APUB SINDICATO DOS PROFESSORES DAS INSTITUIÇÕES FEDERAIS DE ENSINO SUPERIOR DA BAHIA

APUB repudia declaração do presidente do Partido Republicanos sobre o fim da escala 6×1

A APUB Sindicato manifesta profundo repúdio às declarações do presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira, contrárias ao fim da escala 6×1. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o parlamentar afirmou que “ócio demais faz mal” e sugeriu que a ampliação do tempo livre poderia expor a população mais pobre a drogas e jogos de azar.

Para a presidenta da APUB, Raquel Nery, a declaração demonstra a total desvinculação de parte do parlamento com o povo brasileiro, além do desconhecimento sobre o que significa viver sob jornadas exaustivas. “A vida não se resume ao trabalho. A redução da jornada é condição para que trabalhadores e trabalhadoras possam exercer plenamente direitos básicos, como o acesso à cultura, à educação, ao convívio comunitário e ao descanso”, afirma.

Segundo Raquel, o questionamento do parlamentar sobre “qual é o lazer de um pobre numa comunidade?” reforça preconceitos históricos e ignora as múltiplas formas de vida, cultura, sociabilidade e produção de sentido que existem nas periferias urbanas, nos interiores e no sertão nordestino.

O debate sobre o fim da escala 6×1 envolve, sobretudo, dignidade. Trata-se da possibilidade concreta de levar um filho à biblioteca pública, visitar um museu gratuito, participar de uma atividade cultural na comunidade, frequentar uma reunião de associação de bairro, caminhar na praia, cuidar da própria casa com tranquilidade ou simplesmente descansar — direito social historicamente conquistado pela classe trabalhadora.

Enquanto os movimentos sociais lutam por pautas estruturantes, como a tributação das grandes fortunas e a regulação de setores que hoje operam com amplas isenções fiscais, a exemplo das chamadas “bets”, parte significativa do parlamento segue naturalizando a sobrecarga da maioria para preservar os privilégios do topo da pirâmide social.

A APUB reafirma que a luta pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial é parte da agenda dos movimentos sociais e dialoga diretamente com o projeto de universidade pública que defendemos: uma instituição comprometida com justiça social, igualdade de oportunidades e ampliação do acesso aos bens culturais e educacionais.

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