Como é de conhecimento geral da comunidade UFBA, a universidade implementou, em 2025, um novo sistema de gestão das atividades acadêmicas. O SIGAA apresenta vantagens relevantes em relação ao modelo anterior. Considerando as inúmeras dificuldades do processo de transição, realizado sem o tempo necessário para uma transformação dessa magnitude, a administração central optou por definir a atipicidade do semestre 2025.2. A fim de lidar com os inconvenientes causados pelo processo de implementação do novo sistema sem ampliar os prejuízos causados aos setores mais afetados, notadamente o corpo discente, diversas rotinas acadêmicas foram flexibilizadas. Não cabe aqui julgar a conveniência da atipicidade naquele momento, que entendemos ter sido medida emergencial necessária, embora seja importante ressaltar o impacto negativo para as atividades acadêmicas.
Com o recesso de fim de ano e a experiência do semestre anterior, acreditávamos que os ajustes para o funcionamento a contento do SIGAA teriam sido finalmente realizados. Todavia, fomos surpreendidos pela informação, proveniente de sinalizações de colegas docentes e da representação estudantil, de que as falhas no sistema permanecem. Alguns colegiados optaram mesmo por recomendar aos docentes o adiamento do início das aulas e/ou a flexibilização das atividades de ensino. Em outros termos, começamos 2026.1 como finalizamos 2025.2: em regime de atipicidade, ainda que não declarada. Diante dessa situação, a representação estudantil apresentou o Ofício 07/2026, em que demanda ao CONSEPE a renovação da declaração de atipicidade do semestre ora em curso.
A APUB se solidariza com a situação dos discentes afetados e reforça o pedido para que os órgãos da administração central realizem, com a máxima urgência, as adaptações necessárias para normalizar as rotinas acadêmicas. Ao mesmo tempo, porém, expressamos enorme preocupação diante da possibilidade de um novo semestre atípico. Não obstante os prejuízos já causados às atividades de ensino, pesquisa e extensão pelas falhas no sistema, entendemos que a atipicidade do semestre letivo, em vez de contribuir para a solução dos problemas de gestão, penaliza duplamente estudantes, técnicos e docentes. É preciso reconhecer o severo impacto que a reiteração de uma medida de caráter extraordinário teria para o bom funcionamento da universidade. Consideramos fundamental que as medidas a serem adotadas para lidar com os inconvenientes causados pela transição para o SIGAA sejam no sentido de regularizar as atividades acadêmicas, e não para normalizar o que deveria ser, afinal, atípico. Dentre as soluções possíveis, deveriam ser consideradas, antes da declaração de atipicidade, a extensão do período letivo, o adiamento do Congresso UFBA, entre outras que não interferissem diretamente nas atividades de ensino, já tão prejudicadas no ano anterior.
Colocamo-nos à disposição para o diálogo aberto com os e as colegas docentes, com a administração central e com as representações discentes e dos técnicos-administrativos para encontrarmos as melhores soluções para um problema que tem afetado de maneira significativa a nossa comunidade.

