganhando espaço em todos os cantos do planeta. Nos últimos anos, diversos movimentos antirracistas cresceram por causa das mortes de pessoas negras em diferentes países do mundo, em crimes que ocorreram notadamente com recortes raciais.

O assassinato brutal de George Floyd, um homem negro de 46 anos, por um policial branco da cidade de Mineápolis, no estado norte-americano de Minnesota, levou a um movimento generalizado de revoltas contra o genocídio da população negra nos Estados Unidos, que ganhou o mundo.

Aqui no Brasil, na esteira dos movimentos dos Estados Unidos (especialmente do Black Lives Matter, criado em 2013) mudanças são perceptíveis, especialmente com o crescimento da intolerância de partes consideráveis da sociedade quanto à violência racial.

O primeiro passo é perceber que esses não são casos isolados. São parte da dinâmica de opressão contra o povo negro, que perpassa pela ocupação histórica da América através da escravidão.

É preciso ir a fundo e fazer um enfrentamento real para que essas marcas sejam abolidas do nosso contexto social.

Fonte: APUB

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on email
Email
Share on whatsapp
WhatsApp
Close Menu