APUB SINDICATO DOS PROFESSORES DAS INSTITUIÇÕES FEDERAIS DE ENSINO SUPERIOR DA BAHIA

Entrega de certidões de óbito retificadas marca 62 anos do golpe militar de 1964 em Salvador

No dia 31 de março, data que marcou os 62 anos do golpe militar de 1964, foi realizada, em Salvador, a quarta cerimônia de entrega de certidões de óbito retificadas de vítimas da ditadura militar no Brasil. A solenidade ocorreu no Salão Nobre da Reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e foi promovida pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em parceria com a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. O diretor administrativo, Renato Francisquini, representou a APUB na solenidade.

Ao todo, 27 certidões de óbito estavam aptas para entrega. Os documentos referem-se a vítimas nascidas na Bahia e representam um importante avanço no processo de reparação histórica, ao reconhecer oficialmente que as mortes ocorreram em decorrência de ações violentas do Estado durante o regime militar.

Entre os nomes incluídos na lista está o de Maurício Grabois, pai da professora e ativista Victória Grabois. Ela perdeu, em 1973, o pai, o irmão e o marido durante a repressão. A certidão do irmão já havia sido entregue anteriormente, em São Paulo, e os documentos referentes ao pai e ao marido devem ser entregues em cerimônia futura no Rio de Janeiro, onde ela reside.

A iniciativa de retificação das certidões atende às resoluções da Comissão Nacional da Verdade e do Conselho Nacional de Justiça, que determinam a correção da causa de morte das vítimas da ditadura para “ação violenta do Estado”. A medida visa reparar distorções históricas e garantir o reconhecimento oficial das violações de direitos humanos cometidas no período.

O evento integra a agenda de manifestações realizadas, em Salvador, em defesa da memória, da Democracia e contra os crimes da ditadura. Outra atividade prevista é a 7ª Marcha do Silêncio, com concentração na Piedade na tarde desta quarta-feira (01/04). 

A cerimônia reafirmou a importância das políticas de memória, verdade e reparação no Brasil, sobretudo em um contexto de preservação da democracia e de reconhecimento das vítimas da violência de Estado.

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