APUB SINDICATO DOS PROFESSORES DAS INSTITUIÇÕES FEDERAIS DE ENSINO SUPERIOR DA BAHIA

Aposentados – Dia Nacional dos Aposentados

Esta reflexão poderia começar com duas perguntas que se entrelaçam: o que é ser aposentado e qual a razão para existir um dia em homenagem a ele.

A primeira pergunta pode ser respondida de duas maneiras: de um ponto de vista com conotação meramente semântica, um mergulho no “Houaiss” nos mostra que aposentado é aquele ser “que goza de aposentadoria recebendo mensalmente a pensão que lhe é devida” e aposentadoria significando “afastamento do serviço ativo após completar os anos estipulados em lei para o exercício de atividade ou por limite de idade”, a compulsória, sendo o termo aposentadoria usado também para definir os vencimentos que o aposentado recebe mensalmente.

A outra forma de tratar a questão e que traria uma melhor resposta à pergunta seria com uma breve abordagem analítica do dia-a-dia do aposentado. Desde há várias décadas a aposentadoria está no radar de toda pessoa que, cotidianamente, desempenha atividade remunerada, quer no setor privado ou no público, municipal, estadual ou federal, para alguns como um sonho com promessa de merecido descanso sem obrigações e horários a cumprir e para outros apenas como a perspectiva alvissareira de uma vida menos atribulada, mas trazendo junto certa preocupação com um possível tédio a preencher os dias. De qualquer modo, a aposentadoria era desejada e esperada.

Nos dias atuais, após inúmeras e malfadadas reformas da Previdência que trouxeram enormes reduções nos valores daquela tão esperada pensão/aposentadoria o que se observa é que o trabalhador procura protelar ao máximo a sua aposentadoria tentando contornar os efeitos dessas reformas, submetendo-se à compulsória numa tentativa de evitar um degradante decréscimo na qualidade de vida pela redução do valor da pensão/aposentadoria em relação ao salário percebido quando na ativa. Não se pode esquecer também a indevida cobrança de contribuição previdenciária que incide mensalmente sobre esses vencimentos contra a qual lutam há mais de 20 anos! Lamentavelmente os resultados são pífios!


Não é somente a questão salarial que diferencia os vários grupos de aposentados. Se aqueles de décadas passadas viviam efetivamente um descanso praticamente recluso dedicado, em sua maior parte, para atividades totalmente domésticas no seio familiar, os aposentados mais recentemente e que integram o grupo cronológico, identitário, definido como “terceira idade” são ativos social e culturamente, participativos, criativos, usam a sua experiência e vivência para sugerir, criar, motivar situações interativas, físicas, emocionais e intelectuais que enriquecem os ambientes onde convivem. Alguns passam a ter importante papel como esteios financeiros para filhos e netos empobrecidos face aos desajustes financeiros ocorridos no país, frutos das reformas econômicas equivocadas implantadas pelos governos anteriores e todos enfrentam com garra o aperto financeiro provocado pelo aumento das despesas pessoais demandadas pela idade como mais remédios e seguros de saúde mais onerosos.

Os aposentados querem ser ouvidos, participam ativamente de todas as atividades sindicais, manifestam as suas opiniões com clareza e sólida argumentação, embora vez por outra sofram tentativas de cerceamento até mesmo e principalmente por seus pares, no grupo social e profissional a que pertencem, por meio de ações administrativas mesquinhas e até judicias por pareceres ordinários e inconsistentes. Se tudo isso não bastasse, os aposentados ainda enfrentam o “Idadismo” tão presente na nossa sociedade elitista e preconceituosa!

Por tudo isto, um dia de homenagem – o Dia Nacional dos Aposentados – é justo e correto, pois representa o reconhecimento a tudo aquilo que eles fizeram quando na ativa, por tudo aquilo que construíram ao longo das suas carreiras além de ser uma expressão da confiança e expectativa positiva em relação à tudo que ainda podem fazer e contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, mais respeitosa, mais democrática, mais equânime e destituída de preconceitos.
SALVE OS APOSENTADOS! QUE PERMANEÇAM ATIVOS E VIGILANTES!

M. Marcos F. d’Aguiar Neto
Aposentado do IFUFBA/ Diretor Social e de Aposentados da APUB.

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