APUB SINDICATO DOS PROFESSORES DAS INSTITUIÇÕES FEDERAIS DE ENSINO SUPERIOR DA BAHIA

APUB promove debate sobre política de enfrentamento aos assédios, discriminação e racismo na UFBA

A APUB Sindicato realizou mais uma edição do Café com APUB na última quarta-feira (8), dedicada ao debate sobre a construção da Política de Prevenção e Enfrentamento aos Assédios e Discriminações da UFBA. A atividade, transmitida ao vivo, reuniu representantes da gestão universitária e da entidade sindical para discutir os avanços, desafios e perspectivas da iniciativa.

A mediação ficou a cargo do diretor de Comunicação e Cultura da APUB, Marco Cerami, que destacou a importância de ampliar o conhecimento e a participação da comunidade acadêmica na elaboração da política, atualmente em fase de consulta pública. As entrevistadas foram a chefe de gabinete da Reitoria, Denise Vieira, e a professora e ouvidora-geral da UFBA, Ana Cláudia Semêdo. A presidenta da APUB, professora Raquel Nery, foi a debatedora da edição na qual as convidadas apresentaram o histórico de construção da proposta, iniciada no contexto da pandemia, quando o aumento de conflitos e do sofrimento psicossocial na comunidade universitária evidenciou a necessidade de medidas institucionais mais estruturadas.

Segundo Denise, a política surge como parte de um conjunto mais amplo de ações voltadas à convivência universitária e à saúde mental. Ela ressaltou que a universidade implementou iniciativas como a rede de proteção psicossocial e o chamado “círculo de cuidado”, além da criação de uma Câmara específica para tratar dos casos de assédio. “A política é um primeiro passo, mas precisa ser acompanhada de outras medidas estruturais e culturais”, afirmou.

A ouvidora-geral, Ana Cláudia, destacou o caráter participativo do processo de construção da política, que envolveu docentes, técnicos, estudantes, entidades representativas e diferentes setores da universidade ao longo de cerca de um ano. As audiências públicas realizadas nos campi e em espaços institucionais, segundo ela, têm sido fundamentais para qualificar o texto. “A comunidade traz demandas concretas, questiona, critica e aponta caminhos. Isso tem enriquecido muito a proposta”, avaliou. Ela também ressaltou que, após o encerramento da consulta pública, as contribuições serão sistematizadas e analisadas por uma comissão, com previsão de encaminhamento do texto final às instâncias normativas da UFBA. O prazo para envio de contribuições segue aberto até 12 de abril, por meio de formulário disponibilizado pela universidade. 

Durante o debate, a presidenta da APUB, Raquel Nery, enfatizou o papel histórico das entidades sindicais na provocação e acompanhamento desse processo, além de destacar a importância de nomear e conceituar as diferentes formas de violência. “Dar nome às coisas é fundamental para que as pessoas reconheçam situações de assédio e saibam como agir”, afirmou.

Raquel também chamou atenção para o impacto dessas violências na saúde mental da categoria docente e para a necessidade de medidas de proteção mais claras, especialmente nas relações entre docentes e estudantes. Outro ponto destacado foi a dimensão estrutural das violências, que, segundo as participantes, ultrapassa a existência de normas e exige ações permanentes de prevenção, formação e mudança cultural. Nesse sentido, iniciativas como a Ouvidoria das Mulheres e projetos voltados à promoção dos direitos humanos e da convivência universitária foram citadas como estratégias complementares.

Ao final, as participantes reforçaram o convite para que a comunidade acadêmica contribua com a construção da política dentro do prazo estabelecido. Para a APUB, a iniciativa representa um avanço importante na institucionalização de mecanismos de acolhimento, prevenção e enfrentamento às violências, ao mesmo tempo em que abre caminho para novos debates sobre saúde mental e condições de trabalho na universidade.

Confira a íntegra dos debates:

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