Por que os extremistas e as elites têm medo das universidades públicas?

Desde 2018, momento em que as redes sociais se tornaram palco para a construção da perturbadora eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência da República, as universidades públicas tornaram-se alvo dos extremistas de plantão.

Só que há basicamente dois tipos de extremistas: os que acreditam na ideologia que pregam; e os que não acreditam, mas pregam a ideologia pensando em faturar algo.

De forma geral, os extremistas que são formadores de opinião, seja atuando nas redes sociais, na imprensa ou como políticos eleitos, estão no grupo dos que não acreditam em quase nada do que falam, mas continuam repetindo suas verborragias porque faturam algo com isso: votos, dinheiro, propina, seguidores (consequentemente, dinheiro de patrocínio) e etc. São, basicamente, oportunistas.

Já aqueles que os seguem, muitas vezes acabam realmente acreditando nas mentiras e sandices e se tornam ideologicamente extremistas. São esses que precisam ser alimentados frequentemente com fake news e paranoias conspiratórias para serem mantidos no extremismo. São esses que agem como exército, somando-se a perfis falso e robôs de internet, para espalhar ódio e intolerância.

Ódio ou medo?

É verdade que o ódio se tornou arma política e ajudou a eleger não apenas Jair Bolsonaro como presidente, mas inúmeros outros deputados federais e estaduais, senadores, prefeitos e vereadores nas últimas eleições.

O ódio é uma forma de ação irrigada no coração dessas pessoas.

Mas o ódio não é novo. Uma parte das elites brasileiras (considerada uma das mais mesquinhas do mundo) sempre teve ódio de pessoas pobres, dos negros e de quem pensa diferente delas.

Mas é o medo o sentimento que move com mais facilidades as cadeias de ódio.

E é o medo é que conduz as ações das elites contra as universidades públicas.

Afinal, nas salas e corredores dessas instituições é que se promove a reflexão e a construção do conhecimento que coloca em xeque modelos de exploração econômica da população, além de promover a desmistificação dos conceitos e padrões que mascaram as mazelas gritantes percebidas de Norte a Sul do Brasil.

É o medo de que as pessoas entendam os mecanismos de controle de dominação que perpetuam os problemas sociais e as desigualdades (de raça, de gênero, de classe social e tantas outras).

É por medo que o governo Bolsonaro pavimenta sua política suja para manter o país nas trevas. Sem educação, não há senso crítico, questionamento ou uma reflexão mais apurada sobre a diversidade e o respeito às diferenças.

O medo do governo é que as pessoas entendam sua forma de agir e, principalmente, seus objetivos (que estão muito mais ligados a interesses econômicos e financeiros do que a disputas sobre questões moralistas).

A liberdade de pensamento e de expressão, estimulada nas universidades públicas, dá voz às minorias, aos chamados excluídos, e isso é algo que as elites abominam. E já que as elites têm pavor disso, o governo Bolsonaro também tem, afinal, o presidente não sofreu impeachment, mesmo após cometer diversos crimes de responsabilidade gravíssimos, porque tem o compromisso de implementar medidas que beneficiam exclusivamente essas mesmas elites. Só por isso.

É justamente essa mistura de interesses que unem Bolsonaro e as pessoas de seu entorno com as camadas mais ricas e mesquinhas do país. Não por acaso, é na camada dos super ricos que Bolsonaro tem mais apoio, segundo as pesquisas de opinião.

Como criar fake news que enganem facilmente as pessoas se elas forem capazes de refletir e identificar mentiras com facilidade? Como manter um governo que promove a destruição do país e retira direitos se as pessoas tiveram consciência sobre seu próprio papel na sociedade?

Lei das Cotas causa medo nas elites

As elites e os extremistas tremem com as cotas. A lei, que chega ao 10º aniversário em 2022, democratizou o acesso à universidade pública. Essa quebra de paradigma também gera um sentimento de pertencimento e protagonismo na população negra, e isso incomoda racistas. Aí sim a ideologia se manifesta entre os extremistas.

Já as elites, majoritariamente brancas, se incomodam porque perderam o espaço que lhes era garantido por meio do sistema de exclusão social, que excluía a população negra do ambiente acadêmico antes das cotas.

Além disso, quem acumula poder e riquezas às custas da dor alheia, também tem medo do que a universidade pública pode oferecer de positivo à sociedade, começando pelos estudos que mostram as origens das desigualdades econômicas e sociais do país.

Também têm medo de que as universidades públicas desenvolvam conhecimento e encontrem soluções para problemas sociais sem que as pessoas tenham que pagar por essas soluções.

O medo deles (extremistas e elites) é que cidadãos conscientes, estimulados a pensar com liberdade e criticidade, não se dobrarão mais às mentiras, manipulações e formas de dominação, que são as bases dos modelos de sociedade que esses dois grupos (extremistas e elites) propõem, muitas vezes, com interesses semelhantes.

Por essas e outras razões, o medo é que serve de combustível para a mobilização das elites e dos extremistas, na contramão de um mundo cada vez mais plural.

Às vésperas do pleito eleitoral de 2022, eles, com certeza, não vão economizar nas mentiras e na replicação das táticas de espalhar paranoias.

Por isso, devemos lutar pelo bom senso. É hora de começarmos a trazer nosso país de volta à civilidade, e de salvar a nossa universidade pública. 

Fonte: APUB

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